Foto de Luciano Alves

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Cia. Os Fofos Encenam estreiam O deus da cidade com dramaturgia inédita de Cássio Pires e direção de Fernando Neves

Em “O deus da cidade” gêneros tradicionais como circo-teatro, o teatro de revista e o espetáculo de variedades inspiram a criação de uma série de cenas independentes, que se aproximam por procurarem refletir sobre grandes impasses do nosso tempo. Com direção musical de Fernando Esteves, iluminação de Eduardo Reyes, figurinos de Carol Badra e Leopoldo Pachedo e cenografia de Marcelo Andrade e Zé Valdir, a peça traz no elenco os atores Carlos Ataide, Cris Rocha, Eduardo Reyes, Erica Montanheiro, Katia Daher, Marcelo Andrade, Rafaela Penteado, Simone Evaristo, Silvia Poggetti e Zé Valdir. A peça estreia dia 18 de março às 21h no

Espaço dos Fofos
Este novo projeto da cia. Os Fofos Encenam propõe a verticalização da estética circense por meio da inclusão de uma temática de maior cunho social, utilizando como primeira inspiração o material artístico do dramaturgo alemão Bertolt Brecht e do Teatro de Revista, para depois criar uma dramaturgia inédita, junto com o dramaturgo Cássio Pires. “Brecht serviu bem à primeira etapa de trabalho. Quando a companhia se aproximou dele, foi para buscar certos mecanismos de linguagem que permitem lidar com contradições sociais. Depois desse momento, começamos a fazer tentativas a partir de nossas perspectivas, de nossas perguntas sobre o mundo em seu atual estágio de desenvolvimento. Então, nesse sentido, Brecht foi um ponto de partida, não exatamente um ponto de chegada”, comenta o dramaturgo.

Em 2012 / 2013, por meio da Lei de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo, Os Fofos realizaram o projeto Baú da Arethuzza que se propôs a investigar o desenvolvimento da teatralidade existente sob as lonas de circo na primeira metade do século XX, período que consolidou o circo-teatro como gênero teatral. O projeto realizou a montagem de 5 peças do acervo do Circo Teatro Arethuzza. Recebeu a indicação do Prêmio Shell de Teatro na categoria Inovação e ganhou o Prêmio APCA na categoria especial.

Se no Baú o interesse era estético (pesquisar a evolução da teatralidade circense), neste novo projeto Os Fofos visam a elaboração dos discursos que interessam ao grupo. Refletir sobre o lugar que o teatro ocupa na configuração cultural e sociopolítica da atualidade e articular o discurso, sem deixar de promover o diálogo com o público. “A dramaturgia que surge daí tem um pouco a cara de um balaio, de uma junção de um tanto de questões que foram surgindo e se transformando em cena. É revisteira no sentido de fazer uma revisão de grandes temas do nosso tempo, de falar sobre uma série de coisas ao mesmo tempo. Tem a ver com circo-teatro por procurar reinventar tipos, por operar em uma perspectiva textual que é não-psicológica. Acima de tudo, o texto tem a ver com o enfrentamento de questões políticas que não podem ser postas de lado. Por outro lado, o texto não gera uma mensagem. Ele partilha um monte de perguntas, sem se preocupar com colocar uma delas no centro”, completa Cássio Pires.

Essa necessidade surge a partir dos desafios encontrados pelos Fofos: a manutenção do grupo e a própria existência enquanto companhia de teatro e espaço cultural (no início de 2014 o Espaço dos Fofos, assim como diversos coletivos teatrais da cidade de São Paulo, sofreram as consequências da especulação imobiliária e por pouco não fechou as portas).

Sobre Os Fofos Encenam
Com 14 anos de existência, Os Fofos Encenam seguem uma dinâmica de trabalho que intercala as duas linhas de pesquisa, circo-teatro e teatralidades contemporâneas, conduzidas por Fernando Neves e Newton Moreno, respectivamente
Desde 2002 a cia. Os Fofos Encenam empreende investigação acerca da estética do circo-teatro. Coordenada por Fernando Neves, descendente de artistas circenses, Os Fofos encenaram sob sua direção o vaudeville “A Mulher do Trem” (2003) e o drama trágico “Ferro em Brasa” (2006), estabelecendo assim uma das linhas de pesquisa existentes na cia..

A pesquisa encabeçada pelo diretor Newton Moreno revela o estudo das raízes da sociedade brasileira na temática dos espetáculos “Assombrações do Recife Velho”, “Memória da Cana” e “Terra de Santo”.

Na pesquisa dirigida por Fernando Neves, o trabalho com uma linguagem específica era o ponto de partida, reconhecendo o caráter sociocultural dessa escolha na redescoberta do ator popular brasileiro. O que rege a pesquisa proposta pelo diretor é o reencontro com um modo de atuar característico de um teatro que fazia muito sucesso nas primeiras décadas do século XX, focado no ator e suas habilidades.

Depois das montagens de “A Mulher do Trem” (2003) e “Ferro em Brasa” (2006), os estudos do grupo sobre a linguagem do circo e o processo de criação do artista circense se aprofundaram em 2007, por meio do projeto O Ninho, contemplado pela 12ª Edição do Programa de Fomento ao Teatro.

Em um segundo momento, já em 2009, o projeto Do Ninho aos Vôos, também fomentado, permitiu à cia. um novo experimento.
Recentemente, o grupo executou o projeto de fomento nomeado Baú da Arethuzza, em que o foco foi investigar o modus operandi dos artistas circenses e a evolução da teatralidade circense de 1900 a 1950 (dramaturgia, cenografia e interpretação). Aulas de circo, aulas de dança de salão e cinco montagens de textos do Circo Teatro Arethuzza foram algumas das ações contempladas pelo projeto. As montagens de uma pantomima (“Antes do enterro do anão”), uma burleta (“Vancê não viu minha fia?”), dois melodramas (“A ré misteriosa” e “A canção de Bernadete”) e uma chanchada (“Dar corda pra se enforcar”) revelaram a complexidade do circo-teatro enquanto gênero teatral.

Experimentar o modus operandi dos artistas circenses era um dos principais focos na realização do Baú: treinamento de circo, montar as peças em apenas duas semanas, alternar mensalmente os gêneros teatrais contidos na estética Circo-Teatro. Estas montagens apresentaram-se como um procedimento de verticalização na pesquisa deste gênero para os atores dos Fofos: os recursos adquiridos e a ampliação do repertório de cada ator transformou o Baú da Arethuzza em um divisor de águas no trabalho do grupo.

A redescoberta e a revitalização do circo-teatro são acontecimentos de caráter político-cultural. Porém, isso não basta. Considerando o poder de comunicação que fundamenta as formas populares, os Fofos estão mobilizados na elaboração de um discurso crítico que promova transformações nos artistas e no público.

