Cachorro Enterrado Vivo, solo de Leonardo Fernandes, chega a São Paulo depois de temporada de sucesso em Belo Horizonte

 Texto de Daniela Pereira de Carvalho com direção de Marcelo do Vale apresenta três monólogos em que personagens distintos encontram-se envolvidos em uma mesma situação

 Fotos de Lia Soares e Suzana Latini

Qual a diferença entre instinto e razão? A subjetividade não é uma especificidade dos homens – há crueldade e delicadeza em várias espécies. A memória não é uma especificidade humana – a noção de perda existe em várias espécies. Um cão e um homem que dividem uma vida dividem a mesma dor. Essas são as provocações que trouxeram à tona o texto Cachorro Enterrado Vivo, da dramaturga Daniela Pereira de Carvalho, concebido para ser o primeiro trabalho solo do ator Leonardo Fernandes.

Depois de temporada de sucesso em Belo Horizone, espetáculo estreia dia 6 de agosto às 21h na SP Escola de Teatro.

Com direção de Marcelo do Vale, o texto mostra três monólogos em que diferentes personagens fazem parte da mesma situação: na tarde de uma quinta-feira qualquer, o vigia de um terreno recebe de um passante a proposta para cavar a cova e enterrar seu cachorro. Preço negociado, o homem sai para buscar o animal e retorna trazendo a seu lado um cão vivo.

A estrutura do texto propõe a sobreposição e o embate entre três diferentes posicionamentos éticos diante de um evento cotidiano, penteando a contrapelo as convenções sociais. O que é animalesco? O que é humano?

Ficha Técnica
Texto: Daniela Pereira de Carvalho
Direção: Marcelo do Vale
Atuação: Leonardo Fernandes
Preparação Corporal: Eliatrice Gischewski
Cenário e Figurino: Cícero Miranda
Trilha Sonora Original: Márcio Monteiro
Criação de Luz: Wladimir Medeiros
Técnico de Luz: Daniel Hazan
Projeto Gráfico: Lampejo
Fotografia: Lia Soares e Suzana Latini
Cenotécnico: Ronaldo de Deu
Produção Executiva: Eliatrice Gischewski
Produção São Paulo: Marcelo Carrusca
Produção: Leonardo Fernandes

Serviço
Estreia dia 6 de agosto
50 minutos
12 anos
SP Escola de Teatro – Praça Franklin Roosevelt, 210 – Consolação
(11) 3775-8600
30 lugares
Sábados, domingos e segundas às 21h
R$ 30
Até dia 26 de setembro

 

Após temporadas de sucesso, ATO A QUATRO de Jane Bodie, faz temporada popular no Viga Espaço Cênico a partir de 13 de setembro

 Fotos de Ligia Jardim

 Montagem dirigida por Bruno Perillo traz no elenco os atores Nicole Cordery, Luciano Gatti, Carolina Mânica e Edu Guimarães

Em 25 cenas curtas, Ato a Quatro, montagem do texto britânico Fourplay, de Jane Bodie, narra com muito humor o jogo amoroso entre quatro pessoas. O público se identifica imediatamente com as personagens e com as situações. Aos poucos, entretanto, vêm à tona temas atuais como a solidão, o medo, o desejo insaciável e descartável, a obsessão pelo Eu, o voyeurismo e o ressentimento.

As personagens parecem não se comunicar. Muitas vezes falam, mas não se olham. Aproximam-se, mas não se tocam. Uma comédia dramática sobre a solidão do homem, em sua incapacidade de ser livre num ambiente global nunca tão próximo e tão conectado.

Com direção de Bruno Perillo, espetáculo volta ao cartaz dia 13 de setembro para curta temporada no Viga Espaço Cênico. No elenco estão os atores Nicole Cordery, Luciano Gatti, Carolina Mânica e Edu Guimarães.

Ato a Quatro estreou em fevereiro de 2015 no SESC Pinheiros e teve sua segunda temporada no Viga Espaço Cênico no mesmo ano. Espetáculo teve duas indicações ao Prêmio Aplauso Brasil (melhor atriz para Nicole Cordery e melhor figurino para Chris Aizner).

Sinopse
O espetáculo conta a história de Alice, uma ex-atriz que agora trabalha como cuidadora e está às voltas com o lento desgaste de sua relação com Tom. Ele é ator e está ensaiando uma peça em que faz o papel do amante de Natasha, uma atriz atraente e determinada, que coloca a sua carreira acima de tudo. Ao longo dos ensaios, Tom começa a levar o seu papel como amante de Natasha muito a sério. A quarta personagem da história é Jack, um jovem enfermeiro que fica obcecado por Alice e passa a observá-la e segui-la, todos os dias, do trabalho até sua casa, no intuito de conhecer sua vida nos mínimos detalhes.

Por dentro desses temas, a autora Jane Bodie costura a sua linha dramatúrgica, brincando com eles, dando-lhes outros significados, até expô-los ao vazio e abrir espaço para novas possibilidades.

Dramaturgia
No texto, a autora Jane Bodie utiliza-se de alguns elementos característicos na estrutura da dramaturgia britânica contemporânea como a fragmentação da estrutura, as cenas curtas e alternantes e a sintaxe metalinguística.

“O título original da obra, além de estabelecer um estado inicial para as personagens, faz, também, uma provocação à direção e aos atores: Fourplay. Um convite ao jogo metalinguístico – o teatro dentro do teatro, dentro de um mundo que já é representação de si próprio, no qual não se sabe mais onde começa e onde termina um evento real”, enfatiza Perillo.

Encenação
A montagem é constituída de 25 cenas curtas, passadas em locais diferentes, exigindo um ritmo preciso entre as trocas de cenas, para descaracterizar o realismo, imprimir velocidade quando necessário e para que as pausas e os silêncios possam fazer sentido. Os quatro atores/jogadores já estarão em cena durante a entrada do público, e em cena permanecerão até o final.

No palco, a cenografia assinada por Chris Aiznere Nilton Aiznertraz uma cama redimensionada, que será compartilhada pelas quatro personagens em diferentes ambientes: quarto de Tom e Alice, quarto de Natasha, quarto e casa de Jack, local de trabalho de Alice e Jack. Além da cama, o palco é ocupado por quatro cadeiras, uma pequena mesa e um espelho. A cenografia é completada por uma série de projeções de imagens inseridas em paredes ao fundo ou na lateral, no piso, nos figurinos e nos corpos dos atores.

“A ideia é fazer com que os elementos como luz, vídeo, fotografias, corpos dos atores, cenário, adereços e figurinos criem, juntos, quadros que consigam exprimir as tensões e temperaturas ideais para cada narrativa, cada ação e, em especial, reforçar o caráter não realista da montagem”, detalha o diretor. Já a trilha sonora foi escrita pelo cantor e compositor Dan Nakagawa, especialmente para a encenação. O universo referencial e criativo para as composições é o da música contemporânea.

A luz na montagem tem um papel vital e simbólico, além de servir como elemento diferenciador para climas e ambientes. As fontes de luz foram criadas com formatos distintos: refletores, lâmpadas penduradas, pequenas fontes de led, lanternas, celulares, abajur e globo de luz, com muitos acionamentos e manipulações feitos pelos próprios atores, no palco.

As cores e os tecidos criados por Chris Aiznerforam pensados para compor os quadros e as texturas pretendidas pela encenação. Desta maneira, os atores vestem figurinos incompletos que os fazem coexistir com os personagens, ao mesmo tempo em que o espectador tem uma sensação de dúvida diante do que vê.

FICHA TÉCNICA
Texto: Jane Bodie
Direção e tradução: Bruno Perillo
Elenco: Nicole Cordery (Alice), Luciano Gatti (Tom), Carolina Mânica (Natasha) e Edu Guimarães (Jack)
Assistente de direção: Janaína Suaudeau
Cenografia: Chris Aizner e Nilton Aizner
Figurino: Chris Aizner
Luz: Igor Sane e Flavio Barollo
Instalação audiovisual: Flavio Barollo
Trilha sonora: Dan Nakagawa
Corpo: Marina Caron
Fotografia: Carla Trevizani
Patrocínio: Meimundo
Produção executiva: Janaína Suaudeau
Direção de produção: André Canto
Realização: Canto Produções e Meimundo

SERVIÇO:
Reestreia dia 13 de setembro de 2016
75 minutos
Livre
Viga Espaço Cênico– Sala Viga
Endereço: Rua Capote Valente, 323 – Pinheiros
Telefone: (11) 3801 1843
Terças, quartas e quintas, às 21h
Ingresso: R$ 20,00
Até 6 de outubro

COMO TODOS OS ATOS HUMANOS, peça-filme da Cia. do Sopro, faz nova temporada online com exibição gratuita pelo YouTube

Link para download de fotos 

Com Fani Feldman

Direção_ Rui Ricardo Diaz 

Preparação_ Antonio Januzelli

Assistência_ Plínio Meirelles e

Direção de vídeo_ Munir Pedrosa

Filha relata ao público o seu crime de parricídio em peça-filme que faz nova temporada de estreia de 23 de maio a 6 de junho pelo Youtube. Como Todos os Atos Humanos trata, de forma simbólica, do ‘feminino’ refém do patriarcado, da violência explícita ou mesmo velada a que a mulher vem sendo submetida ao longo da história.  À medida que vai contando seu crime, deixa entrever agudos e finos traços de inteligência e sensibilidade que revelam o seu raciocínio lógico, mas que também confundem, desarrumam e inquietam.

