Flávio Tolezani e Natalia Gonsales voltam ao cartaz com o espetáculo Fala Comigo Antes da Bomba Cair

 Espetáculo baseado em textos de Mário Bortolotto e Tennessee Williams tem direção de Carla Candiotto e faz nova temporada às terças-feiras no Teatro Eva Herz

 Fotos de Edu Tolezani e Carla Trevizani

Fala Comigo Antes da Bomba Cair é um projeto do casal de atores Flávio Tolezani e Natalia Gonsales. Depois de temporada de sucesso, espetáculo reestreia dia 6 de setembro, às 21h, no Teatro Eva Herz.

O espetáculo busca o diálogo entre dois autores de países, épocas e expressões diferentes. Trata-se da encenação dos textos: Fala Comigo Como a Chuva e me Deixa Ouvir, que faz parte do conjunto de peças curtas em um ato do autor americano Tennessee Williams, e Vamos Sair da Chuva Quando a Bomba Cair, do paranaense Mário Bortolotto.

Como idealizadores, os atores Flávio Tolezani e Natalia Gonsales optaram por reunir em um mesmo espetáculo um texto escrito em 1950 por Tennessee Williams, um dos dramaturgos mais cultuados do teatro universal, responsável por grandes obras teatrais e cinematográficas, e outro escrito em 1988 por Mario Bortolotto, reconhecido representante contemporâneo de uma linguagem cáustica e direta.

Ambos apresentam ao público um jovem casal. Fala Comigo Como A Chuva e me Deixe Ouvir aborda a situação inalterável de um casal que não se adapta às transformações sociais. Vamos Sair da Chuva Quando a Bomba Cair apresenta um casal que luta para vencer os desafios de uma sociedade contemporânea.

Sinopse
Angela é produtora e Hassim um escritor. Existe entre eles a vontade de viverem juntos. Mas, devido às diferenças, a convivência se torna conflituosa e desafiadora, pois enquanto Ângela traz à tona dilemas constantes como trabalho, filhos e responsabilidade, Hassim parece conformado com a sua escolha de levar uma vida boemia.

Do encontro de VAMOS SAIR DA CHUVA QUANDO A BOMBA CAIR, de Mário Bortolotto e FALA COMIGO COMO A CHUVA E ME DEIXA OUVIR, de Tennessee Williams.        

A encenação
Os dois textos foram costurados pela diretora Carla Candiotto, pelos atores e pelo assistente de direção Bruno Guida. O ator Flávio Tolezani também assina o cenário, que se transforma, ao longo da peça, sugerindo diferentes ambientes frequentados pelos personagens. A música original de Marcelo Pellegrini, o figurino do Daniel Infantini e a luz de Aline Santini também ajudam a compor os diferentes universos vividos pelo casal.

Ficha Técnica
Idealização: Flávio Tolezani e Natalia Gonsales
Baseado nos textos de Mário Bortolotto (Vamos Sair da Chuva Quando a Bomba Cair) e Tennessee Williams (Fala Comigo Como a Chuva e me Deixa Ouvir).
Direção: Carla Candiotto
Assistente de direção: Bruno Guida
Coreografia e Direção de Movimento: Adriana Telg
Coreografia Pole Dance: Carlos França e Kelly Carvalho
Elenco: Natalia Gonsales e Flávio Tolezani
Cenografia: Flávio Tolezani
Musica Original: Marcelo Pellegrini
Figurino: Daniel Infantini
Luz: Aline Santini
Adereços: Marcela Donato
Programação Visual: Murilo Thaveira
Técnico de Som: Caio Nogueira
Técnico de Luz: Cleber Eli
Direção de Produção: Natalia Gonsales
Produção Executiva: Joana D´Aguiar Batista e Fernando Azevedo
Realização: Bem Casado Produções Artísticas

Serviço
Reestreia 6 de setembro
12 anos
70 minutos
Teatro Eva Herz – Avenida Paulista, 2073 (Conjunto Nacional)
166 lugares
(11) 3170-4059
Terças, às 21h.
R$ 50
Até 25 de outubro.

 

Espetáculo infantil LIVRO DE OURO estreia dia 3 de setembro no Teatro João Caetano

 Fotos de Daniel Spalato

Com texto de Geraldo Rodrigues e Luciana Esposito e direção de Geraldo Rodrigues, o espetáculo infantil Livro de Ouro traz no elenco os atores Daphne Bozaski, Daniel Costa, Luciana Esposito e Gutto Szuster. A estreia é dia 3 de setembro no Teatro João Caetano.

Sinopse
O Livro de Ouro é a fonte de toda inspiração, criatividade e imaginação de uma peculiar e apaixonante cidade chamada Livrópolis. Devido a um breve descuido, o Livro desaparece e todas as suspeitas recaem sobre a doce e divertida protagonista, Sofia.

Acompanhada de seu atrapalhado amigo de quatro patas, Millôr, nossa heroína decide fugir da cidade e se livrar, de uma vez por todas, do problemão em que se meteu. É nesse impulso fugitivo que Sofia e Millôr viverão a maior aventura de suas vidas, contando com a ajuda de personagens mágicos e misteriosos que lhes ensinarão lições valiosas que mudarão suas vidas para sempre.

BEM VINDO A LIVRÓPOLIS
Imagine uma cidade mágica, diferente de tudo o que você já viu. Assim é Livrópolis. Aqui os habitantes passam a maior parte do tempo lendo, escrevendo, desenhando, tocando instrumentos e pintando também. Abrimos as portas da nossa pequena cidade para proporcionar ao espectador uma fascinante aventura e uma poderosa reflexão acerca do papel dos livros e da tecnologia em nossas vidas. É com muita música, mistério e diversão que apresentamos o espetáculo teatral infantil “Livro de Ouro”.

Ficha Técnica:
Texto: Geraldo Rodrigues e Luciana Esposito
Direção: Geraldo Rodrigues
Elenco: Daphne Bozaski, Daniel Costa, Gutto Szuster, Luciana Esposito e Luiz Ribeiro (Stand in: Johnnas Oliva e Erica Ribeiro).
Iluminador: Robson Lima
Figurino: Bruna Fernandes e Victoria Andreoli
Cenário: Victoria Andreoli
Trilha Sonora: Luiz Ribeiro
Assistente de direção: Rodrigo Scarpelli
Coreografia: Aline Pinotti
Projeto Gráfico: Victoria Andreoli
Produção: NOSS Produções e GR Artes

SERVIÇO
De 3 a 25 de setembro de 2016
Livre
60 minutos
Teatro João Caetano
438 lugares
Sábados e domingos, às 16h
R$ 10

Espetáculo “Dramas de Princesas” de Elfriede Jelinek, ganhadora do prêmio Nobel, estreia em São Paulo em temporada gratuita

1º de setembro a 1º de outubro
Oficina Cultural Oswald de Andrade

 Fotos de Christian Piana

A ciadasatrizes estreia em São Paulo o espetáculo ‘Dramas de Princesas” de Elfriede Jelinek na Oficina Cultural Oswald Andrade com direção de Maria Tendlau. Dramas de Princesas é a segunda obra da autora a ser encenada no Brasil.

Desde sua criação em 2008, a companhia vem desenvolvendo uma pesquisa cênica sobre o lugar da mulher em nossa sociedade e no próprio teatro, em constante fricção com a história (quase que exclusivamente “falocêntrica”) da dramaturgia e das representações teatrais. Nesse percurso, abordou textos de dois dramaturgos (homens) sobre o universo feminino: Alegres comadres de Windsor de Shakespeare, e O defunto, de René de Obaldia. Nos dois casos, tratou-se de opor à visão masculina dos autores originais (impregnada nos textos) uma encenação de forte caráter crítico e performativo, que propusesse uma desconstrução das formas dadas a partir da perspectiva feminina – refletindo e repensando a oposição entre mulheres e homens já presentes nas fábulas originais. Já na obra de intervenção Epifanias urbanas, o grupo buscou explorar o feminino não a partir do campo textual, mas do imagético, encarnando estranhas figuras que erravam pela cidade atraindo olhares e questionamentos.

Seguindo nessa linha, o grupo deparou-se com a obra dramatúrgica da austríaca Elfriede Jelinek, ganhadora do Nobel e sem dúvida uma das mais importantes escritoras da atualidade. Nela, encontrou a oportunidade de explorar uma escrita fundamentalmente feminina, uma poética absolutamente original e provocadora que enfrenta de modo único e radical, calcado num trabalho de excelência linguística incomparável, a dominância masculina histórica e atual. A própria obra de Elfriede Jelinek ultrapassa os limites previamente estabelecidos por um ‘senso comum feminista’, não freando diante de reflexões heterodoxas sobre a responsabilidade ou cumplicidade da mulher em sua própria desgraça social, e frequentemente valendo-se de um sarcasmo talvez desagradável ao colocar na boca de personagens femininas alguns dos discursos mais misóginos de suas peças.

Em Dramas de princesas aautora explora simultaneamente de modo ácido e poético a situação da mulher diante dos mitos dominadores criados pela sociedade do espetáculo, trazendo para a cenauma constelação de fantasmas femininos célebres que ganham voz, discursando sobre sua contraditória posição entre fama e apagamento, poder e impotência, status e vitimização.