Sinopse
“O deus da cidade” é composto por quadros que pretendem expor algumas das contradições dos tempos atuais. Na peça, cenas fabulares, líricas e musicais acentuam o caráter de personagens que reagem ao mundo de acordo com seus próprios valores, quaisquer que sejam eles.

Ficha Técnica
Dramaturgia: Cássio Pires Gênero: comédia. Direção: Fernando Neves. Direção musical e pianista: Fernando Esteves. Elenco: Carlos Ataide, Cris Rocha, Eduardo Reyes, Erica Montanheiro, Katia Daher, Marcelo Andrade, Rafaela Penteado, Simone Evaristo, Silvia Poggetti e Zé Valdir. Cenografia: Marcelo Andrade e Zé Valdir. Iluminação: Eduardo Reyes. Figurino: Carol Badra e Leopoldo Pacheco. Fotografia: Ligia Jardim. Direção de produção: Eduardo Reyes. Produção: Os Fofos Encenam – Cooperativa Paulista de Teatro. Realização: Programa Municipal de Fomento ao Teatro – Prefeitura de São Paulo – Secretaria de Cultura

Serviço
O deus da cidade. Estreia: 18 de março de 2016 | 21h
Espaço dos Fofos – Rua Adoniran Barbosa, 151, Bela Vista – SP – CEP: 01318-020. Fone: (11) 3101.6640. Temporada: 18 de março a 29 de maio. Sessões: sextas, sábados: 21h. Domingo: 19h. Indicação etária: não recomendado para menores de 16 anos. Duração: 80 minutos. Capacidade: 54 lugares. Ingressos: R$ 20,00 / R$ 10,00. Cartões: aceita todos os cartões. Meia entrada: para estudantes, professores da rede pública, maiores de 60 anos e classe teatral. Acessibilidade. Classificação etária: 16 anos

Foto de Luciano Alves

Foto de Luciano Alves

‘Sobre Ratos e Homens’ em cartaz no Teatro FAAP

Peça de John Steinbeck (ganhador dos Prêmios Nobel e Pulitzer) dirigida por Kiko Marques cumpre segunda temporada em São Paulo. Agora, com sessões às quartas e quintas às 20h

Foto de Luciano Alves

Sessenta anos depois da montagem brasileira dirigida por Augusto Boal, Ricardo Monastero e Ando Camargo dão vida aos conhecidos personagens George e Lennie da obra de John Steinbeck, escrita em 1937 e que já ganhou versões internacionais em cinema e teatro.

Completam o elenco os atores Luiz Serra (que trabalhou com Boal e assistiu sua versão da peça), Natallia Rodrigues, Gustavo Vaz, Luciano Schwab, Tom Nunes e Cássio Inácio. Espetáculo fica em cartaz até dia 30 de junho no Teatro FAAP.

Essa montagem começou a ser pensada há quatro anos, quando Ando Camargo apresentou o texto a Ricardo Monastero, que começou a produzir de imediato. Kiko Marques dirige esta versão que conta com cenário de Márcio Vinicius, figurino de Fábio Namatame, luz de Guilherme Bonfanti, trilha sonora de Martin Eikmeier e visagismo de Raphael Cardoso.

“Sobre Ratos e Homens foi um dos primeiros romances que li em minha vida intelectual adulta. Não lembrava disso. Também não tinha ideia da influência que o romance havia exercido sobre mim até receber o convite para dirigir o espetáculo. Veio-me então à cabeça tudo o que senti, pensei e fiz a partir da história dos dois amigos e seu sonho e o quanto fui tocado por ela. Hoje, diante da tarefa de transpor esse encontro para o palco, entendo esses dois personagens e sua trajetória como parte do conteúdo arquetípico que nos forma. Assim como é impossível ler Dom Quixote sem ter a certeza, desde as primeiras páginas, de já conhecermos profundamente aquele senhor magro montado em seu cavalo e seu fiel escudeiro, também em Ratos e Homens é impossível não ter para com Lennie e George, uma afinidade onírica e um pacto de amizade eterna.”, comenta o diretor Kiko Marques.

Sinopse
George e Lennie são dois amigos bem diferentes. George tem os olhos inquietos, é astuto e determinado, já Lennie é dotado de enorme força física, mas com algum atraso intelectual e tremenda ingenuidade. Forçados a lidar com a realidade, só a verdadeira amizade permitirá que continuem sonhando. No enredo repleto de tensão masculina, a única mulher em cena é Mae, a esposa de Curley, o filho do patrão. Ela joga com seu charme e persuasão para desestabilizar a ordem dos funcionários da fazenda. É sobre ela que se estabelece o conflito clímax da trama.

Ficha técnica – Sobre Ratos e Homens
Direção artística: Kiko Marques.
Elenco: Ricardo Monastero, Ando Camargo, Luiz Serra, Natallia Rodrigues, Gustavo Vaz, Cássio Inácio, Luciano Schwab, Tom Nunes.
Produção de Elenco: Renata Medeiros.
Cenografia: Marcio Vinicius.
Figurinos: Fabio Namatame.
Iluminação: Guilherme Bonfanti.
Trilha sonora: Martin Eikmeier.
Visagismo: Raphael Cardoso.
Assistência de Direção: Kauê Telloli.
Assistência de produção: Mari Rocha.
Coord. Administrativa: Andreia Porto.
Gestão sustentável: Celso Monastero.
Assistente de marketing: Guto Garrote.
Social Mídia: Rafael Pucca.
Comunicação e Fotos de Divulgação: Luciano Alves.
Direção de Produção: Antonio Ranieri.
Produção: Dendileão Produções Artísticas.
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio.
Assessoria Jurídica: Francez e Alonso Advogados Associados.

Serviço – Sobre Ratos e Homens
Estreia: 04 de maio até 30 de junho
Duração: 100 minutos
Censura: 14 anos
Lotação: 500 lugares
Teatro FAAP – Rua Alagoas. 903 – Higienópolis.
Telefone: (11) 3662 7233
Temporada: Quartas e quintas às 20h
Valores: R$ 40 inteira. R$ 20,00 meia.
Bilheteria: de quarta a sábado das 14h-20h / segunda e terça fechado e domingo das 17h às 20h. Em dias de espetáculo, a bilheteria fica aberta até o início da apresentação.
Acesso para deficientes, Ar condicionado.
Até 30 de junho.

Espetáculo de Pedro Granato, Vermelho Labirinto faz temporada no Inbox Cultural

Com trilha assinada por Kiko Dinucci e direção de arte da artista visual e poeta Sinhá, peça possui texto especialmente escrito para as atrizes Anna Zêpa e Rita Grillo. Depois de temporada de estreia no Sesc Pinheiros, espetáculo volta ao cartaz no Inbox Cultural a partir de 11 de junho

 Fotos de Micaela Wernicke

Espetáculo com direção e dramaturgia de Pedro Granato e elenco formado pelas atrizes Anna Zêpa e Rita Grillo, Vermelho Labirinto coloca em cena os conflitos contemporâneos, misturando política, artes e relações íntimas. No palco duas mulheres em momentos diferentes da vida, uma advogada e uma performer. A advogada é casada com um crítico de arte que está em Veneza para entrevistar a artista. Duas personagens em cena que se relacionam com um homem que nunca está no palco. Espetáculo

A trama constrói um suspense onde não se sabe onde está a verdade. A dramaturgia de Pedro estabelece um triângulo cheio de desconfianças e suposições, sem jamais dar voz ao personagem masculino.