A temporada foi contemplada pelo Prêmio Zé Renato (circulação). 

A partir das obras de Marina Colasanti, Nelson Coelho (1928-2014) e Giorgio Manganelli (1922-1990), a peça-filme tem dramaturgia e atuação de Fani Feldman, direção de Rui Ricardo Diaz, assistência de direção de Plínio Meirelles, preparação de Antonio Januzelli e direção de vídeo de Munir Pedrosa. 


A PEÇA- FILME

Construída a partir de referências visuais dos pintores Francis Bacon, Edvard Munch e René Magritte, a peça aborda a ‘naturalização da violência’ e leva à cena uma narrativa tétrica na qual a filha, obcecada por seu pai e por ele subjugada, termina por incidir simbolicamente no aniquilamento arquetípico do patriarcado e de toda a vigília que a redoma masculina exerce sobre a mulher.

A peça se utiliza do tom vertiginoso, irônico e fantástico de Marina Colasanti, Nelson Coelho e Giorgio Manganelli para contar a história de uma filha que comete parricídio. O espetáculo não tenta agarrar a moral linear conhecida que apazigua, mas procura desvendar uma lógica própria, para além de conceitos e/ou preconceitos. A princípio, o ato de perversidade, pode soar apenas cruel e absurdo, mas aos poucos se torna semelhante a toda e qualquer busca por sobrevivência e comparado a todos os atos essencialmente humanos. “Como Todos os Atos Humanos é, para mim, mais do que minha própria voz em estado de grito. Um suspiro aliviado que me sai violento, brutal e inteiro”, diz Fani Feldman.

TEATRO X PANDEMIA

“DA PEÇA DE TEATRO À PEÇA-FILME” 

“DO TEATRO À TELA” “

“DA PRESENÇA À VIRTUALIDADE” 

“Peça-filme” foi o termo que a Cia. do Sopro adotou para a sua versão audiovisual do espetáculo “Como Todos os Atos Humanos”, a qual não se trata apenas da peça filmada, mas sim de uma outra linguagem da cena para a tela. Deixa de ser teatro propriamente dito, mas também não passa a ser um filme. Talvez, algo entre. Na experiência online, não temos mais o “aqui”, mas o “agora” permanece, e é sobre ele que os “artistas da presença” em meio a uma pandemia, vem se debruçando. Um momento de resistência, sobrevivência e reinvenção, e é claro que de todo momento caótico, a adversidade pode ser capaz de gerar um mundo de novas possibilidades. Que assim seja.

Fani Feldman

Sinopse

“Como Todos os Atos Humanos”, aborda a “naturalização da violência”, leva à cena, numa alusão inversa de Electra, uma narrativa tétrica na qual a filha, obcecada por seu pai é por ele subjugada e, ao contrário do que dita sua paixão e admiração, o extermina furando seus olhos com um estilete. Ao cometer esse “parricídio ocular”, ela termina por incidir simbolicamente no aniquilamento arquetípico do patriarcado e de toda a vigília que a redoma masculina exerce sobre a mulher.

Sobre FANI FELDMAN

Atriz e produtora cultural, formada pela Escola de Arte Dramática EAD–ECA-USP e pela Escola Livre de Teatro. No teatro, seus trabalhos mais recentes são “Insones”, com direção de Kiko Marques; “Hotel Mariana”, com direção de Herbert Bianchi; “Scavengers”, com direção de Francisco Medeiros; “Como Todos os Atos Humanos”, com direção de Rui Ricardo Diaz; “O Burguês Fidalgo”, com direção de Hugo Possolo (Parlapatões); “O Anjo de Pedra”, texto de Tennessee Williams, direção de Inês Aranha; entre outros. Ainda em 2021 será Medea, em MEDEA de Eurípedes por Mike Bartlett, dirigida por Zé Henrique de Paula, com estreia prevista para o segundo semestre. Fani Feldman atuou na série “Impuros”, da FOX Premium, como a personagem Cleo, disponível na Globoplay e na Amazon Prime.

Sobre RUI RICARDO DIAZ 

Na TV, estará na segunda temporada da série “Segunda Chamada” da TV Globo; protagonizou a série “Impuros”, da FOX Premium, com direção de Renê Sampaio e Tomás Portella; foi o Barão na novela da TV Globo “O Tempo não Para”. Está ainda na série “Irmãos Freitas” do canal Space. Esteve na série “Augustas”, da TNT; e também na série “Supermax”, da Rede Globo; além de “Death Corner”, com direção de Frederic Berthe (STUDIO+). No cinema, seu mais recente trabalho é “Blitz”, de Bosco Brasil, com direção de Renê Brasil. Deu vida ao ex-presidente Lula no filme “Lula, o Filho do Brasil”, pelo qual foi indicado pela ACIE como melhor ator. Protagonizou o filme “Aos Ventos Que Virão”, de Hermano Penna; e atuou em “Rondon, o Desbravador”, de Marcelo Santiago; “A Floresta Que Se Move”, de Vinicius Coimbra; “De Menor”, de Caru Alves de Souza (melhor filme no Festival do Rio de Janeiro/2013). Na TV fez também a novela “Lado a Lado”, da TV Globo, em 2013. Estudou no Teatro da Universidade Católica da PUC (TUCA), em 1994/95, na Faculdade Belas Artes de São Paulo em 1998 e na International School of Corporeal Mime, em Londres, 2007. Entre suas peças, destaque para “A Hora e Vez” da Cia. do Sopro com direção de Antonio Januzelli; “O Anjo de pedra”, de Tennessee Williams; “A propósito da chuva”, de Dostoievski; “O Cobrador”, de Rubem Fonseca. Trabalhou com os diretores Cacá Carvalho, Paulo Fabiano, Inês Aranha, Marcello Airoldi, entre outros.

Sobre ANTONIO JANUZELLI

Professor de teatro da EAD/ECA – USP desde os anos 70, pesquisa o trabalho do intérprete no processo que desenvolve há mais de 20 anos, o “Laboratório Dramático do Ator”. Autor dos livros “Aprendizagem do Ator” Ed. Ática/SP e “Práticas do ator – Relatos de mestres”, este último a ser editado, Januzelli já publicou diversos artigos em importantes revistas e ministrou cursos no Brasil e no exterior. Formou-se em Direito pela PUC – Campinas em 1966, como ator pela Escola de Arte Dramática – USP em 1970 e fez Mestrado e Doutorado em Teatro pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo entre 1884 e 1992. Entre os tantos trabalhos que dirigiu em teatro, destaque para o espetáculo “O Porco”, de Raymond Cousse, indicado ao prêmio Shell de melhor ator em 2005, “Um segundo e meio”, de Marcello Airoldi, “Fogo-Fátuo”, de Samir Yazbek,  “Querido pai”, a partir de Carta ao Pai, de Franz Kafka, “De Verdade”, de Sandor Marai e “Se eu fosse eu”, a partir de textos de Clarice Lispector.

Sobre a CIA DO SOPRO 

A Cia. do Sopro nasceu com o espetáculo “A Hora e Vez” a partir de “A Hora e Vez de Augusto Matraga” de Guimarães Rosa, com direção de Antonio Januzelli e atuação de Rui Ricardo Diaz. O espetáculo teve sua estreia em 2014 no projeto Teatro Mínimo no SESC Ipiranga-SP. Em seguida, em 2015 o espetáculo foi contemplado com o “Prêmio Zé Renato” – 1ª edição, realizando nova temporada em São Paulo e em 2016 realizou outra temporada via ProAc ICMS. Em 2017 integrou a Mostra “Solos e Monólogos no CCBB” entre outras realizações. O segundo trabalho da Cia. do Sopro, “Como Todos os Atos Humanos”, fez sua estreia em agosto de 2016 no Teatro do Núcleo Experimental, permanecendo em cartaz por três meses na cidade de São Paulo. Em 2018 abriu a Mostra Solos Monólogos no CCBB, e percorreu diversos lugares como Itaú Cultural na Av. Paulista, SESC São José dos Campos entre outros. Entre março e abril de 2020 os dois trabalhos entraram em cartaz no Teatro Poeirinha no Rio de Janeiro, ambas as peças tiveram sucesso de público e sessões esgotadas, mas infelizmente tiveram suas temporadas interrompidas pela pandemia. Em maio o solo “Como Todos os Atos Humanos”, contemplado pelo Prêmio Zé Renato 10 ª edição, retornaria a São Paulo para mais uma temporada, na Oficina Cultural Oswald de Andrade, mas dadas as circunstâncias pandêmicas, a Cia. transformou o espetáculo em uma peça/filme (nome adotado para a versão online da peça) para sua veiculação. Ainda em 2020, a Cia. do Sopro foi contemplada pelo ProAC, para a sua próxima montagem, MEDEA, de Mike Bartlett, com direção de Zé Henrique de Paula. Com prazos prorrogados por conta da pandemia, o espetáculo está em fase de “gestação” e tem sua estreia prevista para o segundo semestre de 2021.

Ficha Técnica

Dramaturgia e atuação: Fani Feldman 

Direção: Rui Ricardo Diaz 

Assistência de direção: Plínio Meirelles 

Preparação: Antonio Januzelli

Iluminação: Osvaldo Gazotti

Cenário e figurino: Daniel Infantini 

Direção de vídeo e montagem: Munir Pedrosa

Fotografia: Will Prado

Técnico de som: Marcos Ventura

Câmeras: Munir Pedrosa e Will Prado

Idealização: Cia. do Sopro 

Produção: Fani Feldman – Quincas Artes.