SOBRE A PEÇA
As peças escritas por Elfriede Jelinek, e encenadas pela ciadasatrizes, valem-se de certo lugar-comum da escrita feminista: a releitura de mitos para subverter ideias comumente aceitas sobre o feminino. O que nos interessou aqui, porém, não foi reescrever os mitos com vistas ao empoderamento, e muito menos constituir narrativas convencionais sobre vítimas e assassinos, que criticam o machismo à custa de perpetuar uma imagem empática da mulher como sofredora passiva, mas demonstrar quão profundamente seus clichês infectam cada aspecto das subjetividades mais resistentes.

Jelinek propõe uma inusitada espécie de história das relações de poder e mentalidade entre os sexos, escrita com olhar inflexível, de visão crítica nada ortodoxa, ao mesmo tempo amargamente séria e com uma irreverente autocrítica. De modo que, pelo trabalho com as palavras, minucioso e desembaraçado de regras ou convenções, a linguagem nas peças se torna entidade autônoma, deixando de ser mera expressão das personagens ou mesmo da autora, para melhor poder desconstruir impiedosamente todas elas.

E seguindo a pesquisa cênica da ciadasatrizes – isso é, a construção de um teatro de forte caráter performativo e imagético, que erija sua linguagem como discurso propriamente estético e não como mera ilustração formal de conteúdos pré-definidos – a encenação dos Dramas de princesas de Elfriede Jelinek é baseada na fricção entre as artes cênicas e as artes visuais.As cinco peças escritas por Jelinek estarão dispostas no espaço, remetendo o público a um espaço expositivo, que ao longo do espetáculo o público deverá decidir onde se posicionar para ver cada uma delas.

Na primeira peça a Branca de Neve, tendo conhecido apenas a Verdade durante toda sua vida, está em busca de alguma Verdade quando se depara com o caçador; que representará um papel bastante diferente daquele do conto de fadas; já a Bela Adormecida acorda para seu destino: que um homem, supostamente um príncipe, tendo lhe dado o beijo que quebra o feitiço, tenha automaticamente direito sobre ela. A terceira peça é Rosumanda, inspirada em peça de Helmina von Chézy mais conhecida pela música incidental de Schubert, em que se mostra a tentativa da personagem-título de retomar o trono de Chipre, seu por direito mas usurpado pelo governador Fulvio, que tenta seduzi-la; a penúltima peça é Jackie Kennedy, que não consegue a livrar da lembrança de todos mortos da família. Por fim, a peça A parede apresenta as poetas Sylvia Plath e Ingeborg Bachmann, que enfrentam uma parede invísivel mas impossível de ultrapassar.

O projeto DRAMAS DE PRINCESAS, da ciadasatrizes,  foi contemplado pela 27. Edição do programa de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo .

SINOPSE
O que significa para mulheres aprisionadas em clichês de contos de fadas buscar alguma verdade ou algum poder? Em cinco peças curtas, a ganhadora do Nobel Elfriede Jelinek apresenta figuras fantasmagóricas de princesas, de Branca de Neve a Jacqueline Kennedy, entrando em embate com a Morte – que geralmente vem na forma de homem – e com a própria dificuldade de simplesmente Ser na nossa sociedade.

Sobre ciadasatrizes
A ciadasatrizes é um núcleo de pesquisa cênica que tem como objetivo principal a criação de obras que pensem o tempo presente a partir de perspectivas predominantemente (mas não exclusivamente) femininas, sempre apoiado em estudos e discussões sobre diversas poéticas da cena contemporânea e seus hibridismos característicos.

Surgiu da dissolução da Caos Cia De Teatro, grupo formado no curso de Artes Cênicas da Unicamp de 2003, que tem em seu currículo os espetáculos: “Qioguem?!” dirigido por Alice K., estreado em São Paulo em agosto de 2006, em temporada no TUSP e no Centro Cultural São Paulo, participando de festivais de teatro pelo Brasil obteve dezessete prêmios nas categorias melhor espetáculo, direção, conjunto de atores, ator, cenário, figurino, iluminação e concepção sonora); “Decameron” dirigido por Roberto Mallet, estreou em São Paulo em setembro de 2006 no Centro Cultural São Paulo, participou de festivais de teatro pelo Brasil e obteve doze prêmios nas categorias melhor espetáculo, direção, conjunto de atores, ator, cenário, figurino e iluminação; “Rasto Atrás” dirigido por Marcio Tadeu que fez breve temporada no Teatro Castro Mendes em Campinas em 2006 ; “Perdoa-me por me Traíres” dirigido por Marcelo Lazzaratto; “As Rãs“ dirigido por Isa Kopelman, que participou do projeto Encenações do Sesi em 2005; “Caravana Viramundo” dirigido por Gracia Navarro e Luiz Monteiro, que participou do Fringe de Curitiba em 2005.

Em 2009, como parte do projeto 100 do núcleo HANA, projeto contemplado pela XII edição do Fomento para a cidade de São Paulo, estreou no Teatro Sergio Cardoso o espetáculo “As Alegres Comadres: Entre, Coma, Sinta-se em casa”, livremente inspirado na obra de William Shakespeare, com direção de Thiago Antunes.

Em 2011 foi contemplado pelo prêmio Klauss Vianna da Funarte em parceria com o Núcleo Mirada para a realização do projeto “Epifanias Urbanas” com a provocação de Morena Nascimento, Michele Navarro, Fernando Villar e Carlos Canhameiro.

No mesmo ano foi contemplada também pelo Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo para a criação do espetáculo Teatral “O Defunto”, clássico texto de René de Obaldia com direção de Carlos Canhameiro e trilha sonora original de Arrigo Barnabé. Ambas as peças vêm se apresentando desde então principalmente em cidades do interior do estado de São Paulo.

Em 2015 foi contemplada pela XVII edição do Fomento para a cidade de São Paulo para circular Epifanias Urbanas, O Defunto, realizar um seminário sobre feminismo, dramaturgia contemporânea e teatro performativo, e como finalização do projeto produzir o novo espetáculo Dramas de princesas, texto inédito no Brasil da autora austríaca Elfriede Jelinek

Ficha Técnica:
Concepção:ciadasatrizes
Direção : Maria Tendlau
Texto : Elfriede Jelinek
Elenco : Artur Kon, Carla Massa, Daniela Alves, Paula Carrara, Mariana Otero, Mariana Zink, Renan Marcondes,Tetembua Dandara
Tradução : Alexandre Krug
Dramaturgismo : Artur Kon
Pensamento visual e design gráfico : Renan Marcondes
Pensamento Corporal : Isabel Tica Lemos
Criação e Direção Musical : Rui Barossi
Assist. de Direção Musical : Pedro Canales
Iluminação :  Daniel Gonzalez
Cenotecnia : Zang&Zagatti
Aux. técnico e efeitos especiais : Matias Arce
Fotos : Christian Piana
Produção:Tetembua Dandara e Thais Rossi
Site: www.ciadasatrizes.com

Serviço
LOCAL: Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro)
DATA: de 1 de Setembro a 1 de Outubro – quinta a sábado – 20h
Sessões extras: 14, 21 e 28 de Setembro – quartas-feiras – 20h
Capacidade: 25 lugares
Duração: 100 minutos
Gratuito – distribuição de ingressos 1 hora antes do início do espetáculo
Classificação: maiores de 16 anos

Escandinavos estreia dia 31 agosto no Teatro Augusta

Monólogo interpretado pela atriz Andrea Tedesco dirigido por Nicole Aun é a primeira montagem do texto do dramaturgo paraense Denio Maués

Foto de Marcelo Patu

Inspirado na relação entre o cineasta Ingmar Bergman e a atriz Liv Ullman, “Escandinavos” retrata uma atriz que busca maneiras de recontar a sua própria história, na tentativa de compreender e superar o fim de um denso relacionamento amoroso.Dessa forma, ela cria uma nova história que se confunde com a sua, o fim do romance de um diretor de cinema sueco com uma atriz norueguesa. A peça discute o quantovida e arte se influenciam.

A diretora Nicole Aun optou por uma cenografia simples, que desse espaço às diversas idas e vindas da cabeça da personagem. A atriz cria ambientes e figuras apropriando-se dos objetos de cena: três cadeiras apenas.

Ficção e depoimento, presente e memória se confundem na peça, os paralelos do texto são tecidos minuciosamente, não somente entre as duas histórias de amor, mas entre vida e arte. Desnuda-se aos poucos muito mais do que a confusa história da protagonista, mas o processo de criação da própria peça que está sendo encenada. Sendo essa, ao fim a sua redenção, a possibilidade de colar alguns cacos – não todos – através da arte.

Sobre como o texto foi escrito
“Escandinavos” nasceu como uma peça para dois atores, uma atriz (a Andrea) e um ator, em 2013, que contariam sobre o relacionamento desfeito, ora com diálogo dramático, ora narrando para o público.

A primeira leitura para o público estava marcada para uma terça-feira mas na segunda o Denio recebeu um telefonema que informava que o ator estava doente e precisaria ficar internado. “Falei com alguns amigos, que topariam na boa substituí-lo, mas não puderam em cima da hora, na segunda-feira à noite, tinha de tomar uma decisão: ou arriscava mais algum substituto ou eu leria o texto com a Andrea. Achei as duas opções ruins e, como era um texto curto, resolvi arriscar e transformá-lo em monólogo. Passei grande parte da madrugada fazendo isso porque não foi tão fácil quanto eu imaginei, rs. A primeira questão: como ela assumiria as falas e os pontos de vista dele sobre a relação?Aos poucos, o discurso da personagem foi nascendo. Por ser um ponto de vista único, as certezas dela tomaram a dianteira, obviamente. Mas vieram com algumas lacunas, lapsos de memória e reconstrução da sua própria história. Depois de pouquíssimas horas de sono, reli o texto pela manhã, gostei e achei que dava para apresentar. Liguei para a Andrea e perguntei se ela toparia fazer como monólogo. Ela topou, pediu a nova versão e passou o dia estudando”, conta o dramaturgo.