Para esse projeto, formou-se uma equipe de artistas unidos pela experimentação em distintas linguagens. O músico e cineasta Kiko Dinucci é responsável pela trilha, a artista visual e poeta Sinhá assina a direção de arte e a luz é de Aline Santini – que repete a parceria com Pedro após Até que deus é um ventilador de teto, de Hugo Possolo. Ana Zêpa e Rita Grillo já trabalharam juntas em Ninguém no Plural, espetáculo com trilha de Rômulo Fróes, com texto a partir de contos de Mia Couto.

“A temporada de estreia foi de uma metalinguagem absoluta. Falamos de como não se pode tornar uma cor um instrumento de ódio político na semana em que pessoas estavam apanhando na rua por usar vermelho. A peça estreou no dia que saíram os grampos envolvendo o governo e eles transformaram a relação da plateia com os diversos grampos que fazem parte da dramaturgia. Vimos artistas todas de vermelho indo protestar em Brasília e uma advogada vociferando de ódio, assim como os personagens. Os limites entre o palco e a realidade ficaram borrados. Tudo isso em uma peça que discute a relação entre verdade e mentira, sobre o ato de interpretar.” afirma Pedro Granato.

Em Vermelho Labirinto, é possível observar as múltiplas interpretações de um mesmo acontecimento. Duas mulheres que não se conhecem, mas imaginam, projetam e investigam.  Cada uma construindo ao seu modo o que aconteceu. Ou o que elas imaginam que aconteceu. Até o momento em que finalmente se encontram.

Nessa temporada, Pedro Granato vai lançar o livro com o texto da peça.

Sinopse
Duas mulheres. A performer feminista alcança o sucesso internacional.  A advogada de um político suspeita que está grávida. Seu marido, crítico de artes plásticas, viaja para a Bienal de Veneza onde a performer se apresenta. Fragmentos de relações que se misturam em uma trama em que não se sabe quem fala a verdade.

Sobre Pedro Granato
Diretor do Pequeno Ato e presidente do MOTIN – Movimento do Teatros Independentes. Vermelho Labirinto é seu quarto texto. Escreveu e dirigiu Fortes Batidas, premiado como “Melhor Espetáculo em espaço não convencional” pela APCA em 2015 e “Prêmio Especial pela Experimentação de Linguagem” no Prêmio São Paulo; Você não está aqui, criado com o ilusionista Ricardo Malerbi e As Lágrimas quentes de amor que só meu secador sabe enxugar com Paula Cohen, atualmente em cartaz. Entre outros, dirigiu os espetáculos Até que Deus é um Ventilador de Teto, de Hugo Possolo, IL Viaggio de Marcelo Rubens Paiva e Quanto Custa? de Bertolt Brecht, vencedor do prêmio CPT da Cooperativa Paulista de Teatro como “Melhor Espetáculo em espaço convencional”.

Ficha Técnica
Direção e Dramaturgia: Pedro Granato. Elenco: Anna Zêpa e Rita Grillo. Assistência de direção: Camille Bonnenfant. Cenário e figurino: Sinhá.  Iluminação: Aline Santini.  Trilha Sonora: Kiko Dinucci. Produção Executiva: Isabela Tortato.

Serviço – Vermelho Labirinto
Reestreia dia 11 de junho.
70 minutos.
14 anos.
Inbox Cultural – Rua Teodoro Sampaio 2355 – ao lado do Metrô Faria Lima.
40 lugares.
(11) 9 6478-0606.
Sábados às 21h e domingos às 19h30.
R$ 30.
Venda online: www.sympla.com.br/pequenoato
Comédia dramática.
Até dia 17 de julho.

Dom Casmurro - Matheus Heck e Dave Santos (20)

As Sombras de Dom Casmurro faz curta temporada no Teatro Livraria da Vila do Shopping JK Iguatemi até dia 29 de maio

Fotos de Matheus Heck e Dave Santos
Vídeo: http://youtu.be/Ww2N__ap1yM

“As Sombras de Dom Casmurro” é um recorte do clássico de Machado de Assis feito por Toni Brandão (escritor premiado pelo APCA, Mambembe e Coca-Cola), que só utilizou trechos do próprio livro para compor essa versão teatral em forma de um monólogo. Depois de temporada bem-sucedida no SESC Ipiranga, espetáculo está em cartaz até dia 29 de maio no Teatro Livraria da Vila do Shopping JK Iguatemi.

Espetáculo é dirigido por Débora Dubois (“Lampião e Lancelote”, “Rita Lee Mora ao Lado”) e interpretado por Marcos Damigo (“Lampião e Lancelote”, “Deus é um DJ” e “Insensato Coração” – Rede Globo), que completa este ano vinte anos de carreira. A trilha sonora original foi composta por Gustavo Kurlat (responsável pela trilha de “O Menino e o Mundo” – que concorreu ao Oscar de Melhor Animação em 2016).

O espetáculo oferece novas possibilidades de olhar para um dos maiores clássicos da nossa literatura, reavivando seu interesse. Segundo Brandão, “extraímos do livro seus conflitos mais importantes e demos a eles a potência da palavra encarnada e viva, despertando o interesse para a literatura brasileira e atraindo um público ávido por cultura e entretenimento de qualidade. Além do enorme poder de alcance junto ao público jovem.”

O figurino, assinado por Alexandre Herchcovitch e desenvolvido nas gravações do seu novo reality show “Corre e Costura” (estreia em março no canal Fox Live), retrata a origem aristocrática do personagem, um proprietário de casas e bens, da esposa e da própria história narrada. Ao mesmo tempo, aproxima a obra dos tempos atuais, questionando o quanto se ultrapassaram as condições sociais e históricas que permitiram a criação de uma das mais conhecidas tragédias da literatura brasileira.

A opção pelo monólogo reforça o recurso utilizado pelo autor do romance, de apresentar apenas o ponto de vista do narrador. Machado de Assis foi o primeiro escritor brasileiro a se valer desse procedimento, considerado avançado inclusive para a época em que foi publicado pela primeira vez em 1900.

Sinopse
Dom Casmurro revisita o lugar onde estão guardadas suas memórias, uma espécie de sótão na casa antiga: em cena estão apenas uma mesa, duas cadeiras e alguns objetos. Ele conversa com as pessoas que participaram de sua vida, lembra diálogos que já repassou incontáveis vezes dentro da própria cabeça e divide com o público – as “inquietas sombras” que o visitam – o desenrolar dos fatos que o levaram a concluir que sua esposa, Capitu, o traiu com seu melhor amigo, Escobar, que seria o verdadeiro pai de seu filho, Ezequiel.