Serviço

“COMO TODOS OS ATOS HUMANOS”

De 23 de maio a 6 de junho

Segunda a sexta às 16h e 21h

Sábados e Domingos às 21h

Exibição online e gratuita pelo youtube/ciadosopro

Na estreia, em todas as sessões semanais das 16h, e no último final de semana, após as transmissões, teremos bate-papos via zoom.

Teatro jovem

Novo espetáculo de Pedro Garrafa estreia no Centro Cultural São Paulo dia 19 de julho

Universo dos games, whatsapp e a violência propagada pelo aplicativo e a crescente vontade do jovem de se destacar na sociedade como youtuber são inspirações para novo trabalho do dramaturgo

Fotos de Lila Batista

Após sucesso do premiado espetáculo O Alvo,o diretor e dramaturgo Pedro Garrafa estreia nova peça jovem, agora com quatro atores no elenco: Lucas Padovan, Lucas Frizo, Luan Braga e Pedro Dix. Espartanos faz temporada de 19 de julho a 31 de agosto na Sala Adoniran Barbosa, no Centro Cultural São Paulo. As sessões acontecem às terças e quartas-feiras e os ingressos custam 20 reais.

Espetáculo de estreia da Cia 108, Espartanos surgiu da vontade de falar sobre a violência fora do senso comum. “Existe a ideia muito presente de que filmes, séries de TV, livros e, sobretudo os jogos de videogame que abordam situações violentas afloram e incitam a violência dos jovens. Visto sobre outro ponto de vista, essas narrativas não são o princípio, mas sim o resultado de uma ‘cultura da violência’, que alimentamos por milênios em nossa sociedade e a reforçamos todos os dias, muitas vezes sem mesmo perceber”, conta o dramaturgo.

A intenção do novo espetáculo de seu repertório é abrir a questão da cultura da violência além dos games. “É um espetáculo sobre a responsabilidade de se propagar um discurso e um comportamento violento, independente do que se joga, consome ou assiste”, conclui.

Sinopse
Os quatro personagens de Espartanos têm 15 anos e, além de serem amigos e morarem todos no mesmo condomínio, eles formam um clã vitorioso no jogo de batalhas online no qual são viciados. Eles chegaram às oitavas de final do campeonato nacional, que será disputada em um evento enorme. Mas um vídeo viralizado pela internet, que mostra uma cena real de violência cometida no próprio condomínio em que vivem, acaba entrando na vida desses amigos e mudando o jeito como eles veem a violência no mundo real e virtual.

Ponto de partida
Pedro Garrafa conta que a inspiração para conceber o espetáculo veio de três raízes diferentes: o universo dos games, Whatsapp e a violência propagada entre os jovens a partir dessa ferramenta (tema abordado nos espetáculos O Alvo 1 e 2) e a crescente vontade do jovem de se destacar na sociedade como youtuber.

“Os games se tornaram muito populares nos últimos anos gerando clãs especializados de jovens jogadores, como o famoso LeagueofLegends. Ao mesmo tempo que os jogos conectam jovens e adultos de todo o planeta e alimentam uma indústria enorme e muito criativa, paradoxalmente são responsáveis por uma onda gigantesca de casos de dependência crônica dos jogos, levando seus jogadores ao total isolamento do mundo exterior”.

“Vício da maioria dos jovens, o Whatsapp propõe uma assustadora liberdade de tráfego de conteúdos violentos como vídeos de linchamentos, mortes e acidentes. Isso exige um rigoroso filtro pessoal. Muitas vezes, sem perceber, o usuário da ferramenta está propagando involuntariamente um discurso no qual ele não acredita, ou não tem a intenção de propagar”.

A última fonte de inspiração, a vontade do jovem de se destacar na sociedade como youtuber, para Pedro Garrafa “na maioria dos casos, é uma sede pelas visualizações, likes e inscritos, que ultrapassa o discurso, caindo no perigoso mundo do qualquer coisa pelaaudiência.”

A linguagem, o jovem e o teatro, por PEDRO GARRAFA

Dando continuidade na intenção de falar com o público jovem de maneira horizontal (de jovem para jovem) e não de maneira vertical (adulto para o jovem), a linguagem do espetáculo entra no universo de ebulição da testosterona no universo masculino, ganhando a energia hipnótica do adolescente.

Para falar de violência e trazer à cena essa energia, a opção de usar a percussão e principalmente o cajón como elemento constitutivo da cena nos pareceu adequada. Assim, a montagem assumiu um tom rítmico que evoca muitas vezes uma atmosfera tribal, que ao mesmo tempo conversa com o tema do jogo, e cria um paradoxo entre a violência do jogo e das sociedades mais primitivas. A percussão em Espartanos tem como objetivo tornar a violência do tema uma linguagem estética, metafórica, sem trazê-la fisicamente para a ação dramática.

Outro ponto importante da linguagem do espetáculo é a arquitetura cênica em arena. O público assiste de cima a ação, como se fosse condômino do cenário da trama. A proposta é: ao mesmo tempo que o espetáculo provoca o olhar curioso do público acerca da intimidade dessas personagens, ele também se coloca distante da ação e do incomodativo tema. Sendo convidado a uma análise racional do assunto.

FICHA TÉCNICA
Texto e Direção: Pedro Garrafa
Direção Musical: Beto Angerosa
Elenco: Lucas Padovan, Lucas Frizo, Luan Braga e Pedro Dix
Assistente de Direção: Matheus Heck
Iluminação: Pedro Garrafa e Matheus Heck
Trilha original: Diego Trindade
Produção e comunicação: Elemento Cultural
Direção de Produção: Fernanda Bianco e Guilherme Maturo
Produção Executiva: Renata Nastari
Comunicação Visual: Dave Santos
Fotografia: Lila Batista
Figurinista: Ariana Martinelli
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio

SERVIÇO
Estreia dia 19 de julho – até dia 31 de agosto
Duração: 70 minutos
10 anos
Centro Cultural São Paulo – CCSP – Sala Adoniran Barbosa
Rua Vergueiro, 1.000
Telefone: (11) 3397-4002
Temporada: terças e quartas, às 20h
R$ 20
www.ingressorapido.com.br
Horário de funcionamento da bilheteria; terça a sábado, das 13h às 21h30; e domingos, das 13h às 20h30
Até dia 31 de agosto.
Teatro jovem.

 

 

Novo espetáculo da companhia Academia de Palhaços, ADEUS, PALHAÇOS MORTOS!, do romeno Matei Visniec estreia  dia 15 de julho

 15 de julho a 7 de agosto no Centro Cultural São Paulo
10 de agosto a 29 de setembro no TUSP

Dirigido e adaptado por José Roberto Jardim, espetáculo contemporâneo e provocativo problematiza o próprio fazer artístico

Fotos de Victor Iemini

Três grandes artistas circenses do passado acidentalmente se reencontram, depois de muitos anos, na antessala de uma agência de empregos. Eles sabem que só um será escolhido. Nesse dia suas amizades, memórias, segredos, pequenezas e vilanias serão expostos, criando, dessa maneira, uma ode ao ofício do ator e uma profunda reflexão sobre os fundamentos filosóficos da carreira artística. A sala de espera desse teste de casting, que nunca acontece, se revela um não-lugar, um limbo onde estas três figuras se vêem condenadas a rever suas escolhas éticas e estéticas, num exercício infinito de reflexão sobre a resiliência do artista, a urgência da Arte e a sacralidade do ofício.

Essa peça marca a consolidação da parceria artística entre a companhia Academia de Palhaços e o diretor José Roberto Jardim, que já trabalharam juntos em diversas ocasiões e configurações, mas que pela primeira vez se encaram como elenco e diretor.A estreia acontece dia 15 de julho, sexta-feira às 21h no Centro Cultural São Paulo. Em seguida, espetáculo engata temporada no TUSP.

A Academia de Palhaços, fundada por atores oriundos do curso de artes cênicas da Unicamp, comemora em 2016 os nove anos de sua trajetória de pesquisa e produção teatral continuada. A companhia iniciou-se em uma investigação cênica sobre o palhaço de picadeiro brasileiro e em seus dez espetáculos produzidos até o momento transitou pelo universo do ator popular.

Cinco desses espetáculos eram realizados sobre uma Kombi-Palco num grandioso projeto de teatro itinerante. Em 2015, essa Kombi se incendiou e queimou cenários, figurinos, palco e equipamentos de som e iluminação. Diante dessa catástrofe que reduziu anos de trabalho literalmente a cinzas, a companhia viu seu próprio fim. Dois de seus integrantes desistiram do teatro e os três que restaram, Laíza Dantas, Paula Hemsi e Rodrigo Pocidônio, tiveram que lidar com o inevitável fim/recomeço de uma mudança de ciclo. Perante essa necessidade de se reinventar, convidaram o diretor José Roberto Jardim justamente no intuito de reler sua trajetória artística a partir de outras lentes, pois Jardim trabalha numa perspectiva estética bastante distante da pesquisa da companhia, tendo seu olhar voltado ao teatro contemporâneo, suas performatividades, porosidades e rizomas.

