{"id":1950,"date":"2018-05-29T15:37:33","date_gmt":"2018-05-29T18:37:33","guid":{"rendered":"http:\/\/pombocorreio.art.br\/?p=1950"},"modified":"2018-05-29T15:37:33","modified_gmt":"2018-05-29T18:37:33","slug":"a-barragem-de-santa-luzia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/daniel.pombocorreio.art.br\/index.php\/2018\/05\/29\/a-barragem-de-santa-luzia\/","title":{"rendered":"A BARRAGEM DE SANTA LUZIA"},"content":{"rendered":"<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: center;\"><strong>Dirigido Rudifran Pompeu e co-dirigido por \u00a0Tiche Vianna, in\u00e9dito A Barragem de Santa Luzia estreia na Oficina Cultural Oswald de Andrade em junho<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: center;\"><em>Com alta carga po\u00e9tica, espet\u00e1culo narra o drama de moradora de uma comunidade ribeirinha que se recusa a deixar sua casa para constru\u00e7\u00e3o de uma usina hidrel\u00e9trica. Elenco traz Nataly Cavalcantti e Clayton Nascimento<\/em><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/TPwBEl_88SsfE5ZVfFVVOoTFYKeBEyZF2hGX5AB9MOpvokH651rY5HdTsJHcXU35Oqt4BCLDrVZMv76WguNwlr5Yxmk_j7Y9r4SScoNZh4RAptZ86QotJMalX1bTsnO0GPbkOcp-QW4AUFOJPA\" width=\"567\" height=\"376\" \/> <a href=\"https:\/\/drive.google.com\/open?id=1YbVfPZqrBdIOWosynqPMtDyOwYnTRbgK\">Fotos de Ar\u00f4 Ribeiro<\/a><\/p>\n<p dir=\"ltr\">O impacto da destrui\u00e7\u00e3o causada pela constru\u00e7\u00e3o de uma hidrel\u00e9trica na vida, mem\u00f3ria e cultura dos moradores das comunidades ribeirinhas \u00e9 o tema do po\u00e9tico A Barragem de Santa Luzia, de Rudifran Pompeu (vencedor do pr\u00eamio APCA 2017 de melhor dramaturgia por \u201cSiete Grande Hotel: A Sociedade das Portas Fechadas\u201d). O espet\u00e1culo estreia no dia 11 de junho na Oficina Cultural Oswald de Andrade, onde fica em cartaz at\u00e9 1 de agosto, com entrada gratuita.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Com dire\u00e7\u00e3o de Rudifran e co-dire\u00e7\u00e3o de de Tiche Vianna, a pe\u00e7a narra o drama da jovem Maria Flor, que \u00e9 obrigada a sair de sua terra em fun\u00e7\u00e3o do rompimento de uma barragem para a constru\u00e7\u00e3o de uma usina hidrel\u00e9trica na regi\u00e3o. Ela se recusa a deixar a sua vida e resolve construir um universo pr\u00f3prio, cheio de desejos e descobertas, a partir do barro de seu quintal. Os horizontes e sonhos de Maria s\u00e3o abalados quando ela encontra uma velha caixa-mala repleta de mem\u00f3rias de seu bisav\u00f4. Esse artefato \u00e9 capaz de transformar o pensamento da jovem sobre a vida e sobre tudo que pode decorrer dela.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cA motiva\u00e7\u00e3o do texto \u00e9 a f\u00e1bula da resist\u00eancia. Resist\u00eancia em todos os sentidos, da terra, da mulher. O espet\u00e1culo fala sobre essa mulher que, para n\u00e3o perder o pouco que tem, precisa resistir ao poss\u00edvel desaparecimento de sua hist\u00f3ria. Fala sobre mem\u00f3ria, sobre a fragmenta\u00e7\u00e3o do pensamento e sobre a terra e o desejo de se permanecer onde se trabalhou, viveu e plantou ra\u00edzes. No desespero do fim de tudo, a personagem procura uma lacuna de salva\u00e7\u00e3o de sua dignidade e de sua trajet\u00f3ria hist\u00f3rica, e, mesmo que tudo seja um campo imagin\u00e1rio, ela resolve criar um novo mundo no quintal da casa onde vive e onde pretende ficar at\u00e9 o fim\u201d, comenta o autor e co-diretor.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A ideia \u00e9 criar uma discuss\u00e3o sobre a ressignifica\u00e7\u00e3o de mem\u00f3rias em contraponto com os conflitos vividos no tempo presente pela personagem. Tamb\u00e9m central na encena\u00e7\u00e3o e no texto s\u00e3o as quest\u00f5es de identidade de g\u00eanero e a forma como s\u00e3o colocadas na contemporaneidade. A partir de suas idealiza\u00e7\u00f5es e das perspectivas de um mundo ideal, Maria percebe a dificuldade e a dimens\u00e3o simb\u00f3lica de reorganizar-se diante da vida. \u201cEssa ressignifica\u00e7\u00e3o mostra que \u00e9 preciso agir de alguma forma mais eficiente para se combater o esquecimento de quem somos e de quem algum dia fomos. \u00c0s vezes, \u00e9 preciso \u00e0 imin\u00eancia do fim para entendermos o qu\u00e3o importante s\u00e3o as mem\u00f3rias na nossa linha narrativa e na nossa hist\u00f3ria, nosso lugar de fala, nossa identidade\u201d, acrescenta Pompeu.