Foram feitos ensaios abertos em novembro de 2015 com ótima repercussão:

Thelma Guedes (escritora e roteirista da Rede Globo): “A adaptação de Dom Casmurro de Toni Brandão elege e ilumina o que há de mais poderoso na obra prima de Machado. Mas é a interpretação arrebatadora de Marcos Damigo que nos serve numa bandeja o coração de Bentinho, fazendo-nos crer – e viver por alguns minutos – no amor de um protagonista vil, ciumento e cínico.”

Tony Goes (roteirista e jornalista): “Toni Brandão consegue concentrar toda a força do romance de Machado de Assis em pouco mais de uma hora. E a direção elegante de Débora Dubois permite que Marcos Damigo encarne todos os personagens de “Dom Casmurro”, inclusive a inescrutável Capitu.”

Cássio Junqueira (poeta e autor teatral): “O monólogo Dom Casmurro traz excelentes adaptação, direção e interpretação, a serviço de um dos maiores clássicos da literatura brasileira, o livro de Machado de Assis. Prova com a contemporaneidade do espetáculo a imortalidade de uma verdadeira obra de arte. A opção de ter um único personagem no palco nos põe diante do drama de como “escrevemos” a nossa própria história em face dos fatos da nossa vida (interna e externa) e de como, depois de tê-la “escrito”, nós a contamos… Um belo espetáculo, que deve ser visto!”

Eromar Bonfim (escritor): “A ficcionalização de matéria jornalística e a autoficção em moda supõem um lugar para a literatura artística que não é o dela. A peça D. Casmurro desfaz esse equívoco e mostra onde se situa a propriedade da arte literária. A peça D. Casmurro mostra à perfeição a literatura que é para se ver.”

Luciana Carnieli (atriz): “Poesia e arrebatamento… Marcos Damigo se transforma no solitário e irônico D. Casmurro e em outros personagens do clássico romance de Machado de Assis numa interpretação vigorosa e contundente. O ciúme, a dúvida e a ambiguidade da trama são levados à cena pela diretora Débora Dubois com beleza e criatividade. Uma forma deliciosa de conhecer, se reaproximar ou consolidar a paixão por esta obra fundamental da literatura brasileira.”

Leonel Braga Neto
(psicanalista
membro do Ebep – Espaço Brasileiro de Estudos Psicanalíticos): “Marcos Damigo não carrega nem ‘incorpora’ Casmurro e Bentinho (e Capitu, e Ezequiel, e o agregado), incorpora o autor: ele desliza tão completamente pelas nuances da língua e do idioma, que revela uma dimensão de partitura do texto machadiano e a executa não como músico, mas como faz um hábil bailarino em um solo dos mais complexos. Machado de Assis está lá. Não houve traição!”

Lucas Brandão (ator e diretor teatral): “Casmurro parece tentar agir sob controle diante de tantas evidências que o levariam à culpa. Ele falha: enlouquece novamente, revive cada instante como se ali estivessem acontecendo. É uma visita a um certo território de nossa sociedade, de nossa consciência, de nossa memória que achamos não existir mais, e o fazemos como quem vai a um museu. Mas, ao chegar, percebe-se que o museu é a própria vida, aqui e agora.”

Ficha Técnica
Obra de Machado de Assis
Direção: Débora Dubois
Intérprete: Marcos Damigo
Adaptação: Toni Brandão
Assistência de Direção: Luis Felipe Corrêa
Luz: César Augusto Pivetti
Figurino: Alexandre Herchcovitch
Cenário: Duda Huck e Márcio Macena
Trilha sonora original: Gustavo Kurlat
Consultoria literária: Gilberto Martins
Fotografia: Matheus Heck e Dave Santos – Elemento Cultural
Direção de Produção: Fernanda Bianco e Guilherme Maturo – Elemento Cultural
Produção Executiva: Renata Nastari – Elemento Cultural
Comunicação: Dave Santos – Elemento Cultural

SERVIÇO
De 7 a 29 de maio de 2016.
75 minutos.
12 anos.
Teatro Livraria da Vila do Shopping JK Iguatemi.
Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 2041.
125 lugares.
(11) 5180-4790.
Sábados às 20h, domingos às 18h.
R$ 60.
Até dia 29 de maio.

Cia. Elevador de Teatro Panorâmico faz temporada gratuita da peça Sala dos Professores em Garça, Fernandópolis, Pindamonhangaba e Espírito Santo do Pinhal

Dirigida por Marcelo Lazzaratto, tragicomédia escrita por Leonardo Cortez cria reflexão sobre a educação a partir dos pontos de vista dos professores de um colégio particular

Link – Fotos de João Caldas Fº

Indicado aos prêmios Shell, APCA e Aplauso Brasil em 2016, a tragicomédia Sala dos Professores, da Cia. Elevador de Teatro Panorâmico, ganha uma temporada gratuita de circulação por quatro cidades do interior paulista. São elas: Garça (9 e 10 de março), Fernandópolis (16 e 17 de março), Pindamonhangaba (23 e 24 de março) e Espírito Santo do Pinhal (6 e 7 de abril). As sessões acontecem sempre aos sábados, às 20h, e aos domingos, às 19h.

Além da peça, o grupo ministra o curso gratuito “Campo de Visão – O sistema de criação da Cia. Elevador de Teatro Panorâmico”, que acontece no mesmo teatro das apresentações, sempre no domingo, das 14h às 17h. Para participar, os interessados devem ter mais de 16 anos e solicitar a inscrição pelo e-mail cia.elevador@uol.com.br.

A nova temporada da peça e o curso são ações previstas por um projeto contemplado pelo ProAC Edital 2/2018, na categoria de “Circulação de Espetáculo de Teatro”.

Sala dos Professores

Dirigida por Marcelo Lazzaratto, a tragicomédia de Leonardo Cortez mostra o encontro de professores de um colégio particular durante o horário de intervalo. Eles se refugiam da turba estudantil e trocam impressões sobre suas conturbadas vidas pessoais e sobre os massacrantes desafios impostos na rotina escolar. A revolta contra a falta de reconhecimento e as imposições da Sociedade Mantenedora que administra o colégio são os pretextos para que um jogo de revelações seja deflagrado com desdobramentos trágicos.

Com cenário e figurino assinados por Lu Bueno e luz de Marcelo Lazzaratto, a peça traz no elenco os atores da companhia Carolina Fabri, Pedro Haddad, Rodrigo Spina, Marina Vieira, Wallyson Motta e os atores convidados Leonardo Cortez e Laís Marques. A peça estreou no Espaço Elevador, em São Paulo, em 2016, na ocasião em que a companhia completou 15 anos de existência.