“Penso que o resultado, como monólogo, mostra, ao mesmo tempo, a fragilidade e a força do teatro: fragilidade por lidar com o ser humano ao vivo, que pode adoecer de repente; e força porque sempre pode se transformar, com uma potência inimaginável”, completa Denio.

Sobre o autor
Denio Maués integra o Centro de Dramaturgia Contemporânea (CDC). Autor da peça  “Escandinavos” (direção: Nicole Aun/2016) e coautor de “Jardim inverso”(*) (direção: Paulo Faria/2009). Em 2014, lançou livro de peças (coleção “Palavras para Teatro”/CDC-Editora Patuá). Colaborou na dramaturgia de “Ingratidão” (direção: Cacá Carvalho/2013). Em Portugal, participou com o CDC do projeto “Capitanias dramatúrgicas” (2012). Roteirista colaborador do longa-metragem “Para ter onde ir” (direção: Jorane Castro/2016). Autor de livros infanto juvenis pelas editoras Panda Books, Paulus e Escala. Também é jornalista.(*) coautoria com Drika Nery e Luis Eduardo de Sousa.

Sobre a diretora
Nicole Aun é formada pelo Teatro Escola Célia Helena (1997). Dirigiu os espetáculos “Todos os Meus”, de Marina Tranjan, com a companhia Auto Retrato, “O que refletem esses pedaços”, inspirado na filmografia do cineasta sueco Ingmar Bergman; “Todas elas”, texto elaborado a partir de fatos e depoimentos de mulheres da América Latina; “Pau, Brasil!”, uma farsa que conta a história do Brasil; “Mau ditas”, um cabaré que conta a história da mulher sob o ponto de vista da prostituta. Fez assistência de direção para Marco Antonio Rodrigues nos espetáculos “Por cima estrelas, por Baixo…”e “Antígona”, para Reinaldo Maia nos espetáculos “O Banho” e “Pavilhão 5”, (com Reinaldo Maia também desenvolveu um trabalho com a Cia de Teatro da Monte Azul, por 5 anos); para Paulo Autran em “Encontro/espetáculo com Ariclê Peres, Emílio DiBiase no espetáculo “Madame Shakespeare”, de 2011 a 2014 autou como assistente de direção de Cacá Carvalho na Casa Laboratório para as Artes do Teatro com os espetáculos “Estudo Hamlet e “A Ingratidão é Fria Como o Mármore”.

Sobre a atriz
Ao longo da sua trajetória Andrea Tedesco estudou no CPT e trabalhou com importantes grupos da cena paulistana como o Folias D’Arte em “Querô”, e com a Velha Companhia em “Crepúsculo”, entre outros. Recentemente trabalhou com a Cia Opovoempé em “Na Polônia, isso é onde?”(Sesc Consolação) e na peça “A Batalha da Maria Antônia – Arqueologias do Presente” (Festival TUSP de Teatro). No início de 2016 fez “Dadesordemquenãoandasó” com o Coletivo Provisório Definitivo. Em cinema atuou nos filmes de Ugo Giorgetti: Uma Noite em Sampa, Cara ou Coroa e Boleiros 2, pelo qual foi indicada a melhor atriz coadjuvante.

Serviço
Temporada: de 31 de agosto a 27 de outubro
Quartas e quintas às 21h
Duração: 50 minutos
Classificação: 12 anos
Ingressos: R$ 20
Onde: Teatro Augusta – Sala Experimental – Rua Augusta, 943
30 lugares.
Telefone: (11) 31514141
Até: 27 de outubro

Ficha Técnica
Dramaturgia – Denio Maués
Direção – Nicole Aun
Interpretação – Andrea Tedesco
Iluminação – Jimmy Wong e Diego Gonçalves
Trilha Sonora – Pedro Canales
Objetos de cena – Ciro Schu
Figurino – Andrea Tedesco e Nicole Aun
Produção: Andrea Tedesco e Nicole Aun
Foto: Marcelo Patu

Diálogos de Salomé com São João Batista estreia dia 30 de agosto no Porão do Teatro Sérgio Cardoso. Texto e direção de Sérgio Ferrara

Fotos de Vivian Fernandez

Oscar Wilde na prisão evoca Salomé e São João Batista para falar sobre o amor e a traição. Nessa montagem, Salomé é caracterizada como um TENGU (ser fantástico das profundezas da mitologia japonesa que apavora os sonhos dos mortais). Da obra de Oscar Wilde com direção e dramaturgia de Sérgio Ferrara, a peça  resgata a poesia Simbolista de Cruz e Souza e Baudelaire e os poemas chineses da Dinastia Tang de Li Bai.

O espetáculo é concebido como uma instalação cênica no Porão do Teatro Sérgio Cardoso dando continuidade à pesquisa do diretor Sérgio Ferrara sobre a Trilogia dos Malditos com a ocupação de espaços não convencionais que começou com “Genet: O Poeta Ladrão”, de Zen Salles na sala Beta do Sesc Consolação e encerrará com Pier Paolo Pasolini.

Diálogos de Salomé com São João Batista estreia dia 30 de agosto no Porão do Teatro Sérgio Cardoso com Fransérgio Araújo, Camila dos Anjos, Gustavo Haddad, Tony Lee, Pablo Ginevro e Ruben Espinoza. Completam a ficha técnica Maria Bonomi (cenário), Caetano Vilela (iluminação) e Kleber Montanheiro (figurino).

Oscar Wilde e Salomé
“Buscamos resgatar por meio da encenação do texto Salomé do autor Oscar Wilde a estética do movimento Simbolista fazendo um paralelo com a poesia Simbolista na figura de Cruz e Souza: o Cisne negro do simbolismo brasileiro”, conta o encenador Sérgio Ferrara.

Uma das peças mais conhecidas de Oscar Wilde, Salomé foi escrita no ano de 1891, quando o escritor passou uma temporada em Paris. O tema para a peça já martelava a cabeça de Wilde desde, pelo menos, sua visita a uma exposição do pintor francês Simbolista Gustave Moreau voltado para o mesmo assunto.

Inspirada em uma história presente em passagens bíblicas e escrita originariamente em francês a peça conta, em um único ato, com os requintes típicos da elaboração estética de Wilde, a história de uma festa celebrada no palácio do tetrarca Herodes Antipas. Nesta festa, Salomé se revela apaixonada pelo profeta Iokanaan (mais conhecido como São João Batista), que estava preso no palácio por ter denunciado publicamente o casamento incestuoso entre Herodes e Herodíade, a qual fora casada com o irmão do tetrarca, bem como a corrupção reinante no governo.

A tensão da peça é grande: há sinais de que algo ruim ocorrerá, os quais se manifestam todo o tempo através de falas dos personagens principais ou mesmo os secundários, como alguns guardas. Salomé, então, pede a cabeça de Iokanaan em uma bandeja de prata. Embora Herodes tente, com as mais diversas e ricas ofertas, dissuadir sua enteada e sobrinha da solicitação feita, a promessa não pode ser quebrada e a cabeça do profeta é entregue a Salomé em uma bandeja de prata. Ela, então, pega a cabeça e beija a boca de Iokanaan, alcançando seu objetivo e atingindo um êxtase doentio. Vendo a cena, Herodes se exaspera e ordena que seus soldados acabem com a vida de Salomé porque nesse momento ele sente o prenúncio que um grande crime foi cometido contra um Deus desconhecido.

A figura de Salomé foi um dos mitos maiores na produção artística do fim do século XIX e uma fonte de inspiração constante para pintores, poetas, músicos, dramaturgos, escritores daquela época. Salomé representa a divindade mais afortunada do eterno feminino e tornou-se uma figura central do Simbolismo/Decadentismo francês e para ela, convergiram os sonhos e os fantasmas dos contemporâneos.

Em Diálogos de Salomé com São João Batista, “a encenação irá se voltar para o interior das personagens, buscando, através de uma linguagem de signos, colorida e vibrante do texto simbolista, sugerir as angústias do homem. Pelo seu aspecto enigmático, místico (até religioso) não estará preocupada com a descrição do mundo e sim com a sugestão de realidades (materiais ou abstratas) que compõem esse mundo”, conta o diretor.

“Oscar Wilde é a simples supremacia do cotidiano sobre os dogmas cristãos. Contra a fé e a crença em um mundo espiritual de ideias eternas e etéreas, Wilde rompeu com o modo platônico de pensar que vem se perpetuando através da cristandade por séculos. Ao contrário do que a sociedade da época estabelecia, tinha a crença de que a estética aflorava internamente no homem, onde o bom, o belo e o agradável são determinados pelo indivíduo e não em interesses diversos baseados na economia e religião. Preocupado com a possibilidade do ser humano tornar-se prisioneiro do mundo objetivo, encontra na imaginação a utilidade e beleza da mentira sem confundi-la com aquilo que é real”, completa.