José Roberto Jardim respondeu ao chamado da companhia trazendo o texto “Um Trabalhinho Para Velhos Palhaços” de Matei Vişniec, que trata justamente de três artistas circenses diante do fim de suas existências, de suas carreiras e da Arte. Uma metáfora perfeita para catalisar artísticamente o momento de fim/recomeço da Academia de Palhaços e seus três atores. Essa empreitada entre cia. e diretor, apoiada pelo Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, reúne também uma premiada equipe de criadores: Tiago de Mello, o diretor musical, é um dos expoentes mais profícuos da música experimental eletroacústica do Brasil; o cenário e as vídeo-projeções ficaram a cargo do Coletivo BijaRi, um grupo de arquitetos, artistas plásticos e vídeo-makers especializados em instalações e mapping; o figurino foi desenhado e criado pelo estilista Lino Villaventura e o visagismo é assinado por Leopoldo Pacheco.

Essa frutífera equipe e suas contribuições alçaram o projeto a novos patamares.

O texto original de Matei Vişniec conta a história de três palhaços velhos num tom de comédia do absurdo, ao melhor estilo de seu conterrâneo Eugène Ionesco. Já a adaptação, assinada pelo diretor José Roberto Jardim, essencializa o texto, universalizando muitas de suas questões, deixando suas contradições mais aparentes e o transformando num ácido mergulho existencial sobre o fazer artístico. A encenação potencializa ainda mais a adaptação ao reduzir elementos, apostando no minimalismo e na essencialidade, traços esses marcantes da assinatura de Jardim como diretor.

“Cada cena é um recorte num espaço-tempo descontínuo e fragmentado, são fotogramas vagando nas memórias individuais e coletivas daquela trupe circense, são vozes do passado ecoando em busca de algum sentido” diz o diretor José Roberto Jardim. O espectador ao ser impactado pela violência dos deslocamentos espaço-temporais é convidado a um passeio pelas questões que movem estes velhos artistas desde seu passado de glória até seu inevitável futuro. “Propusemos uma experiência sensorial que transita entre o abismo da morte e a devoção de uma vida voltada à arte e que, portanto, mira a imortalidade”, conclui Paula Hemsi, uma das atrizes da Academia de Palhaços.

SINOPSE:
Três grandes artistas circenses do passado acidentalmente se reencontram, depois de muitos anos, em uma agência de empregos. Eles sabem que só um será escolhido.

FICHA TÉCNICA:
Texto Original: Matei Vişniec. Direção e Adaptação: José Roberto Jardim. Elenco: Laíza Dantas, Paula Hemsi e Rodrigo Pocidônio. Direção Musical: Tiago de Mello. Cenografia e Vídeo-Instalação: BijaRi. Figurino: Lino Villaventura. Visagismo: Leopoldo Pacheco. Iluminação: Paula Hemsi e José Roberto Jardim. Direção de produção: Carol Vidotti. Fotografia: Lígia Jardim e Victor Iemini. Suporte Institucional: Cooperativa Paulista de Teatro. Patrocínio: Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo. Realização: Academia de Palhaços

SERVIÇO TEMPORADA CCSP
Estreia: 15 de julho
Duração: 70 minutos
Classificação Etária: 12 anos
Onde: Centro Cultural São Paulo – Rua  Vergueiro, 1000.
Anexo da Sala Adoniran Barbosa
Gênero: Drama
Estreia e temporada de 15 de julho a 07 de agosto.
Sextas e sábados às 21h e domingos às 20h.
Entrada Gratuita.
50 lugares.

SERVIÇO TEMPORADA TUSP
De 10 de agosto a 29 de setembro
Nos dias 31/08 e 01/09 não haverá apresentações.
Onde: TUSP – R. Maria Antônia, 294 – Vila Buarque.
Quartas e quintas, às 21h.
Entrada gratuita.

Término do Amor do dramaturgo francês Pascal Rambert estreia dia 12 de julho no Viga Espaço Cênico com direção de Janaína Suaudeau

A peça ganhou o grande Prêmio CNT (Centro Nacional de Teatro) de literatura dramática francesa em 2012, um ano depois de ter estreado com muito sucesso no festival de Avignon.Término do Amorjá foi traduzida para 20 línguas em 5 anos e esta é sua primeira montagem no Brasil

Fotos de João CaldasFº

Término do Amor é uma peça sobre o fim de um relacionamento, tema bastante abordado e profundamente retratado em diversas obras. Neste espetáculo, o diferencial é a forma como o tema é apresentado. O autor Pascal Rambert propõe um embate entre duas pessoas, um combate verborrágico entre o casal que está se separando. Ou seja, Término do Amor instaura um clima de batalha entre os personagens.O texto foi escrito para os atores franceses Audrey BonneteStanislasNordeye Pascal optou por colocar os nomes dos atores da primeira montagem nos personagens.

Nesta versão,traduzida (com colaboração de Clara Carvalho) e dirigidapor Janaína Suaudeau, os atores são Carolina Fabri e Gabriel Miziarae, portanto, aqui os personagens se chamam Carol e Gabi, com o aval do autor. Primeira direção de atriz franco-brasileira Janaína Suaudeau conta com intermediação musical dramatúrgica (Drumaturgy) de Vinicius Calderoni.

“O que mais me tocou quando eu li Clôture de l’amour pela primeira vez foi a poesia do Pascal Rambert. Neste texto, ele descreve o final de um relacionamento sob dois pontos de vista, sob uma verdadeira dialética. E ele o faz de forma inusitada, em versos livres e muito ritmados, como uma partitura de música”, comenta a diretora e idealizadora do projeto Janaína Suaudeau, que teve a ideia de incluir uma bateria na encenação.

Sinopse
Término do amor, como o título indica é o fim de uma relação amorosa. No caso, de Gabi & Carol / Carol & Gabi. Um embate verborrágico e físico; ele começa, eu queria te ver pra te dizer que acabou, ela escuta. Segundo round começa, ela responde, você acabou?, agora é a vez dele escutar. Pascal Rambert propõe um canto à separação, onde as palavras batem, repercutem e muitas vezes morrem.

A encenação
O cenário assinado por Ulisses Cohn traz três praticáveis, como se fossem três passarelas e cada uma delas é habitada por um ator. Desta forma, Carol fica de frente para a plataforma do Gabi e ao fundo, no terceiro praticável está uma bateria tocada pelo músico Pedro Gongom– que acompanha e impulsiona os personagens o tempo todo, como num repente. “O maior desafio para a encenação foi trabalhar o ritmo da fala e da escuta durante esses dois rounds tão distintos” completa a encenadora.

O encontro
Janaína Suaudeau conhecia a atriz Carolina Fabri e o ator Gabriel Miziara há 15 anos, desde que são contemporâneos no Teatro Escola Célia Helena. Janaína viveu alguns anos na França e toda vez que visitava o Brasilassistia às peças da Cia Elevador de Teatro Panorâmico, da qual eles fizeram parte. Pensou, então, em chamá-los para este projeto, pois precisava de atores que tem uma grande cumplicidade em cena, disponibilidade física e um grande domínio de textos  verborrágicos, como podem ser textos de Koltès, Lagarce…

Pedro Gongom, baterista, foi apresentado por Vinícius Calderoni.“O Gongom, além de ser um excelente músico, trabalhou anos com o Oficina, ou seja, ele é muito sensível ao beat dos atores. Um lindo trio nasceu”,analisa a diretora.

Sobre Pascal Rambert
Pascal Rambert é um escritor francês, coreógrafo e diretor de teatro e cinema. Ele nasceu em 1962. Desde 2007 ele exerce o cargo de diretor do TG2, Théâtre de Gennevilliers, o qual ele transformou em um centro dramático nacional para criação contemporânea (teatro, dança, ópera, arte contemporânea, cinema e filosofia). As peças e coreografias de Rambert foram encenadas na Europa, América do Norte, Ásia, Rússia, América do Sul e Oriente Médio. Sua obra é publicada na França pela SolitairesIntempestifs e foi traduzida, publicada e encenada em muitas línguas. Seus espetáculos de dança, incluindo o mais recente, Memento Mori, foram apresentados em importantes festivais internacionais de dança contemporânea. Pascal Rambert dirigiu diversas óperas na França e nos Estados Unidos. Os curtas-metragens que ele dirigiu foram selecionados e premiados nos festivais de Pantin, Locarno, Miami e Paris. Sua peça Clôture de l’amour(Término do Amor), criada no Festival de Avignon em 2011 com Audrey Bonnet e StanislasNordey, foi um sucesso internacional. O texto ganhou vários prêmios, entre eles o Grande Prêmio de literatura dramática do Centre NationalduThéâtre (Centro Nacional de Teatro) em 2012 e já foi traduzida em vinte línguas desde então. Ele adaptou Clôture de l’amour em nove línguas: para o MoscowArtTheatre; em New York, Zagreb, Modena e Roma, e no Piccolo Teatro de Milão; em Shizuoka, Osaka e Yokohama; em Berlim e no ThaliaTheater em Hamburgo; em Barcelona no Grec Festival e em Madri no Festival de Otoño; e em Copenhagen, Aalborg, Aarhus, Odense e em Pequim. Sua peça Répétition (Ensaio), escrita para Emmanuelle Béart, Audrey Bonnet, Denis Podalydèsda  ComédieFrançaise, StanislasNordey e Claire Zeller, estreou em dezembro de 2014 no T2G, Théâtre de Gennevilliers – no Festival d’Automne em Paris. E fez uma turnê francesa e internacional em 2015. Em junho de 2015 Rambert apresentou cinco de suas peças no BouffesduNord em Paris. São elas: Memento Mori, Clôture de l’amour, Avignon à vie, Demespropresmains e Libido Sciendi. Ele está atualmente escrevendo Actrice (Atriz) para a companhia do MoscowArtTheatre; Une Vie (Uma Vida) para a ComédieFrançaise e Mourir (Morrer) para a atriz francesa Isabelle Huppert. Em janeiro de 2016 ele estreou sua peça Argument, escrita para Laurent Poitrenaux e Marie-Sophie Ferdane, no CDN de Orléans / Loiret / Centre, na Comédie de Reims e no T2G, Théâtre de Gennevilliers.