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Outra refer\u00eancia do espet\u00e1culo \u00e9 a pr\u00f3pria desestrutura\u00e7\u00e3o \u2013 de natureza mis\u00f3gina, machista e patriarcal &#8211; do cen\u00e1rio pol\u00edtico brasileiro, al\u00e9m de eventos como a cat\u00e1strofe de Mariana, que possuem uma forte representa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 situa\u00e7\u00e3o exposta pela trama. \u201c\u00c9 um espet\u00e1culo importante porque n\u00e3o se pode mais confiar nos poderes da Rep\u00fablica, n\u00e3o existe legitimidade na governan\u00e7a estabelecida, n\u00e3o existe a priori um estudo de impacto para nada nessa na\u00e7\u00e3o golpeada. O que se tem \u00e9 um Estado conservador, que arbitra o direito de determinar quem vive e quem morre. Nada acontece em uma rep\u00fablica deformada por um golpe de Estado jur\u00eddico e midi\u00e1tico como o que o Brasil sofreu recentemente. \u00c9 importante falar de resist\u00eancia, porque \u00e9 o que nos resta depois de tudo\u201d, revela.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Montado em uma plataforma de metal, com madeiras e t\u00e1buas sujas de terra, o cen\u00e1rio da pe\u00e7a, assinado por Zita Teixeira e Entre o Trem e a Plataforma cia de teatro, remete o espectador ao quintal de uma casa humilde no sert\u00e3o de Serid\u00f3, no Rio Grande do Norte. \u201dA encena\u00e7\u00e3o \u00e9 baseada em uma paleta de cores da terra; ela foi pensada para andar e se contaminar de s\u00edmbolos de luta e de resist\u00eancia no Brasil rural. \u00c9 um trabalho que navega na simplicidade, mas que tem um sentido de enfrentamento de quest\u00f5es por vezes contradit\u00f3rias exatamente como o somos\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">J\u00e1 a ilumina\u00e7\u00e3o de Lui Seixas recria esse ambiente \u00e1rido com cores quentes. E a trilha sonora de Pedro Fel\u00edcio \u00e9 composta por uma s\u00e9rie de intera\u00e7\u00f5es com a cena, a partir de instrumentos de percuss\u00e3o, um viol\u00e3o e uma rabeca. A produ\u00e7\u00e3o geral \u00e9 de M\u00f4nica Raphael. O projeto foi contemplado na 6\u00aa edi\u00e7\u00e3o Pr\u00eamio Z\u00e9 Renato.<\/p>\n<div dir=\"ltr\">\n<table>\n<colgroup>\n<col width=\"567\" \/><\/colgroup>\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p dir=\"ltr\">Sobre o coletivo e a montagem<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Essa barragem come\u00e7ou a romper h\u00e1 mais de quatro anos, em 2014. Pense: o mundo em que viv\u00edamos em 2014 era outro. Absolutamente outro. Em 2014 um jogo de futebol contra a sele\u00e7\u00e3o da Alemanha parecia ser uma grave inj\u00faria ao nosso pa\u00eds. Mal sab\u00edamos as lacera\u00e7\u00f5es, rasgos e ferimentos que nossa fr\u00e1gil democracia iria sofre a partir daquele ano.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Ent\u00e3o, acontece que de 2014 at\u00e9 hoje, 2018, essa obra foi sendo constru\u00edda. Por vezes nas mesas de bar, tomando um caf\u00e9, lendo o texto (em seus incont\u00e1veis formatos&#8230;) juntos ou sozinhos; outras vezes em salas de ensaio (com artistas que por aqui passaram e deixaram suas marcas), em reuni\u00f5es pensando formas de produ\u00e7\u00e3o, de realizar o que t\u00ednhamos ent\u00e3o; outras ainda lado a lado na luta di\u00e1ria de sermos artistas, de sermos cidad\u00e3s e cidad\u00e3os, de defendermos a democracia e a liberdade.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Assim come\u00e7ou tamb\u00e9m esse amontoado de gentes que agora ousamos chamar (porque \u00e9 muita ousadia inventar coletivo nos dias de hoje) Entre o Trem e a Plataforma, uma companhia de teatro.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Esse nosso primeiro resultado p\u00fablico encerra tamb\u00e9m o significado de nossa pr\u00f3pria exist\u00eancia como companhia. Criar este espet\u00e1culo foi tamb\u00e9m, sem que sequer perceb\u00eassemos, criar este grupo de teatro.