O dramaturgo e ator Leonardo Cortez (indicado ao prêmio Shell de melhor texto em 2013) foi convidado pela companhia em 2012 para escrever um texto especialmente para eles. “O Marcelo Lazzaratto é o meu grande parceiro artístico desde 2008 quando ele dirigiu o meu texto O Rei dos Urubus. A maneira como ele traduz a minha obra em cena sempre me pareceu ideal e a prova disso é que Sala dos Professores é a nosso quarto espetáculo juntos. Sempre fui um professor e a minha pesquisa sobre o tema como autor vinha se desenhando desde 2010, quando desenvolvi a ideia de fazer uma série de televisão sobre o cotidiano dos professores de uma escola particular decadente. Os personagens surgiram a partir da série, mas ao colocá-los na ação dramática, tive em mente os atores da Cia Elevador, o que redefiniu características e imprimiu novas exigências”.

Para o diretor Marcelo Lazzaratto esse texto traz um dos temas mais importantes e necessários, talvez o tema fundamental para nossa sociedade: a educação. “Para isso precisávamos de um autor como Leonardo Cortez, cuja maior qualidade está na precisa construção dos diálogos, de ritmo ágil e perspicácia irônica. Todos os objetivos, as circunstâncias, os personagens e suas relações são pouco a pouco desenvolvidos a partir dinâmica contundente estabelecida pelos diálogos, sua dramaturgia é completamente fundada no cotidiano, e por isso ela é cômica e por isso ela é trágica”, conta Lazzaratto.

Na Cia Elevador, a maioria dos atores e o diretor são professores, Leonardo Cortez também é professor além de ator e dramaturgo, sobre a relação entre ser ator e ser professor, o dramaturgo comenta: “Uma ótima aula dada me dá tanto prazer quanto um espetáculo onde eu, como intérprete ou dramaturgo, consegui estabelecer uma comunicação direta com o público. Em ambas as funções existe um componente comovente de entrega e generosidade, além do desejo às vezes utópico de contribuir para a melhoria do mundo através daquilo que é dito para os alunos e para a plateia naquele espaço de tempo. As duas funções são subestimadas no Brasil e professores e atores podem dialogar de maneira fluída intercalando experiências de não reconhecimento e frustração. No entanto, a esperança de dias melhores é algo sempre perene, porque ambas as profissões cobram o entusiasmo e o amor pelo recomeço e pela construção de novos mecanismos que estabeleçam a comunhão”.

No palco veremos um cenário único, despojado, mas com linhas claras e precisas que revela uma típica sala de professores de uma escola particular. Paredes, piso e objetos serão na verdade lousas verdes. Toda a cenografia será composta por lousas escolares verdes. As cadeiras da sala dos professores também verdes serão o elemento central da encenação pois através de sua manipulação por parte dos atores espaço e tempo serão transformados a cada nova cena promovendo dinâmicas que irão ao encontro do jogo relacional que cresce de intensidade ao longo da peça. Essa visualidade básica abrirá espaço para o trabalho dos atores que serão os responsáveis por revelar o intrincado jogo de relações, em alta-velocidade, proposto pelo texto.

Curso grátis

O “Campo de Visão” é uma técnica de treinamento para o ator, desenvolvida há 30 anos por Marcelo Lazzaratto. Como diretor artístico da Cia. Elevador de Teatro Panorâmico há 19 anos, ele vem, juntamente com os atores, sistematizando essa técnica em processos de treinamento e na construção poética dos espetáculos. Além de ser a base da pesquisa da Cia. Elevador, o método é estrutura central das suas criações cênicas.

O Campo de Visão foi objeto de Mestrado de Marcelo Lazzaratto na UNICAMP, em 2003, e lugar de onde nasceram as reflexões de seu Doutorado a respeito da interioridade do ator, em 2008. Este curso tem como objetivo instrumentalizar os participantes com este método de trabalho e pesquisa que já instrumentalizou mais de 450 participantes.

Exercício improvisacional, o treinamento permite que, a partir do outro, o ator amplie seu potencial criativo, sua gestualidade, enriqueça sua visão de eventuais personagens, evitando cristalizações pré-concebidas e propiciando um mergulho cada vez mais profundo tanto em sua interioridade quanto no universo a ser criado. Deste modo, o “Campo de Visão” é um trabalho essencial e complementar a qualquer processo criativo, pois foca diversos aspectos próprios à criação teatral. Além disso, a metodologia investiga a transposição do material criado durante as improvisações para a linguagem cênica que porventura será codificada em uma encenação.

O curso é gratuito e acontece sempre aos domingos da temporada, das 14h à 17h no mesmo teatro das apresentações. Será ministrado por um dos integrantes da Cia. Elevador de Teatro Panorâmico, com coordenação de Marcelo Lazzaratto. Ao todo, serão oferecidas 25 vagas para pessoas a partir de 16 anos e todos os participantes ganharam o livro “Campo de Visão – Exercício e Linguagem Cênica”, de Lazzaratto. As inscrições deverão ser feitas pelo email: cia.elevador@uol.com.br.

Sobre a Cia Elevador de Teatro Panorâmico

A Cia. Elevador de Teatro Panorâmico é um núcleo permanente de investigação em linguagem teatral criado em 2000, propondo a junção da verticalidade da pesquisa com a horizontalidade de sua abrangência ao público. Ao longo de sua trajetória de pesquisa estética, trouxe à cena peças que dialogam com questões inerentes ao homem contemporâneo, tais como a procura de si mesmo, a desconstrução de realidades e fragmentação da memória, o limiar entre arte e realidade, entre cotidiano e criação. Em 2010, em comemoração aos 10 anos, a Cia. pesquisou o universo shakespeariano e montou uma comédia onde a crença na relação entre o Homem e a Natureza e o convívio com as diferenças se torna uma possibilidade real. Esta pesquisa recebeu indicação ao Prêmio Shell 2010. Em 2012, trouxe a público a versão da tragédia grega “Ifigênia em Áulis”, de Eurípides. Em “Ifigênia”, foi discutida a relação coletivo-indivíduo na sociedade atual, através do sistema improvisacional onde todos os atores sabem o texto completo, texto criado especialmente para o espetáculo pelo dramaturgo Cássio Pires, e recriam o mito no momento presente do espetáculo, que nunca será igual ao dia anterior. Em 2013, a Cia começou a pesquisar um pressuposto estético, surgido do Campo de Visão, que Marcelo Lazzaratto intitulou de “Corpo-Paisagem”, ou seja, o ator, ele mesmo uma cena, ao mesmo tempo figura e fundo; o ator enquanto um corpo-paisagem por onde passam todos os “personagens e seus lugares”, em suma. Para isso buscaram uma dramaturgia que refletisse essencialmente esse pressuposto e escolheram “O Jardim das Cerejeiras”, de Anton Tchekhov, que estreou em março de 2014.