Sobre Janaína Suaudeau
Nascida no Rio de Janeiro de um pai francês e mãe brasileira, ela se forma com grandes nomes do teatro paulistano no Teatro Escola Célia Helena, Marcelo Lazzaratto, Ruy Cortez, Nelson Baskerville e Marco Antonio Rodrigues. Mudou-se para Paris em 2002 e seguiu o CoursFlorent até 2004. De 2004 até 2007 formou-se no Conservatório Nacional Superior de Artes Dramáticas (CNSAD) com os professores Dominique Valadié, AndrzejSeweryn, Daniel Mesguish, Muriel Mayette. Foi dirigida por Tilly, GildasMilin e Marcial Di Fonzo Bo durante seu último ano de formatura. Atua em várias montagens, entre as mais importantes La Ville de Martin Crimp direção Marc Paquien; Strindbergman a partir das obras de Strindberg e Bergan direção Marie Dupleix; La Tempête… de Shakespeare direção Georges Lavaudant; Claire en Affaires de Martin Crimp direção Sylvain Maurice.

No cinema interpreta o personagem principal no longa-metragem canadense ServeusesDemandées de Guylaine Dionne. Em vários curtas-metragens, entre eles Ilss’appelenttousMarlon Brando de MikaelBuch; La Meute de Elrina O’Brien, Bye, Bye Mamande Keren Marciano e Cellule de Arno Ledoux.

Strindbergmanveio ao Brasil em 2009, pelo Ano de França no Brasil e ganhou o Prêmio de Melhor Estreia do Guia da Folha de S. Paulo. Em 2012, foram convidados para fazer parte da Mostra Strindberg produzida pelo SESC-SP. Em 2013, de volta ao Brasil, além de cuidar da produção de Não Se Brinca Com O Amor, também traduziu esse clássico francês com colaboração de Clara Carvalho. Em 2014, estreia a peça Não Se Brinca Com O Amor com direção de Anne Kessler (sociétaire da Comédie-Française) no Teatro Aliança Francesa. Como produtora executiva atuou também nos seguintes projetos: Uma Trilha Para A Sua História de Gustavo Kurlat; turnê dos espetáculos internacionais Drumming da cia Rosas, direção Anna Teresa de Keersmaeker; The Suit de Peter Brook e O Rinoceronte da cia Théâtre de laVille, direção Emmanuel Demarcy-Mota.

Sobre Canto Produções

A Canto Produções gosta de uma boa história para contar. No cinema ou no teatro, produzindo ou oferecendo consultoria, nossa paixão é criar e possibilitar o intercâmbio entre linguagens. Criada por André Canto em 2010, a Canto Produções traz consigo todo o repertório de seu fundador para a área de produções artísticas. Como produtor executivo atuou em empresas como Buriti Filmes e Canal Azul Produções, trabalhando com cineastas de referência como Di Moretti, Kátia Lund, Laís Bodanzky, Lina Chamie, Luiz Bolognesi e Ugo Giorgetti em trabalhos para cinema e TV. Nas artes cênicas, integrou o Grupo Tapa de Eduardo Tolentino entre 2004 e 2010. Dentre as peças produzidas pela Canto Produções destacam-se A Noite das Tríbades, de Per OlovEnquist, com direção de MalúBazán (eleito o melhor espetáculo da cidade de São Paulo pela Veja São Paulo), Não se brinca com o amor, de Alfred de Musset, com direção da atriz e diretora francesa Anne Kessler, da Comédie-Française, espetáculo produzido em comemoração aos cinquenta anos do Teatro Aliança Francesa, e o espetáculo Dissecar uma Nevasca, de Sara Stridsberg, coprodução Brasil-Suécia, com direção da atriz e diretora sueca Bim de Verdier, com apresentações no Sesc Belenzinho entre janeiro e fevereiro de 2015. Atualmente, assina a produção do longa-metragem ficcional Dias nublados, projeto em coproducão com o Chile, e é parceiro da HomeMadeFilms no documentário Hilda Hilst Pede Contato, sobre a escritora e poeta Hilda Hilst. A Canto Produções também trabalha em parcerias nacionais e internacionais para trazer espetáculos de qualidade à cidade de São Paulo, onde está sediada, e a outras regiões do país.

Ficha técnica

Idealização do projeto: Janaína Suaudeau. Texto: Pascal Rambert. Tradução: Janaína Suaudeau com colaboração de Clara Carvalho e revisão de EloïseMorhange. Direção: Janaína Suaudeau. Provocadora: MalúBazan. Drumaturgy (interação musical dramatúrgica): Vinicius Calderoni.Orientação vocal interpretativa: Lucia Gayotto. Estudo do movimento: Joana Mattei. Elenco:Carolina Fabri– Carol, Gabriel Miziara– GabiePedro Gongom– bateria. Cenografia: Ulisses Cohn. Iluminação: Aline Santini. Figurinos: Isabela Teles. Fotografias –Carla Trevizani e João Caldas. Design gráfico: Bruno Gonçalves. Produção executiva – Larissa Barbosa. Direção de produção: André Canto. Co-Produção: Janaína Suaudeau. Produção: Canto Produções.

Serviço

Estreia dia 12 de julho de 2016

Duração: 90 minutos

Classificação etária: 14 anos

Local:Viga Espaço Cênico – Sala Viga – Rua Capote Valente, 1323. São Paulo / SP

Capacidade: 80 lugares.

Informações: (11) 3801-1843

Temporada: terças, quartas e quintas às 21h

Ingressos:R$ 20

Até 25 de agosto.

Tróilo e Créssida reestreia dia 5 de agosto no Teatro João Caetano
Direção de Bete Dorgam

 Fotos de João Caldas Fº

Depois de temporada no Teatro Sérgio Cardoso, espetáculo Tróilo e Créssida (Shakespeare – Projeto 39 da Cia da Matilde) faz temporada popular de 5 a 28 de agosto no Teatro João Caetano.

A peça foi pensada não apenas pelo ineditismo da obra no Brasil, mas também sobre seu caráter político e fomentador de uma discussão ampla sobre os temas ligados à ética em todas suas instâncias. A grande crítica Bárbara Heliodora dizia que “Tróilo e Créssida” é a peça que mais tem a ver com o nosso Brasil, justamente por tratar dessa temática da ausência da moral e da ética em vigor naqueles que detém o poder”.É Uma peça sobre ética, politica, poder, conspiração, traição e corrupção.

Tróilo e Créssida é uma obra considerada “comédia conflito” de autoria de William Shakespeare. Acredita-se ter sido escrita por volta de 1602, pouco depois de completar Hamlet.

O trabalho da Ciada Matilde está baseado na possibilidade de abordar essa história como uma grande metáfora circense. Quase não há personagens fixos, os atores se revezam em diversas atividades e contam a história a partir de cenas, imagens e músicas interpretadas por todos.A peça apresenta uma linguagem inspirada em máscaras (principalmente a de bufão) porque os personagens são identidades “notórias” que permeiam a história da humanidade e podem facilmente ser encontradas hoje em nosso país.

Para a diretora Bete Dorgam, Shakespeare é sempre um grande desafio porque os textos são fantásticos e a questão é como entender, escavar as camadas e trazê-lasà cena sem perder sua potência e beleza. “Tróilo e Créssida é um texto complexo, uma comédia irônica e amarga que não poupa a guerra, o amor, a fama, a ilusão da imagem, do poder. Assustadoramente moderna, talvez o grande desafio seja dialogar com essa desilusão sobre todas as instituições e a própria condição humana sem perder a perspectiva de uma sempre possível luz no fim do túnel”, comenta a diretora.

Como parte das comemorações dos 400 anos da morte de Shakespeare, em abril A Cia da Matilde também organizou encontros gratuitos entre profissionais do teatro para discutir sobre o autor. Os encontros aconteceram no Universo Cultural da Matilde (sede Cia da Matilde).

Sinopse
Durante a guerra de Troia, Tróilo, um dos filhos do rei Príamo, estáapaixonado por Créssida, filha do sacerdote Calcas, que passou para o ladodos gregos após profetizar a derrota de Troia, sendo, portanto,considerado traidor. Tróilo conta com a ajuda de Pândaro, tio de Créssida,para aproximar – se dela. Créssida também está interessada por Tróilo, masfinge indiferença como forma de se proteger. Em meio à guerra, disputas de poder e paixões essa história de amor e paixão se desenrola mostrando personagens e episódios conhecidos da guerra de Tróia.