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A Barragem de Santa Luzia foi tomando forma no olho do furac\u00e3o pol\u00edtico e social em que estamos, sendo modelada de um barro duro, rijo, escorregadio de se trabalhar. A busca que empreendemos pela forma deste espet\u00e1culo se confunde com a busca por reinventar as pr\u00f3prias formas do teatro, busca em que hoje se encontra todo o teatro paulistano, talvez brasileiro. Uma busca por dar voz e corpo \u00e0s demandas atuais, demandas que l\u00e1 em 2014 n\u00e3o poder\u00edamos prever. Que nos pegaram no contrap\u00e9, no susto, mas que tamb\u00e9m s\u00e3o as demandas da renova\u00e7\u00e3o art\u00edstica, da radicalidade da cr\u00edtica, da autocr\u00edtica, da luta aberta por liberdade.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A terra &#8211; talvez o eixo mais central deste espet\u00e1culo &#8211; j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais a mesma. O povo que nela habita, certamente tamb\u00e9m n\u00e3o. A necessidade de identidade, de encontrar o seu lugar de existir no mundo e de ter voz, tudo isso mudou muito desde o in\u00edcio deste processo, tornando o pr\u00f3prio processo uma s\u00e9rie de explos\u00f5es e implos\u00f5es de si mesmo, sempre respondendo a uma realidade t\u00e3o vol\u00e1til quanto o barro com que nossa Maria constr\u00f3i seu mundo.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Construir de material t\u00e3o inconstante uma f\u00e1bula de resist\u00eancia, de v\u00ednculo com a mem\u00f3ria, com a hist\u00f3ria e com a luta coletiva do povo deste pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 tarefa nada simples. Encaramos essa tarefa justamente para tentar entender (n\u00e3o apenas com o intelecto, mas com nossos corpos, com nossos cora\u00e7\u00f5es) como dar conta da complexidade de todas as quest\u00f5es que nos assolam, mas a partir de atos simples.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Este espet\u00e1culo \u00e9 uma ato de resist\u00eancia, sim. Entre o Trem e a Plataforma \u00e9 um ato coletivo. E que na simplicidade destes atos possamos nos encontrar. Pois \u00e9 de encontros que se constr\u00f3i o que buscamos construir aqui.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Entre o Trem e a Plataforma<\/p>\n<p dir=\"ltr\">cia. de teatro<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p><strong>SINOPSE<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">Maria Flor est\u00e1 prestes a perder a casa por conta do rompimento da barragem de Santa Luzia, por\u00e9m ela se recusa a deixar seu pequeno peda\u00e7o de ch\u00e3o e resolve construir o pr\u00f3prio destino a partir do barro no quintal de sua humilde morada. Seus horizontes e sonhos se modificam quando encontra uma velha caixa mala deixada por seu bisav\u00f4.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">FICHA T\u00c9CNICA<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Dire\u00e7\u00e3o: Rudifran Pompeu Co-dire\u00e7\u00e3o: Tiche Vianna Texto: Rudifran Pompeu Elenco: Nataly Cavalcantti e Clayton Nascimento M\u00fasica: Pedro Fel\u00edcio Cenografia e figurino: Zita Teixeira e Entre o Trem e a Plataforma cia de teatro Adere\u00e7os: Zita Teixeira e \u00a0Entre o Trem e a Plataforma cia. de teatro Costureira: Das Neves Prepara\u00e7\u00e3o vocal: Ana Terra Cria\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o de luz: Lui Seixas Fotos \u2013 Ar\u00f4 Ribeiro Programa\u00e7\u00e3o visual: Danilo Amaral Produ\u00e7\u00e3o Geral: M\u00f4nica Raphael Assessoria de imprensa: Pombo Correio<\/p>\n<p>SERVI\u00c7O A Barragem de Santa Luzia, de Rudifran Pompeu Oficina Cultural Oswald de Andrade \u2013 Rua Tr\u00eas Rios, 363, Bom Retiro Temporada: de 11 de junho a 1 de agosto \u00c0s segundas, ter\u00e7as e quartas-feiras, \u00e0s 20h Ingressos: Gr\u00e1tis, distribu\u00eddos uma hora antes de cada sess\u00e3o Classifica\u00e7\u00e3o: 16 anos Dura\u00e7\u00e3o: 70 minutos Capacidade: 30 lugares Informa\u00e7\u00f5es: (11) 3222-2662<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dirigido Rudifran Pompeu e co-dirigido por \u00a0Tiche Vianna, in\u00e9dito A Barragem de Santa Luzia estreia na Oficina Cultural Oswald de Andrade em junho Com alta carga po\u00e9tica, espet\u00e1culo narra o drama de moradora de uma comunidade ribeirinha que se recusa a deixar sua casa para constru\u00e7\u00e3o de uma usina hidrel\u00e9trica. 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