O Teatro Simbolista, por Sérgio Ferrara
O teatro simbolista tem, como base, a união da poesia e da música. O teatro de Maeterlinck, por exemplo, oferece dramas líricos, em que se enfatiza o isolamento, a solidão e a nostalgia. O que importa, acima de tudo, é a valorização dos símbolos. No palco, as peças não devem apresentar uma temática realista, mas seu objetivo será, através da poesia, da música e da dança, criar um clima onírico, que expresse “estados de alma.”A iluminação irá ressaltar o ambiente onírico, através dos claros e escuros, ou seja, a criação de uma atmosfera lunar. Além de libertar o espaço de suas limitações, dando-lhe mais profundidade. Daí,ocasos, crepúsculos, noites de luar… As cenas são introspectivas, voltadas para uma “visão interior”. Figurinos terão cores, baseadas nos símbolos: o azul, por exemplo, significa o infinito; o branco, a paz; o vermelho, o sangue, a guerra e assim por diante.  Enfim, esse tipo de teatro deve levar o espectador a se sentir numa atmosfera de sonho, que irá estimular a sua fantasia e ampliar as suas habilidades imaginativas.

O Simbolismo é um movimento que aprofunda e radicaliza os ideais românticos, estendendo suas raízes à Literatura, aos palcos teatrais, às artes plásticas. Ele nasceu na França, no final do século XIX, em contraposição ao Realismo e ao Naturalismo. No intenso contato com a cultura, a mentalidade, as artes e a religiosidade orientais, os artistas desta época mergulham nestes valores distintos do pensamento ocidental, mais racional, e espelham em suas criações esta outra visão de mundo.

Os simbolistas percorrem, assim, caminhos mais ousados e irracionais, recorrendo ao uso extremo dos símbolos e do misticismo, empreendendo rumo ao inconsciente uma jornada além dos limites extremos da razão, um mergulho nos recantos mais ocultos do inconsciente.

Para tanto, o simbolismo redescobre e redimensiona a subjetividade, o sentimento, a imaginação, a espiritualidade; busca desvendar o subconsciente e o inconsciente nas relações misteriosas e transcendentes do sujeito humano consigo próprio e com o mundo.

FICHA TÉCNICA
Da obra de Oscar Wilde
Dramaturgia e direção: Sergio Ferrara
Elenco:
Fransérgio Araújo – Oscar Wilde
Camila dos Anjos: Salomé
Gustavo Haddad – João Batista
Tony Lee – A Lua / Rainha Herodíade
Pablo Ginevro – Lord Alfred Douglas / Jovem sírio.
Ruben Espinoza – Mestre de Kenjutsu e Shindoryu
Cenário: Maria Bonomi
Concepção de luz: Caetano Vilela
Iluminador adjunto: Icaro Zanzini
Figurino: Kleber Montanheiro
Assistente de direção: Ana Lys
Contra regra: Emerson Nigro
Fotos: Vivian Fernandez
Assistente de produção: Luciana Affonso
Assessoria de imprensa: Douglas Picchetti e Helô Cintra (Pombo Correio)
Direção de Produção: Elder Fraga
Realização: Fraga & Ferrara Produções
Site: www.fragaeferrara.com.br

SERVIÇO
De 30 de agosto até 27 de outubro
Terças, quartas e quintas, às 20h
16 anos
50 minutos
Local: Porão do Teatro Sérgio Cardoso
50 lugares
Endereço: R. Rui Barbosa, 153 – Bela Vista, São Paulo – SP, 01326-010
R$ 50

Diálogos de Salomé com São João Batista

estreia dia 30 de agosto no Porão do Teatro Sérgio Cardoso

Texto e direção de Sérgio Ferrara

Fotos de Vivian Fernandez

 

Oscar Wilde na prisão evoca Salomé e São João Batista para falar sobre o amor e a traição. Nessa montagem, Salomé é caracterizada como um TENGU (ser fantástico das profundezas da mitologia japonesa que apavora os sonhos dos mortais). Da obra de Oscar Wilde com direção e dramaturgia de Sérgio Ferrara, a peça  resgata a poesia Simbolista de Cruz e Souza e Baudelaire e os poemas chineses da Dinastia Tang de Li Bai.

O espetáculo é concebido como uma instalação cênica no Porão do Teatro Sérgio Cardoso dando continuidade à pesquisa do diretor Sérgio Ferrara sobre a Trilogia dos Malditos com a ocupação de espaços não convencionais que começou com “Genet: O Poeta Ladrão”, de Zen Salles na sala Beta do Sesc Consolação e encerrará com Pier Paolo Pasolini.

Diálogos de Salomé com São João Batista estreia dia 30 de agosto no Porão do Teatro Sérgio Cardoso com Fransérgio Araújo, Camila dos Anjos, Gustavo Haddad, Tony Lee, Pablo Ginevro e Ruben Espinoza. Completam a ficha técnica Maria Bonomi (cenário), Caetano Vilela (iluminação) e Kleber Montanheiro (figurino).

Oscar Wilde e Salomé

“Buscamos resgatar por meio da encenação do texto Salomé do autor Oscar Wilde a estética do movimento Simbolista fazendo um paralelo com a poesia Simbolista na figura de Cruz e Souza: o Cisne negro do simbolismo brasileiro”, conta o encenador Sérgio Ferrara.

Uma das peças mais conhecidas de Oscar Wilde, Salomé foi escrita no ano de 1891, quando o escritor passou uma temporada em Paris. O tema para a peça já martelava a cabeça de Wilde desde, pelo menos, sua visita a uma exposição do pintor francês Simbolista Gustave Moreau voltado para o mesmo assunto.

Inspirada em uma história presente em passagens bíblicas e escrita originariamente em francês a peça conta, em um único ato, com os requintes típicos da elaboração estética de Wilde, a história de uma festa celebrada no palácio do tetrarca Herodes Antipas. Nesta festa, Salomé se revela apaixonada pelo profeta Iokanaan (mais conhecido como São João Batista), que estava preso no palácio por ter denunciado publicamente o casamento incestuoso entre Herodes e Herodíade, a qual fora casada com o irmão do tetrarca, bem como a corrupção reinante no governo.

A tensão da peça é grande: há sinais de que algo ruim ocorrerá, os quais se manifestam todo o tempo através de falas dos personagens principais ou mesmo os secundários, como alguns guardas. Salomé, então, pede a cabeça de Iokanaan em uma bandeja de prata. Embora Herodes tente, com as mais diversas e ricas ofertas, dissuadir sua enteada e sobrinha da solicitação feita, a promessa não pode ser quebrada e a cabeça do profeta é entregue a Salomé em uma bandeja de prata. Ela, então, pega a cabeça e beija a boca de Iokanaan, alcançando seu objetivo e atingindo um êxtase doentio. Vendo a cena, Herodes se exaspera e ordena que seus soldados acabem com a vida de Salomé porque nesse momento ele sente o prenúncio que um grande crime foi cometido contra um Deus desconhecido.

A figura de Salomé foi um dos mitos maiores na produção artística do fim do século XIX e uma fonte de inspiração constante para pintores, poetas, músicos, dramaturgos, escritores daquela época. Salomé representa a divindade mais afortunada do eterno feminino e tornou-se uma figura central do Simbolismo/Decadentismo francês e para ela, convergiram os sonhos e os fantasmas dos contemporâneos.

Em Diálogos de Salomé com São João Batista, “a encenação irá se voltar para o interior das personagens, buscando, através de uma linguagem de signos, colorida e vibrante do texto simbolista, sugerir as angústias do homem. Pelo seu aspecto enigmático, místico (até religioso) não estará preocupada com a descrição do mundo e sim com a sugestão de realidades (materiais ou abstratas) que compõem esse mundo”, conta o diretor.

“Oscar Wilde é a simples supremacia do cotidiano sobre os dogmas cristãos. Contra a fé e a crença em um mundo espiritual de ideias eternas e etéreas, Wilde rompeu com o modo platônico de pensar que vem se perpetuando através da cristandade por séculos. Ao contrário do que a sociedade da época estabelecia, tinha a crença de que a estética aflorava internamente no homem, onde o bom, o belo e o agradável são determinados pelo indivíduo e não em interesses diversos baseados na economia e religião. Preocupado com a possibilidade do ser humano tornar-se prisioneiro do mundo objetivo, encontra na imaginação a utilidade e beleza da mentira sem confundi-la com aquilo que é real”, completa.

O Teatro Simbolista, por Sérgio Ferrara

 

O teatro simbolista tem, como base, a união da poesia e da música. O teatro de Maeterlinck, por exemplo, oferece dramas líricos, em que se enfatiza o isolamento, a solidão e a nostalgia. O que importa, acima de tudo, é a valorização dos símbolos. No palco, as peças não devem apresentar uma temática realista, mas seu objetivo será, através da poesia, da música e da dança, criar um clima onírico, que expresse “estados de alma.”A iluminação irá ressaltar o ambiente onírico, através dos claros e escuros, ou seja, a criação de uma atmosfera lunar. Além de libertar o espaço de suas limitações, dando-lhe mais profundidade. Daí,ocasos, crepúsculos, noites de luar… As cenas são introspectivas, voltadas para uma “visão interior”. Figurinos terão cores, baseadas nos símbolos: o azul, por exemplo, significa o infinito; o branco, a paz; o vermelho, o sangue, a guerra e assim por diante.  Enfim, esse tipo de teatro deve levar o espectador a se sentir numa atmosfera de sonho, que irá estimular a sua fantasia e ampliar as suas habilidades imaginativas.

 

O Simbolismo é um movimento que aprofunda e radicaliza os ideais românticos, estendendo suas raízes à Literatura, aos palcos teatrais, às artes plásticas. Ele nasceu na França, no final do século XIX, em contraposição ao Realismo e ao Naturalismo. No intenso contato com a cultura, a mentalidade, as artes e a religiosidade orientais, os artistas desta época mergulham nestes valores distintos do pensamento ocidental, mais racional, e espelham em suas criações esta outra visão de mundo.