Sobre a diretora
Bete Dorgam nasceu em São Paulo em 1956. Formou-se em Publicidade pela ECA/USP, e em Jornalismo, na Cásper Líbero. É mestre em Comunicação Social pela ECA/USP e fez Especialização em Jornalismo, na Universidad de Navarra – Espanha. É doutora em Artes Cênicas, pela ECA/USP.

Recentemente suas principais atividades são: atriz, professora de interpretação na EAD/USP e na Escola Superior de Artes Célia Helena, formadora do curso de Humor na SP Escola de Teatro e foi vice-diretora do TUSP (Teatro da Universidade de São Paulo) 2007-2010. Dirige a Cia. Dramática, desde 2007 e como atriz, seus últimos trabalhos foram realizados com o grupo Folias, sob a direção de Marco Antônio Rodrigues.

Iniciou sua carreira no teatro amador , em 1973, em “O Auto da Compadecida” (direção de Marcelino Buru). Em 1984, retomou com “A Casa de Bernarda Alba” (direção de Ewerton de Castro). Entrou na EAD em 1986 e, desde então, se envolve profundamente com o teatro, onde teve seus trabalhos reconhecidos pelos prêmios Shell (melhor atriz 2010, pela peça “Casting” e indicação melhor atriz 2005, pela peça “El dia que me quieras”), Qualidade Brasil (melhor atriz em comédia 2014, pela peça “Assim é se lhe parece”) e Apetesp (melhor atriz pela peça infantil “A Banda”).

Dentre os projetos mais importantes dos quais participou são: a criação do Núcleo Ópera de Risco com o maestro Emiliano Patarra, pesquisando a linguagem da ópera e do teatro; formação de jovens palhaços profissionais – Doutores da Alegria; criação da Cia.Dramática com jovens atores, pesquisando a máscara do clown e sua relação com a música.

Shakespeare – Projeto 39
O PROJETO – A ideia de encenar todas as 39 obras de Shakespeare nasceu em 2011 durante a montagem do espetáculo ‘A Tempestade’. “Lançar um olhar latino sobre essa produção é estimular que as pessoas daqui possam se juntar e desenvolver ações sobre o trabalho dele”, diz o presidente da Cia da Matilde, Erike Busoni que hoje capitania o projeto. Em 2013, foi dado início às produções com a montagem de “Ricardo III”, tendo no elenco Mayara Magri (como Rainha Elizabeth) e Chico Carvalho (como Ricardo III, vencendo o Prêmio Shell de melhor ator). Em 2014, Kleber Montanheiro dirigiu “Os Dois Cavalheiros de Verona”, imprimindo um caráter nômade dos artistas da época e inspirado na comédia Dell’ Arte e pelo teatro popular, o espetáculo esteve em cartaz em 2015 no Teatro João Caetano e no Espaço da Cia da Revista e ganhou o prêmio de melhor espetáculo, melhor atriz e ator coadjuvante, melhor ator, melhor maquiagem e prêmio especial no 17º Festival Nacional de Teatro de Guaçuí, ES. O projeto é da Cia. da Matilde com co-produção da SE4 produções.

Serviço
Reestreia dia 5 de agosto
110 minutos
12 anos
Teatro João Caetano – Rua Borges Lagoa, 650
(11) 5573-3774
438 lugares
Sextas e sábados às 21h; domingos às 19h
R$ 20
Até 28 de agosto

Ficha Técnica  

Direção: Bete Dorgam
Adaptação de texto: Bete Dorgam  e Lécio Rabello
Direção Musical: Rafael Senatore
Figurino: Claudia Schapira
Cenário: Marcos Thadeu e Karina Diglio (PalhassadaAtelie)
Iluminação: Yuri Cumer
Produção: Adryela Rodrigues e Erike Busoni.
Elenco:  Beto Dessordi, Caco Mattos, Caio Merseguel, Cristiano Carvalho, Erike Busoni, Isis Valente, Letícia Martin, Magali Costa, Marcelo Guedes, Rafael Senatore, Rodrigo Scarpelli,  Walmir Bess.

O Homem do Destino, de Bernard Shaw, estreia dia 17 de junho no Teatro Aliança Francesa

Com direção da cineasta e roteirista Caroline Fioratti, espetáculo traz no elenco os atores Patricia Pichamone, Sergio Mastropasqua, Luti Angelelli,  Guilherme Gorski e Thiago Ledier. Texto inédito no Brasil

Fotos de Ronaldo Gutierrez

Vídeo com trechos do espetáculo

 

A peça se passa em um único ato e tem como pano de fundo um incidente histórico, a batalha de Lodi, na Itália em 1796. A comédia produzida pelo Círculo de Atores tem quatro personagens: Napoleão (Sergio Mastropasqua), A Dama Misteriosa (Patricia Pichamone), o Estalajadeiro (Luti Angelelli) e o Tenente (Guilherme Gorski e Thiago Ledier). A estreia acontece dia 17 de junho às 20h30 no Teatro Aliança Francesa.

 

O texto escrito em 1897, foi publicado ao lado de outras obras de grande importância do autor como O Homem e as Armas (1898) e Cândida (1898),  num volume  chamado ironicamente de PEÇAS AGRADÁVEIS.

 

Com tradução de Fernando Paz, cenários e figurinos de Chris Aizner, iluminação de Nelson Ferreira e música de Atílio Marsiglia e Raphael Lupo, a peça tem a direção de uma cineasta.  A ideia de ter a cineasta Caroline Fioratti como diretora convidada cumpre um dos objetivos do Círculo de Atores que é abrir espaço para novos criadores, tradutores, autores e diretores, evitando a assim a centralização, através da colaboração com profissionais originários de outras áreas afins, como cinema, literatura e artes plásticas. “Desejamos desta maneira compartilhar experiências profissionais – intensas e reveladoras – priorizando sempre o trabalho do ator e a comunicação com o espectador” comenta o ator Sergio Mastropasqua.

 

“Desde que acompanhei os estudos e atuei numa curta temporada no Rio de janeiro na montagem de Major Bárbara, pelo Grupo TAPA em 2002, Bernard Shaw passou a ser para mim uma referência como dramaturgo. Na sequência tive a sorte de ser convidada para atuar em Cândida, do mesmo autor. Lá, contracenando novamente com Sergio Mastropasqua, ele me apresentou essa pequena joia que é O Homem do Destino. Passados sete anos conseguimos viabilizar esta experiência desafiadora que é entrar no universo cômico, sutil, inteligente e contraditório de Shaw”, diz a atriz Patricia Pichamone.

 

 

Sinopse

Itália, ano de 1796. Dois dias após a vitória francesa sobre os austríacos na batalha de Lodi, Napoleão encontra-se numa bucólica pousada italiana –  que em nada lembra os horrores da guerra –  aguardando suas correspondências de trabalho. Chega então seu tenente informando-o que fora roubado por um rapaz bastante intrigante e sedutor. Durante a manifestação de indignação do general, surge uma mulher sem nome, também hóspede, a Dama Misteriosa.

 

Com a entrada do elemento feminino, inicia-se um dos maiores “tour de force” de toda a obra do dramaturgo, crítico, pensador político e polemista irlandês, Bernard Shaw. Cartada a cartada, se estabelece assim uma forte ação mental e o embate entre dois grandes estrategistas. Napoleão, alimentado por suas qualidades no campo de batalha, se propõe a provar que não há nada que não possa ser dominado pela força. No entanto, a Dama Misteriosa, vira constantemente o jogo, provando que algo no mundo deve ser preservado, mesmo com a guerra constantemente colocando-o de cabeça para baixo.

 

BERNARD SHAW, O AUTOR

Autor de mais de 60 peças, agraciado com o prêmio Nobel de Literatura em 1925 (único prêmio que aceitou e cujo dinheiro destinou totalmente a tradução e difusão de autores escandinavos), paradoxalmente, Shaw é pouco montado no Brasil. Teve algumas de suas peças publicadas na década de 50 pela Editora Melhoramentos, hoje esgotadas e encontradas em sebos. Entre elas podemos destacar “César e Cleópatra”, “Pigmalião” (adaptada para o cinema como “My Fair Lady”), “Santa Joana”, “A Casa dos corações Partidos”, “Major Bárbara” e “Cândida”. Podemos  saborear seu humor e argúcia em coletâneas através dos livros “Socialismo para Milionários” da Ediouro, “Teatro de Ideias”, editado há alguns anos pela Companhia das Letras e Quatro Peças Curtas pela Editora Musa. É pouco para este homem que morreu aos 94 anos em plena atividade. O fato é que assistir a uma peça de Shaw é ocorrência extremamente rara. Estér Góes encenou “Santa Joana” na década de 80, O Grupo Tapa montou “Major Bárbara” em 2001, e ainda, em 2008, a Cia Ludens montou Idiota no País dos Absurdos. A presente montagem pretende continuar o estudo e a difusão da obra de Bernard Shaw iniciado por Sergio Mastropasqua e Patricia Pichamone em 2008 com a produção da peça Cândida.

 

Círculo de Atores –  O NASCIMENTO DE UM REPERTÓRIO   

O Círculo de Atores foi criado em 2013 na cidade de São Paulo e reúne profissionais de teatro que –  para além de atuar –  desejam estabelecer relações de colaboração e escolha em todas as fases de produção da obra teatral.