Espetáculos da  companhia: A Maratona Mundial de Dança, de Alexandre Mate /Uma Peça por Outra, de Jean Tardieu /A Ilha Desconhecida, adaptação para crianças de “O Conto da Ilha/ Desconhecida”, de José Saramago / Loucura, adaptação livre de diversos textos da literatura mundial / A Hora Em Que Não Sabíamos Nada Uns Dos Outros, de Peter Handke / Amor de Improviso, textos diversos da literatura / Peça de Elevador, de Cássio Pires / Ponto Zero, uma restrospectiva dos jovens das gerações de 50 até hoje / Eu Estava Em Minha Casa E Esperava Que A Chuva Chegasse, de Jean-Luc Lagarce / Do Jeito Que Você Gosta, de William Shakespeare / Ifigênia, de Cássio Pires / Jardim das Cerejeiras, Anton Tchekhov.

Ficha Técnica
Texto inédito: Leonardo Cortez
Direção: Marcelo Lazzaratto
Elenco: Carolina Fabri, Marina Vieira, Pedro Haddad, Rodrigo Spina, Wallyson Mota, Laís Marques e Leonardo Cortez
Designer Gráfico: Fernando Bergamini
Trilha Sonora, Sonoplastia e Música Original: Rafael Zenorini
Figurino e Cenário: Luciana Bueno
Iluminação: Marcelo Lazzaratto
Operação de luz e som: Lui Seixas
Contrarregras: Thaís Rossi e Thatiana Botth
Fotos: João Caldas
Produção: Anayan Moretto
Assistência de Produção: Verônica Jesus
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Realização: Cia. Elevador de Teatro Panorâmico
Administração Espaço Elevador: Thaís Rossi

SERVIÇ
Sala dos Professores, de Leonardo Cortez
Ingressos: Grátis, distribuídos uma hora antes da sessão

GARÇA
Teatro Municipal Miguel Mônico – Avenida Rafael Paes de Barros ,560
Apresentações: 9 e 10 de março, no sábado às 20h e no domingo às 19h
Oficina: 10 de março, das 14h às 17h. 25 vagas. 16 anos. Inscrições pelo e-mail: cia.elevador@uol.com.br.

FERNANDÓPOLIS
Teatro Municipal Merciol Viscardi – Rua Milton Terra Verde, 420, Centro
Apresentações: 16 e 17 de março, no sábado às 20h e no domingo às 19h
Oficina: 17 de março, das 14h às 17h. 25 vagas. 16 anos. Inscrições pelo e-mail: cia.elevador@uol.com.br.

PINDAMONHANGABA
ESPAÇO CULTURAL – TEATRO GALPÃO – Rua Luiza Marcondes de Oliveira, 2750
Apresentações: 23 e 24 de março, no sábado às 20h e no domingo às 19h
Oficina: 24 de março, das 14h às 17h. 25 vagas. 16 anos. Inscrições pelo e-mail: cia.elevador@uol.com.br.

ESPÍRITO SANTO DO PINHAL
Theatro Avenida – Avenida Oliveira Mota, 51, Centro
Apresentações: 6 e 7 de abril, no sábado às 20h e no domingo às 19h
Oficina: 7 de abril, das 14h às 17h. 25 vagas. 16 anos. Inscrições pelo e-mail: cia.elevador@uol.com.br.

Foto de Eduardo Moura

Foto de Eduardo Moura

Pela primeira vez em São Paulo Teuda Bara apresenta seu espetáculo Doida, dirigido por Inês Peixoto

Doida é um ensaio poético a partir da loucura e de Carlos Drummond, mas também fala sobre a mulher, a infância e Minas Gerais, com dramaturgia de João Santos.

“Doida” é um projeto pessoal acalentado pela atriz Teuda Bara há mais de 10 anos. Percebendo a brecha que finalmente teria na agenda, ela convidou Inês Peixoto, colega do Grupo Galpão, para dirigir o trabalho em que atua ao lado do filho mais novo, Admar Fernandes. A estreia acontece dia 26 de fevereiro no SESC Santana.

A peça é inspirada na obra de Carlos Drummond de Andrade. O poeta Itabirano também foi um grande contista, e foi seu conto Contos de Aprendiz que deu início à ideia do espetáculo.

O texto fala da loucura e para isso, além das referências poéticas à obra de Drummond, saúda célebres personalidades reais, como Stela do Patrocínio, Arthur Bispo do Rosário, os internos da colônia de Barbacena e chega até Elvis Presley para construir a prosa delirante da personagem. “Doida é uma montagem intimista, que trará uma rara oportunidade de ver Teuda com uma proximidade reveladora de sutilezas, poesia e sensibilidade em sua performance”, comenta a diretora Inês Peixoto.
Com quase quatro décadas de carreira, a atriz Teuda Bara é uma das fundadoras do Grupo Galpão ao lado de Inês Peixoto, além de sua trajetória no teatro é conhecida pelos trabalhos no cinema e na TV (como a recente participação na novela “Meu Pedacinho de Chão”, da qual Inês Peixoto também participou).
Serviço
Sesc Santana – Av. Luiz Dumont Villares, 579 – Jd. São Paulo.
Temporada: De 26/02 a 20/03. Sextas e sábados às 21h e domingos às18h.
Ingressos: R$9 a R$30.
Recomendação etária: 12 anos.
Duração: 50 minutos.
Teatro. Capacidade: 330 lugares.
A apresentação do dia 13/03 contará com serviço de audiodescrição.

Ficha Técnica:
Elenco: Teuda Bara e Admar Fernandes. Direção: Inês Peixoto. Concepção de cenário e adereços: Daniel Ducato e Inês Peixoto. Figurino: Paulo André. Iluminação: Rodrigo Marçal (Brow). Trilha sonora: Admar Fernandes. Produção: Beatriz Radicchi. Fotos: Eduardo Moura

Mascates Produções Artísticas apresenta Tania Bondezan em Como Ter Sexo a Vida Toda Com a Mesma Pessoa, de Mónica Salvador com direção de Odilon Wagner. Clique aqui para acessar o release completo.

Coisas06

Germano Melo estreia seu espetáculo solo Coisas Úteis e Agradáveis no SESC Ipiranga

 Com dramaturgia e atuação de Germano Melo, e direção de Leonardo Ventura, o espetáculo é livremente inspirado no conto As Cartas de Amabed de Voltaire

 A peça narra as aventuras do hindu Ravi em sua viagem de descoberta do Ocidenmte. Ravi vivia em Varanasi, cidade sagrada da Índia, quando faz amizade com um homem chamado Gregório, e é convidado a viajar para Goa em plena dominação da cidade pelos europeus. Ali, Ravi é ludibriado e feito prisioneiro da Igreja, que o acusa de ser apóstata (aquele que renuncia à sua fé ou doutrinação). Após ser fisicamente violentado e obrigado a comer carne e beber vinho – terrível heresia segundo os preceitos do hinduísmo – Ravi é levado para Roma para ser julgado pelo Papa. Durante essa violenta experiência, o indiano toma consciência das difíceis contradições que regem a civilização ocidental. A peça estreia dia 26 de fevereiro no SESC Ipiranga.