 

Os simbolistas percorrem, assim, caminhos mais ousados e irracionais, recorrendo ao uso extremo dos símbolos e do misticismo, empreendendo rumo ao inconsciente uma jornada além dos limites extremos da razão, um mergulho nos recantos mais ocultos do inconsciente.

 

Para tanto, o simbolismo redescobre e redimensiona a subjetividade, o sentimento, a imaginação, a espiritualidade; busca desvendar o subconsciente e o inconsciente nas relações misteriosas e transcendentes do sujeito humano consigo próprio e com o mundo.

 

FICHA TÉCNICA

Da obra de Oscar Wilde

Dramaturgia e direção: Sergio Ferrara

Elenco:

Fransérgio Araújo – Oscar Wilde

Camila dos Anjos: Salomé

Gustavo Haddad – João Batista

Tony Lee – A Lua / Rainha Herodíade

Pablo Ginevro – Lord Alfred Douglas / Jovem sírio.

Ruben Espinoza – Mestre de Kenjutsu e Shindoryu

Cenário: Maria Bonomi

Concepção de luz: Caetano Vilela

Iluminador adjunto: Icaro Zanzini

Figurino: Kleber Montanheiro

Assistente de direção: Ana Lys

Contra regra: Emerson Nigro

Fotos: Vivian Fernandez

Assistente de produção: Luciana Affonso

Assessoria de imprensa: Douglas Picchetti e Helô Cintra (Pombo Correio)

Direção de Produção: Elder Fraga

Realização: Fraga & Ferrara Produções

Site: www.fragaeferrara.com.br

SERVIÇO

De 30 de agosto até 27 de outubro

Terças, quartas e quintas, às 20h

16 anos

50 minutos

Local: Porão do Teatro Sérgio Cardoso

50 lugares

Endereço: R. Rui Barbosa, 153 – Bela Vista, São Paulo – SP, 01326-010

R$ 50

Berenices, novo espetáculo do Grupo Morpheus Teatro, estreia dia 20 de agosto e fica em cartaz simultaneamente no Sesc Consolação e Sesc Ipiranga

Sesc Consolação – 20 de agosto a 24 de setembro, sábados às 11h
Sesc Ipiranga – 21 de agosto a 02 de outubro, domingos às 11h

Fotos de Karim da Hora e Livia Gonzaga Bertuzzi

Pessoas sentem e pensam muitas coisas, às vezes tudo ao mesmo tempo. Imagine conseguir ver seus sentimentos, pensamentos e sensações tomarem forma? Berenices, novo espetáculo do Grupo Morpheus Teatro, escrito e dirigido por Verônica Gerchman estreia dia 20 de agosto no Sesc Consolação (Teatro Anchieta) para temporada aos sábados e dia 21 de agosto, no Sesc Ipiranga (Teatro) para temporada aos domingos.

O espetáculo utiliza as linguagens do teatro de animação e das máscaras para narrar a saga da pequena Berenice e seu encontro consigo mesma e com o mundo.

Diante da chegada de um irmão, a personagem inicia o aprendizado de perceber e lidar com seus pensamentos, sentimentos, medos, dificuldades e expectativa sobre os outros.

Berenice é uma menina curiosa, que se encanta com o mundo. Aprender e descobrir são coisas preciosas para ela. Mas quando começa a crescer e a entender as coisas, o que as pessoas falam e como o mundo conversa, ela percebe algo estranho. E essa estranheza começa aos pouquinhos…

O mundo é um lugar cheio de pessoas e cada pessoa é um mundo
Essa foi a ideia central que aqueceu o coração dos artistas envolvidos na criação do espetáculo. “Todos os criadores nos identificamos com esta menina, que ao crescer, começa a se deparar com um universo interno cheio de pulsões e um universo externo que reage e espera por determinadas atitudes e comportamentos. A pequena Berenice está na idade em que começa a perceber que o mundo não gira em torno dela e passa a perceber os outros. É nesse momento que ela começa a conhecer várias Berenices: a que tem raiva, a que tem medo, a destemida, a que cuida, a que quer ser cuidada, a egoísta, a generosa”, explica a diretora e dramaturga Verônica Gerchman.

Berenices fala de forma poética e lúdica sobre essa dinâmica rica que é a aventura interminável de descobrir quem somos e a nossa percepção sobre os outros. Para dar forma a esse espetáculo, a companhia escolheu o teatro de animação, mais conhecido como teatro de bonecos e a linguagem das máscaras.  

“Faz parte dessas linguagens a possibilidade do duplo. Dessa forma, podemos concretizar as várias Berenices, que a pequena menina encontrará em sua saga de crescimento. Ainda se valendo da potência expressiva dessas linguagens teatrais que podem personificar através das esculturas criadas para cada uma das pulsões da menina. Podemos literalmente construir e corporificar esses sentimentos que assolam a personagem na confecção dos vários eus da Berenice”, diz Verônica.

A dramaturgia do teatro de bonecos e das máscaras enriquece o texto original com possibilidades imagéticas e oníricas, criando um universo mágico, que pode romper com as leis da física, como a gravidade, ou tamanhos e proporções. “Podemos agigantar uma emoção incontrolável expandindo um corpo que pode ficar até do tamanho do palco se assim for o desejo e a necessidade cênica.Para nós, criadores,essa potência expressiva é o que desejamos alcançar. Poder traduzir em uma imagem toda a força de um sentimento, uma sensação”, completa a diretora e dramaturga.

Apesar de o texto original possuir muitos diálogos, no espetáculo não há a utilização da palavra falada, sendo de suma importância as imagens e sensações criadas no palco através da gestualidade dos personagens, da música originalmente composta e da iluminação.

A peça aborda temas universais e atemporais.“Seus espectadores, tanto os adultos como as crianças se identificam com a nossa pequena e curiosa menina, em sua odisseia de ir ao encontro consigo própria e com o mundo ao seu redor. A arte tem a capacidade de sensibilizar o ser humano. Em tempos difíceis como esses em que vivemos, onde a forma é enaltecida e a essência esquecida, é sempre um ato de resistência se aventurar no sensível”, finaliza Verônica.

GRUPO MORPHEUS TEATRO
O grupo Morpheus Teatro foi criado em 2002. Desde então desenvolve sua pesquisa com as linguagens do teatro de animação, das máscaras e do teatro físico.  Apresenta seu repertório de espetáculos para adultos e para toda a família em teatros, instituições, espaços alternativos e escolas por todo o Brasil, além de participar de mostras e festivais de teatro nacionais e internacionais. Teve a honra de apresentar-se em países como Vietnam, Irlanda, Itália, Argentina, Chile e Colômbia. O grupo foi laureado com prêmios Nacionais e Internacionais, e contemplado com editais de montagem e circulação de espetáculos das secretarias de cultura municipal e estadual de São Paulo e do governo do Brasil. Ministra a oficina “A presença do ator no teatro de animação” ondeintroduz para atores jovens e adultos, profissionais ou amadores, inte­ressados em artes cênicas, aos princípios da manipulação direta (técnica do teatro de animação onde os bonecos são conduzidos diretamente sem o uso de fios ou varas).

Ficha técnica
Autoria/Direção geral: VERÔNICA GERCHMAN
Direção dos bonecos e máscaras: JOÃO ARAUJO
Elenco: VERÔNICA GERCHMAN, JOÃO ARAUJO, CASSIA DOMINGUES, DANIELA BONI e ZÉANTONIO DO CARMMO
Voz da Berenice: LORINI DOMINGUES
Operação de luz e som: Todo o grupo
Cenário, adereços e criação de bonecos: JOÃO ARAUJO, VERÔNICA GERCHMAN, CASSIA DOMINGUES, DANIELA BONI e ZÉANTONIO DO CARMMO
Pintura dos bonecos e máscaras: MAVUTSINIM, SERGIO CANDIDO e JOÃO ARAUJO
Trilha sonora original: JOÃO ARAUJO, DANIELA BONI e MAVUTSINIM.
Figurinos: DALMIR ROGÉRIO
Confecção dos figurinos: SANDRA PESTANA e NOEME COSTA
Painel final: LORINI, GEOVANNA, MATHEUS, ORIM, RUMI e SAMUEL
Produção executiva: DEBORAH CORRÊA
Fotos: LÍVIA GONZAGA BERTUZZI, KARIM DA HORA, ANNA MARIA MAIOLINO e MORPHEUS TEATRO

Serviço
De 20 de agosto a 2 de outubro
Livre
Teatro de bonecos e máscaras
60 minutos

SESC CONSOLAÇÃO
Rua Doutor Vila Nova, 245 – Vila Buarque
Teatro Anchieta
280 lugares
20 de agosto a 24 de setembro – sábados e feriado de 7 de setembro, às 11h
Grátis para crianças de até 12 anos
Ingressos R$ 17,00, R$ 8,50 (meia-entrada) e R$ 5,00 (credencial plena)
Informações: (11)3234-3000
www.sescsp.org.br/consolacao
Não possui estacionamento
Acesso para deficientes físicos
Bilheteria – segunda a sexta, das 12h às 22h; sábados e feriados, das 10h às 21h; domingos, das 16h30 às 18h. Ingressos disponíveis em todas as unidades do Sesc, a partir de 10/8, às 17h30.