 

O HOMEM DO DESTINO, foi o texto escolhido para iniciar um estudo dentro do CÍRCULO DE ATORES sobre os fundamentos do drama moderno. O passo seguinte deste projeto, será o estudo de JOHN GABRIEL BORKMAN – a tragédia do liberal megalomaníaco – de Ibsen. Este contraste extremo entre os gêneros cômico e trágico nos interessa sobremaneira. Após a participação de alguns de nós em CAMARADAGEM e CREDORES de Strindberg, pelo Grupo Tapa e ainda pela produção e participação em CÂNDIDA de Shaw, resolvemos ampliar nosso olhar para outras peças deste período, acreditando que todo este material encontra-se numa esquina emblemática, fundadora.  Por se tratar de uma dramaturgia contemporânea da psicanálise, do marxismo, de Stanislavski, das lutas sociais, dos avanços científicos e de uma miríade de correntes filosóficas sendo digeridas, enxergamos neste material uma série de possibilidades em todos os campos de criação.

 

CAROLINE FIORATTI, diretora.

Com formação em cinema e em teatro, Caroline Fioratti trabalhou 3 anos no Núcleo de Dramaturgia da Gullane Filmes. Recentemente escreveu o roteiro do longa-metragem 4×100, uma produção Gullane, com direção de Carlos Cortez. Caroline criou e dirigiu a websérie BOTOLOVERS, através do programa de Fomento ao Cinema Paulista. Escreveu e dirigiu curtas-metragens premiados como FORMIGAS, A GRANDE VIAGEM e o mais recente, ALGUM LUGAR NO RECREIO. O sucesso em festivais do curta A GRANDE VIAGEM inspirou a criação de A GRANDE VIAGEM – A SÉRIE, seriado de ficção infanto-juvenil, em 13 episódios, que será exibido na TV Cultura. A série, que foi criada, escrita e dirigida por Caroline, tem em seu elenco grandes nomes como Umberto Magnani e Sandra Corveloni. Caroline foi corroteirista do filme A COMÉDIA DIVIDA, do diretor Toni Venturi, o qual se encontra em pós-produção. Recentemente, seus projetos de série de TV foram selecionados e/ou finalistas de importantes labs: Lab Transmídia do Riocontentmarket, Programa de Roteiristas da Globosat e NetLabTV. Essas seleções permitiram que Caroline tivesse aula e recebesse consultorias de professores e roteiristas internacionais, como Robert Mackee, Alan Kingsberg e Marta Kauffman. Caroline atualmente desenvolve roteiros para um telefilme e uma série de ficção, ambos contemplados com editais de desenvolvimento de projetos. Em teatro, trabalhou como assistente de direção de Zé Henrique de Paula no espetáculo “As Troianas – Vozes da Guerra”, indicado ao Prêmio Shell de melhor direção.

 

Teatro Aliança Francesa

Desde sua criação, em 1964, o Teatro Aliança Francesa destacou-se como um espaço de encontros intelectuais e artísticos entre a França e o Brasil. Ao longo dos anos, importantes nomes da dramaturgia brasileira se apresentaram e foram revelados, como Marília Pêra e Gianfrancesco Guarnieri. Além disso, o espaço já acolheu textos de grandes escritores franceses, como Eugène Ionesco e Molière, e possibilitou residências artísticas, como a do Grupo Tapa, por mais de uma década.

 

SERVIÇO

Napoleão Bonaparte trava duelo de estratégia verbal com uma mulher misteriosa em O HOMEM DO DESTINO, comédia inédita no Brasil, do ganhador do prêmio Nobel, dramaturgo, crítico e polemista irlandês, Bernard Shaw. Direção: Caroline Fioratti. Elenco: Patricia Pichamone, Sergio Mastropasqua, Luti Angelelli, Guilherme Gorski e Thiago Ledier.

 

FICHA TÉCNICA 

O HOMEM DO DESTINO de Bernard Shaw. Elenco: Sergio Mastropasqua [Napoleão], Patricia Pichamone [A Dama Misteriosa], Luti Angelelli  [Estalajadeiro], Guilherme Gorski / Thiago Ledier [Tenente] | Diretora convidada: Caroline Fioratti | Tradução: Fernando Paz | Cenários e figurinos: Chris Aizner | Iluminação: Nelson Ferreira | Movimentos e Fotografia: Ronaldo Gutierrez | Vídeos: Gabarito Produções | Voz em off: Fernão Lacerda | Design: Laerte Késsimos | Trilha composta: Atílio Marsiglia e Raphael Lupo | Montagem e operação: Nicolas Sanches |  Divulgação: Pombo Correio | Produção Executiva: Priscilla Oliva |  Produção: Patricia Pichamone e Sergio Mastropasqua | Criação do Círculo de Atores (SP) | Produzido originalmente para o edital SESI Viagem Teatral 2015 | A presente montagem é uma tradução de  THE MAN OF DESTINY de Bernard Shaw, representado por The Society of Authors.

 

SERVIÇO

Estreia: 17 de junho

Temporada: de quinta a sábado, 20h30 e domingo às 19h.

Teatro Aliança Francesa – Rua General Jardim, 182 – Vila Buarque,

Importante: No dia 14 de julho, quinta-feira, apresentação comemorativa e gratuita (Data Nacional Francesa). Não haverá espetáculo nos dias 15,16 e 17 de julho. 

Duração: 75 minutos

Classificação indicativa: 14 anos. Capacidade: 226 lugares

Bilheteria: aberta 2h antes do espetáculo, aceita todos os cartões. Telefone: 11 3017-5699 5617

Ingressos R$ 50,00 (inteira) R$ 25,00 (meia).

Até 7 de agosto

 

Infiés, de Marco Antônio de La Parra, estreia dia 17 de junho no Teatro Jaraguá

 Fotos de Priscila Prade

 Com direção de Débora Dubois, Infiéis trata do cruzamento entre as paixões eróticas e as paixões políticas. Dois casais formam os personagens da peça e coincidentemente o elenco é composto por atores que são casados na vida real, são eles: Marcela Pignatari (idealizadora do projeto) e José Trassi, Veridiana Toledo e Marcelo Galdino.

Felipe (personagem de Galdino) é um publicitário com sonho de ser poeta e que não vê espaço para exercer seu lado de esquerda em uma sociedade de consumo de um mundo neo liberal.

Ao reencontrar-se com Andreia (Veridiana Toledo) deixa vir à tona confusões e indecisões pois sente que pode recriar épocas revolucionárias, que o sexo e o amor são subversivos, que o matrimônio é uma instituição ditatorial e que merece uma nova oportunidade na vida. Convida Andreia, sem medir as consequências, a reviver uma paixão arrebatadora.

Daniela, sua mulher (personagem de Marcela Pignatari), se adaptou à vida de casada e defende o matrimônio como um lugar onde se renuncia a alguns sonhos, mas se consegue outros.

Carlos (José Trassi), é marido de Andreia, não conhece e nem conhecerá o amor verdadeiro. Se casou com Andreia atraído por seu jeito debochado, sua impulsividade e sensualidade. Quando se vê traído não vacilará em destruir Daniela. Ele sente que ela é sua parceira na penúria e que deve sofrer o quanto ele está sofrendo.

Andreia por sua vez se destruirá nesta aventura, um sonho a mais em sua vida.

A obra mescla a história destes quatro simultaneamente frente ao adultério, um espetáculo em que jamais os personagens deixam de se olhar, sempre presentes em cena os amantes e os enganados.

 

 

Para Gustavo Kurlat que traduziu a obra para esta montagem talvez uma das questões mais fortes da atualidade seja a relação plena de tensões entre o público e o privado. E provavelmente o par “Relações amorosas – ação política” seja um elemento simbólico extremamente significativo dessa tensa relação.

 

“O que será mais revelador daquilo que somos como indivíduos? O posicionamento político, o que dizemos e fazemos com relação ao que é público, ou nossa maneira de nos relacionarmos com nossos afetos, o que dizemos e fazemos com relação ao outro – que é privado?”.

 

Nesse lugar está a dramaturgia de “Infieis”. No entrecruzamento sem pudores dessas paixões que envolvem nossas vidas. Daí sua atualidade renovada, e seu questionamento – sem juízo de valor – de como somos e o que fazemos pelo outro e pelos outros, e na busca pessoal daquilo que chamamos de “felicidade”.

 

A diretora Debora Dubois vê na dramaturgia de Marco Antônio de La Parra muita semelhança com o mundo atual. “Com certeza o público irá se identificar – cada um à sua maneira – com alguma das formas de afeto que os personagens revelam nesse embate de corações e mentes que a peça propõe.” comenta a diretora.

 

A cenografia é assinada por Márcio Macena, os figurinos são de Marichilene Artizevskis e a iluminação de Hugo Peake.

 

O projeto é idealizado pela atriz Marcela Pignatari. “A ideia de realizar Infieis surgiu há cinco anos, quando me apaixonei pelo texto e pela poesia de Marco Antonio de La Parra. Desde então fui movida por essa paixão. Me dediquei aos estudos para poder trazer vida à personagem Daniela. Procurei entender e percorrer os caminhos da produção cultural. E, hoje, estar em cena com este espetáculo é motivo de grande alegria e emoção. Agradeço a todos que me acompanharam nesta trajetória e especialmente a Marco Antonio de La Parra e a Debora Dubois que acreditaram em mim sabendo que ainda tenho uma longa estrada a percorrer”.