COISAS ÚTEIS E AGRADÁVEIS é a primeira peça do projeto intitulado Trilogia Filosófica.  Através das obras dos filósofos Voltaire, Nietzsche e Michel Foucault, pretende-se abordar o conceito de dessacralização encontrado na obra e pensamento dos três filósofos: Voltaire dessacraliza a igreja, Nietzche dessacraliza a cultura ocidental, Foucault dessacraliza os discursos/instituições.

O objetivo desse projeto teatral é criar peças que explorem a densidade e as nuances do pensamento expresso em verbo, em teatralidade vocal, especialmente nesse momento em que a sociedade e a cultura questionam os efeitos diluidores do excesso de fragmentação e do valor desmedido dado à cultura da imagem. “Me interessa que ator e plateia partilhem uma experiência, não queremos a contemplação por si só”, conta o diretor.

A parceria com o ator e diretor Leonardo Ventura foi instigada pelo desejo de aplicar os métodos de criação estudados por ambos no Centro de Pesquisa Teatral, dirigido por Antunes Filho. Surgiu, então, o projeto de criação de um solo que colocasse em perspectiva elementos da história, filosofia e política. “A montagem da peça “Coisas Úteis e Agradáveis” não é apenas a criação de um solo, mas a síntese de um processo de pesquisa que conjuga atuação e dramaturgia na busca da autonomia do ator na criação da linguagem teatral”, comenta o autor e ator Germano Melo.

Germano Melo desenvolve pesquisa dramatúrgica há quinze anos, tendo atuado em diversos processos colaborativos e na montagem de textos inéditos da dramaturgia brasileira contemporânea. É o autor e diretor das peças Dos Venenos o Mais Santo, Os Belos Elementos, Tudo na Faixa e Céu da África. Co-escreveu Como Ser Uma Pessoa Pior, em parceria com Michelle Ferreira, monologo de Lulu Pavarin dirigido por Mario Bortolotto. Também escreveu a adaptação teatral de A Obscena Senhora D de Hilda Hilst, em parceria com Suzan Damasceno.

Atuando em teatro, cinema e televisão, integrou por quarto anos o Centro de Pesquisa Teatral (CPT), dirigido por Antunes Filho, onde fez os espetáculos Trono de Sangue – Macbeth e Drácula e Outros Vampiros.  Recentemente atuou em Elis, a Musical, direção de Dennis Carvalho, e no cinema está no longa – metragem Aquarius, dirigido por Kleber Mendonça Filho, protagonizado por Sonia Braga, e previsto para estrear este ano. Na televisão, foi apresentador do programa Café Filosófico, exibido pela TV Cultura de São Paulo, trabalho que lhe inspirou o projeto de trazer obras de filósofos para o teatro.

Leonardo Ventura é bacharel em Interpretação Teatral pelo Departamento de Artes Cênicas do Instituto de Artes da UNICAMP, onde trabalhou com importantes profissionais do teatro. Integrou o Centro de Pesquisa Teatral, onde protagonizou os espetáculos TODA NUDEZ SERÁ CASTIGADA e NOSSA CIDADE, ambos dirigidos por Antunes Filho. Em 2014, foi indicado ao prêmio de Melhor Ator pela Associação Paulista de Críticos da Arte – APCA por sua atuação em NOSSA CIDADE. Foi integrante do Núcleo Experimental de Artes Cênicas Sesi/SP 2003, onde estudou com artistas de ressonância da cena teatral. Também foi integrante da Casa Laboratório para as Artes do Teatro 2005-2010, grupo fundado no Brasil pelo ator Cacá Carvalho e pelo diretor italiano Roberto Bacci, atuando em três espetáculos e trabalhando com  mestres do mundo inteiro.

Teve ainda contato com o pensamento e fazer teatral dos artistas: Juliana Carneiro da Cunha (Theatre Du Soleil ), Thomas Richards ( Workcenter of Jerzy Grotowski and Thomas Richards ), Anatoli Vassiliev ( diretor russo ), LUME, Yoshito Ohno, entre outros. Atou em espetáculos dirigidos por João das Neves, Georgette Fadel, Marcio Aurélio, entre outros. Seu último espetáculo como ator foi ” A Tempestade” de W. Shakespeare com direção de Gabriel Vilella no TUCARENA.

O espetáculo COISAS ÚTEIS E AGRADÁVEIS foi contemplado pela segunda edição do edital Prêmio Zé Renato da Prefeitura de São Paulo.

Serviço:
SESC IPIRANGA – R. Bom Pastor, 822 – Ipiranga
Coisas úteis e agradáveis
Temporada: Dias 26, 27/02, 04, 05, 06, 11, 12, 13, 18, 19, 20, 26/03, 01, 02, 03/04. (15 apresentações)
Sextas às 21h30; sábados ás 19h30 e domingos às 18h30 (exceto dia 28/02 e 27/03 e feriado do dia 25/03).
Livre
Duração: 50 minutos
Recomendação etária: 14 anos. Auditório. R$ 20,00 (outros); R$ 10,00 (credencial atividade); e R$ 6,00 (credencial plena)

Sugestão de sinopse: Ravi Arouet, um hindu da casta dos brâmanes, viaja pelo mundo narrando suas aventuras e desventuras. Ele remonta à cidade natal, Varanasi, a cidade mais sagrada da Índia, onde, ao fazer amizade com um padre italiano, é convencido a viajar para Goa, cidade dominada pelos portugueses em pleno século XVI. Em Goa, Ravi é injustamente acusado de ter renunciado ao batismo e é levado preso à Roma, para ser julgado pelo Papa. Durante a viagem de navio, o hindu mergulha nas contradições da Igreja e do governo ocidentais.

FICHA TÉCNICA
Dramaturgia e atuação: Germano Melo. Direção: Leonardo Ventura. Assistente de direção: Daniel Mazzarolo. Cenário e figurino: André Cortez. Iluminação: Ricardo Alves Jr. Preparação corporal: Ondina Clais Produção: PLURAL VENTURA e Germano Melo.

 

 

 

 

 

 

 

Foto de Guilherme Castoldi

Foto de Guilherme Castoldi

Cabaré Falocrático volta em cartaz dia 12 de fevereiro no Galpão do Folias

Direção de Dagoberto Feliz e concepção e roteiro dramatúrgico de Helder Mariani, Cabaré Falocrático encena e reflete questões da sexualidade em tom irônico e provocador, com poesias e músicas apresentadas ao vivo. Espetáculo volta em cartaz dia 12 de fevereiro, às 22h no Galpão do Folias, depois de bem sucedida temporada de estreia na Casa das Rosas, em São Paulo, em 2015.