SESC IPIRANGA
Rua Bom Pastor, 822 – Ipiranga – São Paulo – SP
Teatro
200 lugares
21 de agosto a 2 de outubro – domingos, às 11h
Grátis para crianças de até 12 anos
Ingressos R$ 17,00, R$ 8,50 (meia-entrada) e R$ 5,00 (credencial plena)
Informações: (11) 3340-2000
www.sescsp.org.br/ipiranga
Não possui estacionamento
Acesso para deficientes físicos
Bilheteria – Terça a sexta, das 12h às 21h; sábados, das 10h às 21h30; domingos e feriados, das 10h às 18h. Ingressos disponíveis em todas as unidades do Sesc, a partir de 10/8, às 17h30.

É Melhor Ser Alegre Que Ser Triste se apresenta no Teatro J. Safra dias 19, 20 e 21 de agosto

 Show é um tributo a Vinícius de Moraes com as cantoras Célia, Jane Duboc e o ator e cantor Juan Alba dirigidos por Fernando Cardoso

Fotos de João Caldas

Com direção musical de Ogair Júnior, o show traz canções interpretadas por Célia, Jane Duboc e Juan Alba como “Eu sei que vou te amar”, “Bom dia tristeza”, “Chega de Saudade”, “Pra Que Chorar” e poemas interpretados por Juan Alba como “Soneto da Separação”.  As composições e os poemas são acompanhados de fragmentos de histórias das quatro décadas de Vinícius e seus parceiros como Tom Jobim, Baden Powell, Adoniran Barbosa, Carlos Lyra e Toquinho contadas por Juan Alba. O roteiro é assinado por Fernando Cardoso e pela jornalista Ciça Corrêa.

Dos mesmos diretores e produtores de Palavra de Mulher, musical em homenagem aos 70 anos de Chico Buarque, É melhor ser alegre que ser triste continua a pesquisa dos criadores Fernando Cardoso e Roberto Monteiro sobre grandes nomes da MPB. “A espinha dorsal dos dois espetáculos segue a mesma lógica baseada nas composições musicais de grandes poetas brasileiros”, afirma Fernando Cardoso.

“É melhor ser alegre que ser triste… Mas sem um bocado de tristeza não se faz uma obra tão espetacular como a que nos deixou Vinicius de Moraes, o Poetinha. Poetinha, não! Um baita poeta, dono de vários dos mais belos versos da língua portuguesa. E é para homenageá-lo que concebemos este espetáculo. As semanas de mergulho na obra e na vida de Vinicius de Moraes me revelaram um homem fascinante. Uma figura humana que foi ainda maior que sua obra. Um homem que viveu como quis e sorveu a vida até a última gota. Apaixonado pelas mulheres e pelos amigos.” Comenta o diretor.

“É bom saber que a gente não foi esquecido, que o povo continua cantando as nossas coisas, pois no fundo é pra ele que a gente compõe.

(trecho de carta escrita por Vinicius de Moraes para Tom Jobim)

FICHA TÉCNICA
Idealização: Fernando Cardoso. Roteiro: Ciça Correa e Fernando Cardoso. Elenco: Célia, Jane Duboc e Juan Alba. Direção musical e arranjos: Ogair Jr. Direção Geral: Fernando Cardoso. Piano/Acordeon: Ogair Junior. Violão e Guitarra: Jorge ErvoliniContrabaixo: Robertinho Carvalho. Bateria: GilbaFavery. Iluminação: Bruno Cerezoli. Cenografia: Fernando Cardoso. Figurino: Robson Faustini. Fotos: João Caldas. Programação visual: Jessica Takahashi. Operador de luz: Jefferson Bessa. Operador de som: Kiko Carbone. Assistente administrativa: Vânia Guimarães. Direção de Produção: Roberto Monteiro. Realização: Mesa 2 Produções e Governo do Estado de SP

SERVIÇO
Dias 19, 20 e 21 de agosto – sexta-feira às 21h30, sábado às 21h, domingo às 20h
Onde:Teatro J. Safra – Rua Josef Kryss, 318. Barra Funda.
Ingressos:Plateia Premium – R$ 80,00 (inteira). Plateia VIP – R$ 60,00 (inteira). Mezanino – R$ 40,00 (inteira). Mezanino (vista parcial) – R$ 20,00 (inteira).
Capacidade: 633 lugares
Duração: 85 minutos

Ministério da Cultura e Petrobras apresentam

Direção: Marcio Abreu

TEMPORADA DE ESTREIA – SÃO PAULO
18 de agosto a 11 de setembro de 2016
Quarta a sábado – 21h
Domingo e feriados – 18h

TEATRO ANCHIETA – SESC CONSOLAÇÃO
Rua Dr. Vila Nova, 245, Vila Buarque
Ingressos: R$ 40 (inteira), R$ 20 (meia) e R$ 12 (credencial plena)
Ingressos à venda pelo Portal sescsp.org.br a partir de 9/8, às 18h, e nas bilheterias do Sesc São Paulo a partir de 10/8, às 17h30.

Sinopse: Enquanto preparam a última sopa, sete pessoas partilham angústias, algumas esperanças e muitos nós. Gerada de um mergulho radical na experiência de mais de 30 anos do Galpão, a 23ª montagem da companhia debate questões atuais, como a violência, a intolerância, a convivência com a diferença, a partir de uma dimensão política.

Classificação indicativa: 16 anos | Duração: 90 minutos |Gênero: teatro contemporâneo

FOTOS DE DIVULGAÇÃO
Crédito: Guto Muniz
http://bit.ly/1PQMQvr

VÍDEO DE DIVULGAÇÃO
Crédito: Alicate Conteúdo Audiovisual
https://vimeo.com/161250657
Senha: nos01042016

 GRUPO GALPÃO ESTREIA “NÓS”, EM SÃO PAULO, COM DIREÇÃO DE MARCIO ABREU

Gerada de um mergulho radical na experiência de mais de 30 anos do Galpão, a 23ª montagem da companhia, com patrocínio da Petrobras, debate questões atuais, como a violência e a intolerância, a partir de uma dimensão política. Neste trabalho, a plateia é convidada a presenciar situações de opressão e de convívio com a diferença, provocadas pelas relações de proximidade entre artista e espectador, ator e personagem, cena e plateia, público e privado, realidade e ficção.

De 18 de agosto a 11 de setembro, o Grupo Galpão faz temporada de estreia de seu novo trabalho, com direção de Marcio Abreu, em São Paulo. A estreia será na quinta-feira, dia 18/08, às 21h. As sessões acontecem de quarta a sábado, às 21h, e domingo e feriados, às 18h, no Teatro Anchieta, no Sesc Consolação (Rua Dr. Vila Nova, 245, Vila Buarque). Ingressos a R$ 40 (inteira), R$ 20 (meia) e R$ 12 (credencial plena). Classificação indicativa: 16 anos. Duração: 90 minutos. Gênero: teatro contemporâneo.

“NÓS somos nós, esse coletivo que caminha para seus 34 anos de existência e nós, seres humanos e artistas de teatro para lá dos cinquenta, com suas perplexidades, questões, angústias, algumas esperanças e muitos nós”, explica o ator Eduardo Moreira, sobre o que o público pode esperar do novo trabalho do Galpão. Em cena, Antonio Edson, Chico Pelúcio, Eduardo Moreira, Júlio Maciel, Lydia Del Picchia, Paulo André e Teuda Bara celebram a vida enquanto preparam a última sopa e debatem, sob um prisma político, questões do mundo contemporâneo – a intolerância, a violência, a diversidade, a convivência com a diferença.

Em cena, noções de proximidade e convivência. Proximidade entre ator e espectador, cena e plateia, ator e personagem, ser-social e ser-poético, realidade e ficção. Convivência entre diferenças, onde o outro dá a dimensão da nossa existência. Pontes entre teatro, performance, música e literatura. E, ainda, entre as dimensões do que é privado e o que é público, do que está dentro e do se apresenta fora. “Nós” propõe uma encenação que afirma a convivência com o público, no momento da apresentação, como elemento dramatúrgico, e ao mesmo tempo, sua presença, como ato criativo.

Para chegar nesse resultado, tudo começou em 2014, quando Marcio Abreu foi convidado para a direção de “NÓS”. Na época os atores se entregavam a exercícios solo, com o objetivo de contemplar desejos individuais e criar alternativas para um projeto coletivo. O diálogo e o confronto entre o coletivo e os anseios de cada artista se manifestavam de maneira urgente, num grupo de atores com mais de três décadas de convivência artística diária.

Assim que começaram os ensaios em agosto de 2015, o diretor foi indagado sobre que tipo de espetáculo vislumbrava construir em parceria com o Galpão. A resposta foi direta e precisa: “um trabalho político”. Segundo o artista carioca, responsável pela direção de produções recentes como “Krum” e “projeto brasil”, ambos realizados em 2015 com a companhia brasileira de teatro, “o Galpão é um dos primeiros grupos de trabalho continuado, com patrocínio em longo prazo, planejamento, turnês internacionais e circulação por todo país”, e acrescenta: “em tanto tempo de estrada, o Grupo criou um centro cultural, o Galpão Cine Horto, onde muita gente se forma e se recicla, onde festivais acontecem, espetáculos de toda parte se apresentam, artistas se encontram, ideias são fomentadas e reverberam na cidade de Belo Horizonte e pelo Brasil afora. Por tudo isso, assumiu uma dimensão política e hoje  pertence ao imaginário teatral brasileiro como uma referência”.

Esse desejo essencial norteou a elaboração de uma dramaturgia própria, criada a partir de improvisos, tomando como tema a reação do coletivo de atores diante das pressões exercidas pelo mundo sobre cada um deles. Durante o processo, foi experimentado o significado de estar dentro e ser colocado para fora e vice-versa. Situações intimamente conectadas à utopia de se conviver com as diferenças, sem que fossem emitidos juízos de valor.