 

 

Um pouco sobre o dramaturgo Marco Antônio de La Parra

Estudou no Instituto Nacional e depois na Universidade do Chile, onde se graduou médico cirurgião em 1976 e depois se especializou em Psiquiatria. Sua carreira como dramaturgo começou no teatro da faculdade de medicina. Em 1975 ganhou menção honrosa no Concurso de dramaturgia na universidade do Chile, a peça premiada “Matangos, disparen sobre el zorzal” foi encenada 3 anos mais tarde. Entre 1984 e 1987 dirigiu a Companhia La Teatroneta, na mesma época funda o Teatro de la Pasión Inextinguible, e posteriormente foi diretor artístico do Projeto Transatlântico, que buscou intercâmbio entre as cenas teatrais espanholas e chilenas. Foi crítico de televisão, e mergulhou em diversos gêneros literários, como contos, novelas, peças, ensaios e crônicas. Foi profesor de Dramaturgia na Universidad Católica entre 1993 e 1995. A partir de 2012 o dramaturgo passou a ter uma coluna semanal no La Segunda. É membro da Academia Chilena de Bellas Artes e suas obras são traduzidas em diversos idiomas.

 

Ficha Técnica:

Autor: Marco Antonio de La Parra

Tradução: Gustavo Kurlat

Concepção e Direção: Débora Dubois

Diretor Assistente: Marcio Macena

Elenco: José Trassi, Marcela Pignatari, Marcelo Galdino, Veridiana Toledo

Cenários: Márcio Macena e Débora Dubois

Figurinos: Marichilene Artisevskis

Iluminação: Hugo Peake

Assistente de Direção: Felipe Correa

Preparação vocal: Renata Ferrari

Preparação corporal: Leo Bertholini

Visagismo: Luciana Alvarez

Programador visual: Alê Pessoa

Fotografia: Priscila Prade

Operador de luz: Hugo Peake

Operador de som: Robson Mello

Camareiro e contra regra: Luciano de Freitas

Direção de Produção: Elza Costa

Realização: Brancalyone Produções e Rhaiz Produções

 

Serviço

Teatro Jaraguá: Rua Martins Fontes, 71 – Centro, São Paulo.

Telefone: 11 32554380

Estreia: de 17 de junho

Temporada: Sextas às 21h30, sábados às 21h e domingos às 19h.

Preço:  R$ 50,00 inteira  / R$ 25,00 meia

Vendas Ingresso Rápido e bilheteria do teatro.

Duração: 90 minutos

Censura: 14 anos

Até 31 de julho

 

Natalia Gonsales volta em cartaz com monólogo inspirado em diário de escritora e filósofa francesa

 19 de setembro a 14 de novembro
Segundas-feiras às 21h

Espetáculo solo A Última Dança é inspirado no diário de Simone Weil “Expérience de la vie d’usine” (“Vivendo a vida da fábrica”) e nas pesquisas publicadas por Eclea Bosi (“Simone Weil – A condição operária e outros estudos sobre a opressão”)

Fotos de Carla Trevizani

Simone Adolphine Weil (1909 – 1943) foi uma escritora e filósofa francesa, que se tornou operária para escrever sobre o cotidiano dentro das fábricas. Natalia Gonsales leva ao teatro os escritos desta francesa, que narram sua vida na fábrica e resistência às guerras e à força. A encenação foi toda construída a partir de seus relatos e cartas. A Última Dança reestreia no Viga Espaço Cênico dia 19 de setembro para temporada até 14 de novembro.

O dramaturgo, diretor, coordenador do Núcleo de Dramaturgia do SESI, César Baptista é o responsável pela dramaturgia e adaptação do diário de Simone para o teatro.  Em cena a atriz e algumas máquinas de linha de produção – que fazem parte do cenário assinado pelo cenógrafo, ator e diretor Flávio Tolezani.

A trilha é composta por ruídos das correias e barulhos de macetadas. Outras manifestações sonoras do ambiente fabril são transformadas em músicas compostas pelo premiado compositor Daniel Maia. A luz desenhada por Igor Sane é responsável pela atmosfera dura e fria de uma fábrica e pela mudança de temperatura ambiente que os operários eram/são submetidos (“o frio vivido pelos operários era capaz de paralisar os movimentos, enquanto que o calor era opressivo” – Simone Weil).

“Como é possível essa mulher com mãos pequenas demais para o corpo ter se transformado em operária? Através dessa vivência, Simone deixou uma espécie de diário relatando o seu dia a dia numa fábrica: a fome, o calor do forno, as labaredas, o barulho terrível da caldeiraria, os acidentes, as doenças, as ordens, o medo, o ritmo crescente do trabalho, o esgotamento, o envelhecimento, a infelicidade, o emburramento. Segundo Simone, a ordem imposta pela força exige que seja preciso calar e obedecer fazendo com que o pensamento se dobre sobre si. As greves, os pensamentos retraídos, o cansaço, a tragédia grega no cotidiano do povo, o esmagamento da minoria, as relações de força na história que geram a opressão até os dias de hoje são temas que ela pensou, escreveu de maneira audaz e que são abordados nessa encenação”, comenta Natalia Gonsales.

Um pouco sobre Simone Weil
Nascida em 1909 em Paris, filha de médicos judeus, Simone Weil aluga um pequeno cômodo perto de uma fábrica aos vinte e poucos anos. Despede-se de seus pais, amigos e do ensino da filosofia para trabalhar nas linhas de produção com o objetivo de analisar a condição operária e a opressão social. Para ela, não é possível entender a realidade dos trabalhadores sem viver junto a eles. Formada em filosofia pela Sorbonne, foi a primeira mulher catedrática da França. Era a discípula predileta do filósofo Alain, formada em completo agnosticismo, apaixonada pelo tema da condição humana no mundo do trabalho.

Lutou na Guerra Civil Espanhola, ao lado dos republicanos, e na Resistência Francesa, em Londres; por ser bastante conhecida, foi impedida de retornar à França como pretendia; acometida de tuberculose, não teria admitido se alimentar além da ração diária permitida aos soldados, nos campos de batalha, ou aos civis pelos tickets de racionamento. Com a progressiva deterioração de seu estado de saúde, em estado de desnutrição, faleceu poucos dias depois de seu internamento hospitalar aos 34 anos de idade.

A ÚLTIMA DANÇA por Por Natália Gonsales
Dedico este espetáculo ao meu irmão Marco Antonio Gonsales. Um homem de coragem, capaz de seguir caminhos diferentes da grande massa, capaz de “GRITAR” e de aguentar o barulho provocado, capaz de catar os cacos de vidro que estouram para colar novamente.

E na arte? Quando optamos por ela, não estamos seguindo um caminho diferente? Acredito que a resposta deveria ser sim, porém nem sempre é. O homem, o artista deveria ter o sentimento da apropriação: “Nada mais forte para o homem que a necessidade de se apropriar pelo pensamento. Uma cozinheira diz: minha cozinha.” Palavras de Simone Weil. E um ator? Não deveria se apropriar do espaço, ou seja, do teatro? Porém, muitas vezes somos vistos apenas como uma unidade de força de trabalho, sem voz e que esta ali apenas para executar: “Cale-se. Você é apenas uma atriz.”

Porém, nessa minha pequena trajetória artística, me senti muitas vezes calada, onde o pensamento morre, o corpo se curva ao poder, ao dinheiro e principalmente ao sistema. Acredito que somos educados a esperar, receber ordens, calar, executar. Aguentar tudo em silêncio. Mas se escolhemos viver não podemos ter medo do grito. Nesse caso, o que diferencia um artista de um operário que não sabe o que produz, logo não tem o sentimento de ter produzido algo? E os outros? Que não necessariamente são artistas ou operários/trabalhadores, mas que se curvam aos valores impostos pela sociedade capazes de levar ao aprisionamento e a cegueira.

E assim, o calar me conduziu ao grito. Um grito parecido com o grito do meu irmão. E desse encontro, fui presenteada por ele com os relatos da Filósofa Simone Weil. Relatos dela nas fábricas, quando essa mulher abdicou de uma vida farta para viver entre os operários. E através da experiência ela vivenciou uma realidade dura e aceitou as marcas da escravidão.

Ficha Técnica
Concepção e Atuação: Natalia Gonsales. Encenação: Natalia Gonsales, César Baptista, Fernanda Bueno e Janaína Suaudeau. Provocadores: César Baptista e Janaína Suaudeau. Criação Dramatúrgica: César Baptista. Direção de Movimento e Coreografia: Fernanda Bueno. Composição Sonora: Daniel Maia. Iluminação: Igor Sane. Cenário: Flávio Tolezani. Figurino: Natália Gonsales. Designer Gráfico: Murilo Thaveira. Fotografia: Flávio Tolezani. Produção Executiva: Anna Zêpa. Direção de Produção: Natalia Gonsales

Serviço:
Reestreia 19 de setembro.
Duração: 60 minutos.
Classificação: 12 anos
Local: Viga Espaço Cênico – Sala Viga.
Rua Capote Valente, 1323. São Paulo / SP
Capacidade: 80 lugares.
Informações: (11) 3801-1843
Temporada: 19 de setembro a 28 de novembro.
Segundas-feiras, às 21h
Ingresso: R$ 30
Horário de funcionamento da bilheteria: duas horas antes do espetáculo, com possibilidade de reserva por telefone a partir das 14h, para chegada até 15 min. antes do início da sessão. Gênero: drama. Até 14 de novembro.