O espetáculo, chamado pelo dramaturgo como ‘cabaret poético-teatral’’ traz as poesias de Glauco Mattoso e Horácio Costa, cuja militância gay alcança aspectos importantes de suas trajetórias poéticas na cidade e no país, além do recentemente falecido Roberto Piva, poeta precursor nos anos 1960, com seu já clássico “Paranoia”.

Temas como a descoberta da sexualidade, relações amorosas e fetiches são abordados.

Ficha técnica
Encenação e direção musical: Dagoberto Feliz
Elenco: André Medeiros Martins, Emerson Meneses, Gabriel Muglia e Helder Mariani
Coro: Adriano Mota, Dennis Marques, Diego Christianini, Felipe Pitta, Gui Chapina, Gui Neves, José Raul Molina, Pietro Almeida e Rafael Passos
Direção de arte: André Medeiros Martins
Concepção e roteiro dramatúrgico: Helder Mariani

Serviço
duração: 70 minutos
censura: a partir de 16 anos

de 12 de fevereiro a 26 de março
sextas ás 22hrs
sábados ás 23hrs

valor: R$40,00
R$20,00 (meia- entrada)
R$10,00 (morador do bairro)

local: Galpão do Folias
Rua Ana Cintra, 213 – metro Santa Cecília
reservas no telefone 33612223

Foto de Marlise Carvalho

Foto de Marlise Carvalho

Espetáculo “O Defunto” a partir da obra de René de Obaldia, com trilha composta por Arrigo Barnabé, estreia em São Paulo em curta temporada gratuita na Oswald Andrade

A ciadasatrizes estreia o espetáculo ‘O Defunto’ na Oficina Cultural Oswald Andrade dia 11 de fevereiro, às 20h30. Espetáculo foi concebido a partir da obra de René de Obaldia, com provocação cênica e dramatúrgica de Marina Tranjan e Carlos Canhameiro e trilha sonora de Arrigo Barnabé. No elenco, as intérpretes criadoras Talitha Pereira, Tetembua Dandara e Marilene Grama.

“O Defunto” surge a partir da releitura da obra de René de Obaldia, 50 anos após a sua concepção. Nessa montagem, as atrizes optaram pela verticalização das características formais da dramaturgia do Absurdo, ou seja, da fragmentação e desconstrução do drama, criando fissuras pelas quais perspectivas diversas e discordantes podem trespassar.

No texto original de René de Obaldia isso se dá por meio da quebra da lógica linear e do desencontro entre falas/personagens, o que reflete a fissura entre a mentira e a poesia nas histórias contadas pelas personagens. Nessa encenação, esses recursos são radicalizados numa perspectiva pós-dramática, em que a unidade totalizante da forma do drama é substituída por uma composição polifônica em todos os seus níveis de construção.

Duas atrizes e dois músicos dividem o palco, promovendo uma multiplicação de perspectivas poéticas a respeito do material dramatúrgico. Desta forma, cria-se um quadro complexo referente à premissa que o constrói: “Duas mulheres que se encontram para evocar a memória de Vitor, defunto marido de uma delas.”

Para provocar e compor nesse universo de polifonias, foram convidados três artistas contemporâneos que contemplam em seus trabalhos o transpassar das barreiras das linguagens: Arrigo Barnabé, músico, compositor e ator; Marina Tranjan, atriz, dramaturga e diretora; e Carlos Canhameiro ator, dramaturgo e diretor.

PROJETO DRAMAS DE PRINCESAS
O projeto DRAMAS DE PRINCESAS, da ciadasatrizes, contemplado pela 27. Edição do programa de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo, contará com um seminário sobre teatro contemporâneo, feminismo e dramaturgia contemporânea, e com três espetáculos: Epifanias Urbanas, criado em parceria com o Núcleo Mirada; O Defunto com provocação cênica e dramatúrgica de Marina Tranjan e Carlos Canhameiro e trilha composta por Arrigo Barnabé; e no final de 2016 a estreia do texto inédito de Elfried Jelinek Dramas de Princesas com direção de Maria Tendlau.

Sobre ciadasatrizes
Em 2015, a ciadasatrizes completou sete anos de atividades na cidade de São Paulo, iniciadas em 2008 com o processo de criação do espetáculo As alegres comadres – entre, coma, sinta-se em casa (livremente inspirado na obra de William Shakespeare, e com direção de Thiago Antunes) como parte do projeto 100, realizado em parceria com o Núcleo HANA e contemplado pela XII edição do Fomento para a cidade de São Paulo, estreando em 2009 no Teatro Sergio Cardoso.

Desde então, vem pesquisando poeticamente o lugar da mulher em nossa sociedade e no próprio teatro, em constante fricção com a história da dramaturgia e das representações cênicas. Nesse percurso, abordou textos de dois dramaturgos (homens) sobre o universo feminino: além das Alegres comadres de Windsor de Shakespeare, encenou ainda O defunto, de René de Obaldia, em que duas mulheres falam sobre o marido morto de uma delas. Nos dois casos, tratou-se de opor à visão dos autores originais uma encenação de forte caráter performativo, que propusesse uma desconstrução das formas dadas a partir da perspectiva atual das atrizes, ou seja, uma perspectiva necessariamente feminina, ainda que não centrada em um discurso feminista. Já na obra de intervenção Epifanias Urbanas, criada em parceria com o Núcleo Mirada, o grupo buscou explorar o feminino não a partir do campo textual, mas do imagético, encarnando estranhas figuras que erravam pela cidade atraindo olhares e questionamentos.
Seguindo nessa linha, o grupo deparou-se recentemente com a obra dramatúrgica da austríaca Elfriede Jelinek, ganhadora do Nobel, e sem dúvida uma das mais importantes escritoras da atualidade. Embora sua oportunidade de explorar uma escrita fundamentalmente feminina e feminista, uma poética absolutamente original e provocadora que enfrenta de modo único e radical, calcado num trabalho de excelência linguística incomparável, a dominância masculina histórica e ainda atual.

Ficha Técnica – O Defunto :
Concepção: CiadasAtrizes
Provocação Cênica e Dramatúrgica: Marina Tranjan e Carlos Canhameiro
Trilha : Arrigo Barnabé
Intérpretes-criadoras: Talitha Pereira, Tetembua Dandara e Marilene Grama
Músicos: Daniel Muller e Rui Barossi
Fotografia: Marlise Carvalho
Iluminação : Daniel Gonzalez
Cenografia : José Valdir
Produção: Tetembua Dandara e Thais Rossi
Site: www.ciadasatrizes.com

Serviço
O Defunto
De 11 a 27 de fevereiro
De Quinta à Sábado às 20h30
Local : Oficina Cultural Oswald Andrade
Rua Três Rios, 363
Entrada Gratuita