Os atores mergulharam ainda em diversas leituras de textos contemporâneos, como “Programa de Televisão” de Michel Vinaver e “Ódio à Democracia” de Jacques Rancière, entre outros. Marcio provocou questões que foram fundamentais para definir qual caminho seguir na estruturação do texto e da encenação: “o que podemos fazer juntos?” e “de que maneira respondemos ou reagimos ao mundo como ele nos chega hoje?”, perguntas às quais sempre recorria no decorrer dos ensaios.  Para o diretor, “buscar uma abordagem política num trabalho de criação é pensar não só no que dizer, mas como dizer, e nesse sentido, a forma dos textos é tão fundamental quanto o conteúdo. Assim podemos encontrar uma zona de diálogo mais intenso entre nós e entre nós e o mundo lá fora”.

Nesse contexto, a criação teatral seria um ato de pura incompletude, em que se faz necessário recomeçar sempre, mesmo que não se saiba nem como, nem por quê. “Obstinado como o próprio “fazer teatral”, ofício de que não desistimos nunca e continuamos em frente, mesmo que os tempos pareçam demasiado sombrios. Ato pelo qual esperamos sempre reafirmar que seguimos vivos, ato de reinvenção”, completa, Eduardo Moreira.

MARCIO ABREU
Dramaturgo, diretor e ator. Fundador e integrante da companhia brasileira de teatro, sediada em Curitiba. Desenvolve projetos de pesquisa e criação de dramaturgia própria, releitura de clássicos e encenação de autores contemporâneos inéditos no país. Realiza ações de intercâmbio com artistas do Brasil e da França. Entre seus trabalhos recentes estão Vida (2010), texto e direção, baseado em Paulo Leminski; Oxigênio (2010), do russo Ivan Viripaev, adaptação e direção; Isso te interessa? (2011), da francesa Noëlle Renaude, tradução, adaptação e direção; Enquanto estamos aqui (2012), dramaturgia e direção, solo de dança e teatro com a coreógrafa Marcia Rubin; Esta Criança (2012), do francês Joël Pommerat, direção, pareceria entre a companhia brasileira e Renata Sorrah. Krum (2015) também veio como fruto deste encontro com a atriz. Escreveu uma versão de Os três porquinhos para a Commedie Française, dirigida por Thomas Quillardet, com temporada de estreia em 2012, em Paris. Autor de A história do rock por Raphaelle Bouchard, que estreou em Limoges, na França, também em 2012, com a Compagnie Jakart Mugiscué. Recebeu inúmeros prêmios e indicações. Entre eles o prêmio Bravo!, o prêmio Shell, o APCA, o prêmio Governador do Estado, no Paraná, o APTR e o Questão de Crítica. Foi escolhido pelo jornal Folha de São Paulo como personalidade teatral do ano, em 2012.

FICHA TÉCNICA “NÓS”
ELENCO
Antonio Edson
Chico Pelúcio
Eduardo Moreira
Júlio Maciel
Lydia Del Picchia
Paulo André
Teuda Bara

EQUIPE
Direção: Marcio Abreu
Dramaturgia: Marcio Abreu e Eduardo Moreira
Cenografia: Play Arquitetura – Marcelo Alvarenga
Figurino: Paulo André
Iluminação: Nadja Naira
Trilha e Efeitos Sonoros: Felipe Storino
Assistência de Direção: Martim Dinis e Simone Ordones
Preparação musical e arranjos vocais/instrumentais: Ernani Maletta
Preparação vocal e direção de texto: Babaya
Colaboração artística: Nadja Naira e João Santos
Assistência de Figurino: Gilma Oliveira
Assistência de Cenografia: Thays Canuto
Fotos: Guto Muniz
Imagens escaneadas: Tibério França e Lápis Raro
Registro e cobertura audiovisual: Alicate Conteúdo áudio visual
Projeto gráfico: Lápis Raro
Design web: Laranjo Design – Igor Laranjo
Produção executiva: Beatriz Radicchi
Direção de produção: Gilma Oliveira
Produção: Grupo Galpão

GRUPO GALPÃO
1982 – “E A NOIVA NÃO QUER CASAR…” – Direção: Fernando Linares
1983 – “DE OLHOS FECHADOS” – Direção: Fernando Linares
1984 – “Ó PRÔ CÊ VÊ NA PONTA DO PÉ” –  Direção: Fernando Linares
1985 – “ARLEQUIM, SERVIDOR DE TANTOS AMORES” – Direção: Fernando Linares
1986 – “A COMÉDIA DA ESPOSA MUDA” – Direção: Paulinho Polika
“TRIUNFO – UM DELÍRIO BARROCO” – Direção: Carmen Paternostro
1987 – “FOI POR AMOR…” – Direção: Antonio Edson
1988 – “CORRA ENQUANTO É TEMPO”- Direção: Eid Ribeiro
1990 – “ÁLBUM DE FAMÍLIA” – Direção: Eid Ribeiro
1992 – “ROMEU & JULIETA” – Concepção e Direção: Gabriel Villela
1994 – “A RUA DA AMARGURA” – Concepção e Direção: Gabriel Villela
1997 – “UM MOLIÈRE IMAGINÁRIO” – Direção: Eduardo Moreira
1999 – “PARTIDO” – Direção: Cacá Carvalho
2000 – “UM TREM CHAMADO DESEJO” – Direção: Chico Pelúcio
2003 – “O INSPETOR GERAL” – Direção: Paulo José
2005 – “UM HOMEM É UM HOMEM” – Direção: Paulo José
2007 – “PEQUENOS MILAGRES” – Direção: Paulo de Moraes
2009 – “TILL, A SAGA DE UM HERÓI TORTO” – Direção: Júlio Maciel
2011 – “TIO VÂNIA (aos que vierem depois de nós)” – Direção: Yara de Novaes
2011 – “ECLIPSE” – Direção: Jurij Alchitz
2013 – “OS GIGANTES DA MONTANHA” – Direção: Gabriel Villela
2014 – “DE TEMPOS SOMOS – UM SARAU DO GRUPO GALPÃO” – Direção: Lydia Del Picchia e Simone Ordones
(Em 2008 – “MOSCOU” – Documentário dirigido por Eduardo Coutinho)

GALPÃO E PETROBRAS
Há 15 anos, o Grupo Galpão conta com o patrocínio da Petrobras. Foram muitos espetáculos montados, temporadas nacionais, turnês por todas as regiões do Brasil e presença em festivais proporcionados por essa parceria. Em 2016, a Petrobras continua apostando no compromisso do Galpão: reinventar a vida através da arte, possibilitando ao maior número de pessoas a vivência do teatro como alegria e transformação.

FICHA TÉCNICA GRUPO GALPÃO
ATORES
Antonio Edson
Arildo de Barros
Beto Franco
Chico Pelúcio
Eduardo Moreira
Fernanda Vianna
Inês Peixoto
Júlio Maciel
Lydia Del Picchia
Paulo André
Simone Ordones
Teuda Bara

CONSELHO EXECUTIVO
Beto Franco, Eduardo Moreira, Fernando Lara e Gilma Oliveira

EQUIPE
Gerência executiva – Fernando Lara
Coordenação de produção – Gilma Oliveira
Coordenação de planejamento – Aline Pereira
Coordenação de comunicação – Beatriz França
Coordenação administrativa – Wanilda D´Artagnan
Coordenação técnica e iluminação – Rodrigo Marçal
Produção executiva – Beatriz Radicchi
Cenotécnico – Helvécio Izabel
Sonorização – Fábio Santos
Analista de comunicação – Ana Carolina Diniz
Assistente de planejamento – Soraya Monteiro
Assistente financeiro – Cláudio Augusto
Assistente administrativa – Andréia Oliveira
Auxiliar técnico – William Teles
Auxiliar administrativo – Jonathas Santos
Recepção – Cídia Santos
Serviços gerais – Sandra Bacelar
Gestão financeira de projetos – Artmanagers
Assessoria jurídica – Drummond & Neumayr Advocacia
Assessoria contábil – Maurício Silva

A Petrobras é patrocinadora do Grupo Galpão

Texto de Mário Viana ganha nova montagem no Teatro Augusta

 Vestir o Pai estreia dia 13 de agosto com Cláudia Alencar, Adriano Toloza e Flavia Couto. Direção de André Di Paulo e Tiago Pessoa

Foto de Thaís Boneville

De Mário Viana, a comédia de humor ácido Vestir o Pai ganha nova montagem a partir de 13 de agosto no Teatro Augusta. Com direção de André Di Paulo e Tiago Pessoa, espetáculo traz no elenco os atores Cláudia Alencar, Adriano Toloza e Flávia Couto no elenco.

Enquanto o pai agoniza no quarto ao lado, Alzira (Cláudia Alencar) e seus filhos discutem a roupa que o homem usará no caixão. Júnior (Adriano Toloza) e Regina (Flávia Couto), o casal de filhos, tentam convencer a mãe a já pensar na venda do imóvel e divisão do dinheiro entre eles. Mas, entre uma peça de roupa e outra, segredos de família vêm à tona. “Relações familiares são fundamentais para a dramaturgia. Seja comédia, drama, humor negro, etc. No caso de Alzira, Regina e Júnior, o que me interessava era mostrar que o discurso do amor fraterno muitas vezes esconde sentimentos bem menos agradáveis”. Conta o dramaturgo Mário Viana.

A ideia do texto surgiu enquanto Mário estava em um velório do pai de uma amiga. Durante a cerimônia a viúva começou a falar das amantes do morto, que nenhuma delas ajudou a cuidar do homem quando precisou, Mário voltou pra casa com a peça na cabeça, conforme escrevia o texto, lembrava da mãe da amiga.

Essa é a terceira montagem de “Vestir o Pai” no Brasil, sua estreia foi em 2003, dirigida pelo Paulo Autran, com Karin Rodrigues, Otavio Martins, Leona Cavalli e Bárbara Paz no elenco. Por volta de 2009, a atriz Angela Barros dirigiu outra montagem. A peça também teve uma versão no Uruguai e participou de um festival de leituras dramáticas em Roma e Florença. “A cada vez, fico muito contente em ver que o texto funciona com qualquer público e em qualquer língua. As piadas atingem o alvo e o público se identifica com aqueles personagens, por mais extravangantes que eles pareçam”, comemora o autor.

A atriz Cláudia Alencar foi protagonista em espetáculos de alguns dos mais importantes e premiados autores e diretores do país, entre eles, Antunes Filho, Bibi Ferreira, Domingos de Oliveira, Miguel Falabela, Amir Addad, Leilah Assumpção, Antonio Abujamra, Wolf Maia, Walter Avancini, Fauzi Arap e José Possi. Cláudia já atuou em 33 peças de teatro, 32 novelas e mini-séries, trabalhou 16 anos na Rede Globo e seis anos na Rede Record. Em 2013 recebeu o prêmio no Festival Nacional de Petrópolis de melhor atriz pelo filme “Requiem para Laura Martim”, de Paulo Duarte e Luiz Rangel. Em 2014 foi indicada como Melhor Atriz Protagonista em “Réquiem para Laura Martim”, pela Academia Brasileira De Cinema.

Ficha técnica
Texto: Mário Viana. Direção: André Di Paulo e Tiago Pessoa. Elenco: Cláudia Alencar, Adriano Toloza e Flávia Couto. Cenário: Claudecir Tardivo. Figurino: Wesley Madson. Iluminação: Bob Lima. Fotos: Thaís Boneville. Designer: Durval Sproesser. Diretora de Produção: Luciana Garcia. Produção Executiva: Isabel Pessoa. Produção Operacional: Paulo Tardivo. Produtores Associados: Pessoa Produções e Harsea Teatro. Realização: Augusta Produções

Serviço
Estreia dia 13 de agosto
Duração:70 minutos
Classificação: 12 anos
Onde: Teatro Augusta – Sala Paulo Goulart – Rua Augusta, 943
Capacidade: 304 lugares
Telefone: (11) 3151-4141
Temporada: Sextas e sábados às 21h30, domingos às 19h
Ingressos: R$ 60
Até dia 25 de setembro

 

Monólogo com Nicole Cordery, Alice, Retrato de Mulher que Cozinha ao Fundo faz temporada gratuita na Oficina Cultural Oswald de Andrade
12 de janeiro a 28 de fevereiro

Fotos de João Caldas Fº

O monólogo “Alice, retrato de mulher que cozinha ao fundo” põe em cena a companheira de Gertrude Stein, Alice B. Toklas. Autora de um famoso livro de receitas, Alice foi também personagem de uma Autobiografia escrita por outra pessoa: Gertrude Stein. Os múltiplos fragmentos que compõem a vida dessa mulher singular são vividos em presente contínuo pela atriz Nicole Cordery.

Com direção de Malú Bazán, o solo fala sobre a figura de Alice B. Toklas. Com uma dramaturgia fragmentada e dissonante, tal qual a literatura de Gertrude Stein, a peça lança um olhar em perspectiva para a relação entre as duas mulheres na Paris dos anos 20.

A dramaturgia de Alice, retrato de mulher que cozinha ao fundo assinada por Marina Corazza partiu de duas importantes referências: The Alice B. Toklas Cookbook, escrito por Alice e A autobiografia de Alice B. Toklas, escrita por Gertrude Stein.

No primeiro, Alice, companheira de Gertrude Stein, já doente, descreve as receitas servidas em um dos endereços mais badalados da Paris dos anos 20 onde viveu com Stein, o 27 Rue de Fleurus. Em meio às receitas, de forma absolutamente prosaica e autêntica, Alice revela fatos e anedotas de sua vida ao lado de Stein e sobre a efervescência cultural da qual faziam parte.

Já o segundo, se tornou o livro mais conhecido de Gertrude no qual escreve a “autobiografia” de sua companheira. Ao assumir a voz de Alice, Gertrude conquista a popularidade literária que tanto almejava de forma a ampliar o alcance de suas pesquisas literárias na direção de uma estética cubista na literatura. Mas e a própria Alice: quem era? O que vivia? O que dizia e como dizia?

Depois da morte de sua companheira, Alice viveu ainda mais 20 anos nos quais se ocupou em preservar e divulgar a obra de Stein.

A peça discute as fronteiras entre realidade e ficção, entre as histórias e suas dissonantes interpretações. Nela, Alice passeia por diferentes tempos e espaços, numa espécie de mosaico. Escolher a personagem real, ao mesmo tempo fictícia, de Alice B. Toklas potencializa múltiplas miradas sobre a relação de amor entre essas duas mulheres e sobre como influenciaram e foram influenciadas pela efervescente Paris dos anos 20 e 30.

Desde o início do trabalho, criar um jogo de espelhos, que embaralha a noção do eu e do outro, que confunde as fronteiras entre a ficção e o real foi um dos objetivos do projeto. A perseguição foi por uma dramaturgia que ousasse friccionar as pesquisas estéticas de Stein, as memórias de Alice, e também a posição de quem olha com certo distanciamento histórico, se reconhecendo e se estranhando com essas duas mulheres.

Para compor esse caleidoscópio Nicole Cordery, Malú Bazán e Marina Corazza contaram com o grande apoio do dramaturgo, professor e pesquisador americano Leon Katz. Em 1952, Katz foi premiado com uma bolsa da Fundação Ford que lhe possibilitou passar um ano com Alice, entrevistando-a a partir de anotações nunca publicadas de Stein que na eminência da II Guerra foram enviadas às pressas para a Yale Library nos Estados Unidos. “Estimulado com o fato de procurarmos por materiais sobre Alice Toklas, Katz nos enviou não só seu relato sobre o ano que passou como Alice, como uma primeira versão de seu monólogo “Nurturing Alice”, nos autorizando a fazer uso desses materiais para a composição da peça”, conta a atriz Nicole Cordery.

Além das obras já citadas e do material cedido por Leon Katz, foram consultados também trechos dos livros: Paris, França, Lifting Belly, Q.E.D., Melanctha, Ada, entre outras obras de Gertrude Stein, e Staying on Alone (lettresof Alice B. Toklas) e What is Remembered, ambos de Alice B. Toklas.

Assim, a dramaturgia de Alice, retrato de mulher que cozinha ao fundo é composta pelo choque desses inúmeros materiais que se tencionam, ora simétrica, ora assimetricamente e criam novas materialidades que se revelam a partir de seus interstícios.

Um pouco sobre a época
Paris, 1907. Gertrude Stein cuidava da impressão de Três Vidas, do qual fez uma edição particular, e estava mergulhada em The Making of Americans, seu livro de mil páginas. Picasso tinha acabado o retrato dela de que ninguém gostava, a não ser o retratista e a retratada, e começara um estranho quadro complicado de três mulheres.

É nesse período conhecido como “idade heroica” do cubismo que a casa da escritora norte-americana, 27 Rue de Fleurus, florescia como endereço de encontro e de debate entre pintores, escritores e críticos. A cada sábado, ela os recebia com a mesa posta em uma época em que a comida era escassa. Bastava ao recém-chegado responder uma espécie de pergunta ritual: “quem te enviou”? para ter acesso à casa, suas conversas e as longas tardes que se desenrolavam no ateliê anexo.

Gertrude Stein era a figura de visibilidade do casal:  sua casa era uma exposição constante dos pintores nos quais apostava. Sua literatura trazia padrões estéticos completamente novos e, ainda hoje, provocadores.

Enquanto isso, Alice Toklas era uma anfitriã impecável. Além de amante e companheira, era a grande cozinheira da casa, primeira leitora, secretária atenta, revisora, editora, crítica e organizadora geral da obra de Stein.

Nas paredes, quadros de Gauguin, Braque, Matisse, Greco, Valloton, Cézanne. Como na época a maior parte deles não valia grande coisa, a porta do ateliê se abria com uma grande chave única.  Alice fazia peixes, ovos e jardins.

Ficha Técnica:

Dramaturgia: Marina Corazza
Direção: Malú Bazán
Atriz: Nicole Cordery
Cenários e figurinos: Anne Cerutti
Iluminação: Nelson Ferreira
Trilha sonora: Rui Barossi e Pedro Canales
Apoio vocal: Lucia Gayotto

Serviço

Oficina Cultural Oswald de Andrade
de 12/01 a 28/01
quinta a sábado
quintas e sextas 20h
sábados 18h

Dias 14, 21 e 28/01
Aos sábados, após o espetáculo, haverá bate-papo com atriz, diretora e dramaturga da peça, Nicole Cordery, Malú Bazán e Marina Corazza, respectivamente, e a jornalista convidada Gabriela Longman – Mestre em Arte e Linguagem pela École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS-Paris) e doutoranda em teoria literária pela USP.

Lotação 40 pessoas
Indicação 14 anos
Duração: 60 minutos
Grátis